domingo, 11 de setembro de 2016

Paraolimpíadas: o politicamente correto em sua melhor forma

Pessoas com deficiências físicas são seres humanos que, em princípio, são dignas de respeito como qualquer outro. Felizmente, essa é uma conquista do mundo civilizado. A compaixão pelos fracos é uma característica inerente ao ser humano civilizado e demonstra o triunfo da civilização Ocidental sobre a barbárie. Contudo, há um abismo gigante entre a compaixão pelos fracos (traço distintivo das sociedades civilizadas) e o culto à fraqueza.

Para que um ou outro leitor um pouco menos afeito à boa interpretação de texto não me entenda mal: o deficiente merece ser tratado com compaixão pelos demais seres humanos por estar em relativa vulnerabilidade. Grifei a palavra "relativa" porque nada impede um deficiente de se destacar por seu intelecto. Muito embora sua autonomia física tenha sido tenha tragicamente limitada, o deficiente não morre totalmente para vida por ter adquirido ou nascido com uma ou outra limitação física. Portanto, não causa espécie alguma ver deficientes físicos se dedicando a outras atividades que não lhes exijam ir além de suas limitações. No entanto, por motivos óbvios, é descabido exigir que os deficientes continuem buscando um modo de vida em descompasso com sua atual realidade física. O amável leitor que discordar de mim neste ponto demonstrará um raciocínio bastante infantil. Que um deficiente físico cuide da sua saúde é coisa meritória, mas querer ir além das suas limitações, como acontece nas paraolimpíadas, é reprovável.

O espetáculo deprimente que são as Paraolimpíadas (sejam de verão ou de inverno) carrega em si o nefasto e estúpido vírus do igualitarismo e a abjeta (e não menos estúpida) ideologia da "inclusão social". Essas competições são a quintessência do politicamente correto por exaltarem a inferioridade e cultuarem a fraqueza, diante das reações mais ensaiadas artificiais do (diminuto) público perante um espetáculo tão chato e sem emoção. Aliás, percebam que o público (presente e telespectador) das Paraolimpíadas é uma fração diminuta do público dos Jogos Olímpicos de verdade. E outra: não é cobrado ingresso para essas competições. A dura realidade se impõe.

É um teatro, puríssimo fingimento mútuo. Os atletas fingem que são o supra-sumo da competitividade, e o público finge que acredita nisso. A mídia entra no elenco no papel de explorar os apelos sentimentais mais piegas possíveis, para comover o público com o esforço alheio, muito embora a "emoção" do público seja totalmente fingida e/ou inexistente. É óbvio que essas competições não têm emoção alguma, pois os deficientes físicos jamais deveriam participar delas, uma vez que não reúnem plenas condições físicas para competir, e competição sem emoção não é competição. O resultado seria muito parecido se criassem competições esportivas olímpicas para velhos caquéticos acima de 80 anos para promover a "inclusão social" e depois, da maneira mais fingida possível, celebrar suas vitórias. Seria igualmente ridículo e patético.

Acredito que os amáveis leitores sejam adultos, e realistas e, portanto, concordarão comigo: esses espetáculos são pueris e patéticos. Repito: as Paraolimpíadas são uma das faces mais nojentas do politicamente correto. Ela cultuam a fraqueza em sua expressão mais fiel. Trata-se de um espetáculo deprimente cujo pano de fundo é o igualitarismo do mais estúpido. O resultado é desastroso.

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