sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Metapolítica da Direita

Apresento hoje uma tradução direta do sueco de um trecho do Capítulo 2 do livro mais recente de Daniel Friberg, "Högern kommer tillbaka: Handbok för den äkta oppositionen" (A volta da Direita: um manual para a verdadeira oposição). O original encontra-se em http://www.motpol.nu/danielfriberg/2015/11/20/metapolitik-fran-hoger/. Divirtam-se

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A Metapolítica da Direita 

A metapolítica é uma guerra de transformação social nos níveis de visão de mundo, pensamento e cultura. Uma luta parlamentar deve ser precedida, legitimada e apoiada por uma luta metapolítica. A metapolítica, em sua melhor forma, reduz o parlamentarismo a pura formalidade. 


Para chegar mais perto do centro das dificuldades políticas e culturais da Escandinávia, não basta olhar para trás ou simplesmente reagir às últimas expressões das causas profundas por trás da destruição da cultura e do povo escandinavos. Devemos identificar as raízes e os contextos ligados à situação em que nos encontramos, analisa-los e, depois, agir politicamente e culturalmente de acordo com as conclusões a que chegarmos. Precisamos, portanto, de mentalidade e ação metapolíticas. A análise metapolítica leva em conta não apenas as decisões políticas e estatais óbvias, mas também o que comanda e influencia o desenvolvimento da sociedade inteira. A metapolítica leva em conta a cultura, a economia, a história e a política interna e externa, não apenas o Estado, o partido ou a nação. Precisamos entender a sociedade em geral, como um organismo, para poder reforma-la de maneira construtiva e duradoura.

No entanto, as associações que, nas últimas décadas, trabalharam para os povos da Europa têm ficado presas a estratégias que foram bem-sucedidas em outros momentos da história, mas carecem do mesmo potencial num contexto moderno. A imitação de antigos êxitos políticos e revolucionários está fadada ao fracasso. Em poucas palavras, só existiu um César e um Napoleão. Devemos aprender com a história não apenas como acumular poder e influência, mas o que é o poder, onde ele realmente se encontra e como ele é formado.

A metapolítica é a continuação da política: a dinâmica do poder que vai das ruas e da tela do computador até o Governo e o parlamento, nos meios de comunicação e na imprensa, na academia, nas instituições, na sociedade civil, nas artes e na cultura. Em resumo, todos os canais que comunicam valores percebidos coletivamente e individualmente. Portanto, a análise metapolítica antecede a ação política. A metapolítica, em sua melhor forma, reduz o parlamentarismo a uma pura formalidade.

Vamos, como no capítulo anterior, voltar nossos olhos para o teórico marxista Antonio Gramsci, que desempenhou um papel predominante no movimento socialista italiano antes e durante o regime de Mussolini. As tentativas de conquistar as fábricas dos burgueses no norte da Itália nos anos de 1919 e 1920 foram frustradas. Em 1926, quatro anos depois da tomada do poder por Mussolini, Gramsci foi condenado a vinte anos de prisão por suas atividades hostis ao regime, ficando preso até sua morte em 1936. Uma obra de grande significado estratégico, escrita por Gramsci durante seu tempo na prisão, é intitulada Quademi del carcere, traduzida para o português como "Cadernos do Cárcere".

Nessa obra, Gramsci argumenta que o Estado não se limita a um aparato político. Na verdade, ele atua paralelamente com o que se convenciona chamar de “aparelho civil”. Em outras palavras, cada estrutura de poder político é reforçada por um consenso civil, um apoio social e psicológico das massas. Esse apoio se expressa numa convergência dos níveis cultural, filosófico e de costumes. O poder político se apóia, portanto (inclusive para ser viável) num poder cultural socialmente estabelecido e disperso entre as massas.

Após o final da Primeira Guerra Mundial, num período caracterizado por crises extremas, a Itália foi sacudida por violentos levantes operários, pela expropriação de propriedades rurais, e muitas instituições sociais tradicionais desmoronaram. As agitações atingiram seu ápice em setembro de 1920, quando os membros do sindicato ocuparam a indústria metalúrgica do norte da Itália, o setor de atividade mais avançado, e tentaram retomar a produção sob o controle dos trabalhadores. Por algum tempo, parecia que que eles seguiriam o exemplo de seus colegas russos e implementariam uma transição revolucionária para um regime no estilo soviético. Mas não foi isso que aconteceu. As greves logo se enfraqueceram, os partidos esquerdistas debandaram e, em dois anos, o movimento fascista de Mussolini assumiu o controle do aparelho estatal.

Na prisão, Gramsci ponderou sobre o motivo pelo qual a esquerda, num período em que as instituições governantes encontravam-se em desordem e a classe dominante carecia dos meios necessários para exercer o poder, não conseguiu manter a marcha revolucionária. Ele chegou à conclusão de que a resposta deveria ser encontrada na ideologia. Ao contrário de muitos dos seus simpatizantes marxistas, ele sustentava que a autoridade do Estado se fundava em mais do que em sua polícia ou em seu Poder Judiciário. Gramsci, que tinha formação em Lingüística Histórica, se deu conta de que, como ”o estrato social que dominava a linguagem exercia autoridade sobre o estrato social inferior adjacente”, ele tinha a possibilidade de condicionar seu uso.

O Gramsci revolucionário chegou a uma conclusão semelhante sobre o papel da cultura. Eu sua opinião, o exercício do poder político depende de consenso, não de coerção. Dessa forma, o Estado poderia governar não porque a maioria das pessoas viveria com medo da sua capacidade de oprimir, mas porque o governo aceitou idéias (uma ideologia predominante na sociedade) que legitimasse suas ações e as fizesse parecer ”naturais”.

Com base nessa análise, Gramsci entendeu por que os marxistas não conseguiram conquistar o poder político nas democracias burguesas. Eles não tinham o poder cultural. Ninguém pode derrubar um aparato político sem, antes, ter garantido o poder cultural sobre o qual o controle político se fundamenta em última análise. Primeiro, é necessário conquistar a aceitação do povo influenciando as idéias, os costumes, a mentalidade, os sistemas de valores, as artes e a educação.

No que o teórico italiano descreveu como uma ”guerra de trincheiras” (uma guerra na qual as idéias e opiniões eram as principais linhas divisórias), a vitória dependeria do sucesso em redefinir os valores predominantes, estabelecer instituições alternativas e minar os valores que a população cultiva. Uma revolução espiritual ou cultural era, portanto, considerada pré-requisito para uma revolução política. A conquista do poder político é apenas o último passo de um longo processo, um processo que começa no plano metapolítico.

A metapolítica trata simplesmente de influenciar e formar o pensamento das pessoas, sua visão de mundo e seus conceitos. Apenas quando o trabalho metapolítico gerar sucesso e as pessoas sentirem a necessidade da mudança como uma necessidade auto-evidente, o poder político (então afastado do consenso geral) começará a vacilar para, finalmente, cair, ou desaparecer completamente com toda calma e abrir caminho para alguma outra coisa. A metapolítica pode, portanto, ser considerada uma guerra de transformação social nos níveis de visão de mundo, mentalidade e cultura, uma guerra cultural que a esquerda aprendeu a dominar e, até pouco tempo atrás, travava praticamente sozinha nos tempos modernos. No entanto, isso começou a mudar, e espero que este texto aprimore ainda mais a compreensão da necessidade da metapolítica entre a crescente direita.

A vanguarda metapolítica da direita 

Com base nessas informações, pode-se constatar que um movimento político que ignore a metapolítica e a luta cultural será incapaz de conseguir uma mudança social duradoura. Uma luta política deve ser precedida, legitimada e apoiada por uma luta metapolítica. Do contrário, ela estará fadada ao fracasso. 

Portanto, criar uma vanguarda metapolítica (e, com isso, uma parte vital de uma iniciativa mais ampla para entender a Europa), é a principal missão da nova direita sueca. Consideramos a metapolítica uma força multidimensional, não-dogmática e dinâmica com o potencial de captar a essência das importantes questões e destacar a abordagem que debilitará e destruirá a névoa politicamente correta, e, nesse aspecto, a culpa injustificada de todas as pessoas pensantes que atualmente oprime os povos da Europa. 

Mas a metapolítica não apenas debilita e destrói: ela cria, incentiva, inspira e esclarece. Toda a nossa metapolítica visa a colocar uma direita autêntica em movimento; uma força cujo poder está crescendo tanto através da nossa própria mídia alternativa e da opinião pública como através dos canais parcialmente censurados do establishment. Uma força que, quando atingir uma massa crítica, viverá sua própria vida incontrolável e perturbará os limitados espaços públicos de hoje, além de preparar o caminho para um renascimento europeu, uma mudança social gradual e irresistível que devolva à Europa sua dignidade, força e beleza.

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