sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O que Donald Trump é?

Magnata dos cassinos e de boates de strip tease, Donald Trump não passa de um boçal. Seus seguidores afirmam que esses atributos são perdoáveis num candidato ao cargo ocupado em tempos d'antanho por George Washington e Abraham Lincoln, pois Trump é um verdadeiro conservador. Em artigo recente, Jonah Goldberg redigiu uma ótima resposta à afirmação de que o conservadorismo justifica uma nojenta e sistemática falta de educação. Neste artigo, pretendo falar sobre o pilar mais importante da defesa de Trump, ou seja, a afirmação de que ele é um “verdadeiro conservador”. 

Donald Trump não é conservador de forma alguma. Para ser conservadora, a pessoa deve apoiar vários princípios, entre eles:

  • governo limitado;
  • livre iniciativa econômica;
  • Estado de Direito;
  • Justiça igualitária nos termos da lei;
  • direitos individuais;
  • ética judaico-cristã
  • predomínio das virtudes clássicas sobre os vícios clássicos;
  • oposição à corrupção;
  • amor à Verdade;
  • nos Estados Unidos (afinal, trato aqui de um candidato à presidência desse país), apoio às doutrinas e ao sistema estabelecidos pelos founding fathers.

Trump é reprovado em cada um desses quesitos.

Trump não é a favor da livre iniciativa econômica. Ele é, na verdade, um estatista extremado, muito mais radical do que Barack Obama em diversas áreas essenciais. Alguns exemplos:

  • Trump apóia um sistema público de saúde nacionalizado por contribuição individual, um sistema que colocaria as vidas dos norte-americanos nas mãos dos burocratas do governo.
  • Ele é um fervoroso partidário do protecionismo comercial, apoiando um sistema que enriquece os "amigos do rei" capazes de providenciar medidas governamentais para bloquear os concorrentes estrangeiros.
  • Ele é praticante e defensor das desapropriações, apoiando um esquema que enriquece os "amigos do rei" capazes de providenciar medidas governamentais para desapropriar as casas dos cidadãos comuns se isso for necessário para aumentar os lucros do oligarca.
  • Ele ostenta sua prática de corrupção do poder público através de propinas para autoridades eleitas que, à letra da Constituição, deveriam representar uma certa combinação do seu eleitorado e suas próprias consciências.
  • Ele demonstra desabrido desprezo por virtudes clássicas patrióticas essenciais como coragem, tendo construído sua carreira promovendo a ganância e a luxúria.
  • Ele toma enormes empréstimos para, depois, enganar seus credores enquanto desfila com seus bilhões para quem quiser ver.
  • Ele cospe mentiras e, quando exigem dele fatos que corroborem suas afirmações, "canta e anda" como se a verdade não importasse.
Sua metodologia, em geral, é a de um demagogo, de um mobilizador da paixão contra a razão, um exemplar do pior inimigo da democracia.

Mas a oposição de Trump à imigração ilegal não faria dele um conservador, pelo menos nessa questão? De jeito nenhum. Os conservadores argumentam contra a imigração ilegal com fundamento no apoio ao Estado de Direito. Mas é certo que Trump não apóia o Estado de Direito. Ele apóia, sim, o uso indevido e a distorção das leis e, com seus cassinos e suas boates de strip tease, atua com força num setor famoso por suas ligações com o crime organizado, a lavagem de dinheiro, a prostituição e o tráfico de drogas.

Portanto, para Trump, a questão da imigração ilegal não tem nada a ver com as leis. O problema são os imigrantes.

Contudo, devo deixar claro que o argumento principal proposto pelos que se opõem à imigração, ou seja, o protecionismo da mão-de-obra, é contrário à livre iniciativa e, portanto, não é uma posição verdadeiramente conservadora. Mesmo assim, o lado pragmático da política de imigração é uma área na qual pessoas sensatas podem divergir. No entanto, não pode haver lugar para o tipo de demagogia xenófoba que Trump optou por adotar no movimento conservador. Para falar o português claro sobre o assunto, o racismo é uma ideologia coletivista. Na verdade, como destacou Friedrich Hayek em sua obra clássica "O Caminho da Servidão", o racismo é um item obrigatório do socialismo porque, para mobilizar as paixões necessárias para cumprir a pauta coletivista plena, é preciso invocar o instinto de tribo. Assim, como Adolf Hitler entendeu perfeitamente, e Stálin e todos os tiranos comunistas que vieram após ele perceberam, o objetivo definitivo do socialismo não é uma fraternidade internacional sem nações, e sim uuma forma de nacionalismo tribal raivoso.

Em resumo, Trump é um nacional-socialista, ou talvez, o termo seja “nacionalista social”. Certamente ele não é um nazista, nem um nacional-socialista nos moldes da tirania norte-coreana de hoje, ou da de Pol Pot. Ele é um tipo diferente de nacionalista/socialista. Talvez a analogia mais próxima seja a do regime de Vladimir Putin, que usa o nacionalismo extremado (eurasianismo) para garantir o apoio das massas a um governo ilimitado que atende aos interesses de quem o controla ou dos que puderem pagar o suficiente para influenciá-lo.

No mundo "putinesco", não há leis que restrinjam os fortes de maneira eficaz nem que protejam os fracos. O governo é onipotente, e sua forma de atuação está para alugar. Não importa se a sua causa é justa ou injusta. O que importa é quem você pode comprar. O problema não é que o sistema é corrupto. A corrupção é o próprio sistema, e todos sabem disso.

Isso lembra alguma coisa?

Nacional-socialismo não tem nada a ver com o conservadorismo. Na verdade, é o antípoda do conservadorismo. Respondendo parcialmente à pergunta do título do meu último artigo sobre Donald Trump, ele não é Republicano e também não é conservador. Ele já declarou abertamente que não aceitará o veredito dos eleitores nas primárias. Sua campanha deveria ser encerrada imediatamente.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Metapolítica da Direita

Apresento hoje uma tradução direta do sueco de um trecho do Capítulo 2 do livro mais recente de Daniel Friberg, "Högern kommer tillbaka: Handbok för den äkta oppositionen" (A volta da Direita: um manual para a verdadeira oposição). O original encontra-se em http://www.motpol.nu/danielfriberg/2015/11/20/metapolitik-fran-hoger/. Divirtam-se

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A Metapolítica da Direita 

A metapolítica é uma guerra de transformação social nos níveis de visão de mundo, pensamento e cultura. Uma luta parlamentar deve ser precedida, legitimada e apoiada por uma luta metapolítica. A metapolítica, em sua melhor forma, reduz o parlamentarismo a pura formalidade. 


Para chegar mais perto do centro das dificuldades políticas e culturais da Escandinávia, não basta olhar para trás ou simplesmente reagir às últimas expressões das causas profundas por trás da destruição da cultura e do povo escandinavos. Devemos identificar as raízes e os contextos ligados à situação em que nos encontramos, analisa-los e, depois, agir politicamente e culturalmente de acordo com as conclusões a que chegarmos. Precisamos, portanto, de mentalidade e ação metapolíticas. A análise metapolítica leva em conta não apenas as decisões políticas e estatais óbvias, mas também o que comanda e influencia o desenvolvimento da sociedade inteira. A metapolítica leva em conta a cultura, a economia, a história e a política interna e externa, não apenas o Estado, o partido ou a nação. Precisamos entender a sociedade em geral, como um organismo, para poder reforma-la de maneira construtiva e duradoura.

No entanto, as associações que, nas últimas décadas, trabalharam para os povos da Europa têm ficado presas a estratégias que foram bem-sucedidas em outros momentos da história, mas carecem do mesmo potencial num contexto moderno. A imitação de antigos êxitos políticos e revolucionários está fadada ao fracasso. Em poucas palavras, só existiu um César e um Napoleão. Devemos aprender com a história não apenas como acumular poder e influência, mas o que é o poder, onde ele realmente se encontra e como ele é formado.

A metapolítica é a continuação da política: a dinâmica do poder que vai das ruas e da tela do computador até o Governo e o parlamento, nos meios de comunicação e na imprensa, na academia, nas instituições, na sociedade civil, nas artes e na cultura. Em resumo, todos os canais que comunicam valores percebidos coletivamente e individualmente. Portanto, a análise metapolítica antecede a ação política. A metapolítica, em sua melhor forma, reduz o parlamentarismo a uma pura formalidade.

Vamos, como no capítulo anterior, voltar nossos olhos para o teórico marxista Antonio Gramsci, que desempenhou um papel predominante no movimento socialista italiano antes e durante o regime de Mussolini. As tentativas de conquistar as fábricas dos burgueses no norte da Itália nos anos de 1919 e 1920 foram frustradas. Em 1926, quatro anos depois da tomada do poder por Mussolini, Gramsci foi condenado a vinte anos de prisão por suas atividades hostis ao regime, ficando preso até sua morte em 1936. Uma obra de grande significado estratégico, escrita por Gramsci durante seu tempo na prisão, é intitulada Quademi del carcere, traduzida para o português como "Cadernos do Cárcere".

Nessa obra, Gramsci argumenta que o Estado não se limita a um aparato político. Na verdade, ele atua paralelamente com o que se convenciona chamar de “aparelho civil”. Em outras palavras, cada estrutura de poder político é reforçada por um consenso civil, um apoio social e psicológico das massas. Esse apoio se expressa numa convergência dos níveis cultural, filosófico e de costumes. O poder político se apóia, portanto (inclusive para ser viável) num poder cultural socialmente estabelecido e disperso entre as massas.

Após o final da Primeira Guerra Mundial, num período caracterizado por crises extremas, a Itália foi sacudida por violentos levantes operários, pela expropriação de propriedades rurais, e muitas instituições sociais tradicionais desmoronaram. As agitações atingiram seu ápice em setembro de 1920, quando os membros do sindicato ocuparam a indústria metalúrgica do norte da Itália, o setor de atividade mais avançado, e tentaram retomar a produção sob o controle dos trabalhadores. Por algum tempo, parecia que que eles seguiriam o exemplo de seus colegas russos e implementariam uma transição revolucionária para um regime no estilo soviético. Mas não foi isso que aconteceu. As greves logo se enfraqueceram, os partidos esquerdistas debandaram e, em dois anos, o movimento fascista de Mussolini assumiu o controle do aparelho estatal.

Na prisão, Gramsci ponderou sobre o motivo pelo qual a esquerda, num período em que as instituições governantes encontravam-se em desordem e a classe dominante carecia dos meios necessários para exercer o poder, não conseguiu manter a marcha revolucionária. Ele chegou à conclusão de que a resposta deveria ser encontrada na ideologia. Ao contrário de muitos dos seus simpatizantes marxistas, ele sustentava que a autoridade do Estado se fundava em mais do que em sua polícia ou em seu Poder Judiciário. Gramsci, que tinha formação em Lingüística Histórica, se deu conta de que, como ”o estrato social que dominava a linguagem exercia autoridade sobre o estrato social inferior adjacente”, ele tinha a possibilidade de condicionar seu uso.

O Gramsci revolucionário chegou a uma conclusão semelhante sobre o papel da cultura. Eu sua opinião, o exercício do poder político depende de consenso, não de coerção. Dessa forma, o Estado poderia governar não porque a maioria das pessoas viveria com medo da sua capacidade de oprimir, mas porque o governo aceitou idéias (uma ideologia predominante na sociedade) que legitimasse suas ações e as fizesse parecer ”naturais”.

Com base nessa análise, Gramsci entendeu por que os marxistas não conseguiram conquistar o poder político nas democracias burguesas. Eles não tinham o poder cultural. Ninguém pode derrubar um aparato político sem, antes, ter garantido o poder cultural sobre o qual o controle político se fundamenta em última análise. Primeiro, é necessário conquistar a aceitação do povo influenciando as idéias, os costumes, a mentalidade, os sistemas de valores, as artes e a educação.

No que o teórico italiano descreveu como uma ”guerra de trincheiras” (uma guerra na qual as idéias e opiniões eram as principais linhas divisórias), a vitória dependeria do sucesso em redefinir os valores predominantes, estabelecer instituições alternativas e minar os valores que a população cultiva. Uma revolução espiritual ou cultural era, portanto, considerada pré-requisito para uma revolução política. A conquista do poder político é apenas o último passo de um longo processo, um processo que começa no plano metapolítico.

A metapolítica trata simplesmente de influenciar e formar o pensamento das pessoas, sua visão de mundo e seus conceitos. Apenas quando o trabalho metapolítico gerar sucesso e as pessoas sentirem a necessidade da mudança como uma necessidade auto-evidente, o poder político (então afastado do consenso geral) começará a vacilar para, finalmente, cair, ou desaparecer completamente com toda calma e abrir caminho para alguma outra coisa. A metapolítica pode, portanto, ser considerada uma guerra de transformação social nos níveis de visão de mundo, mentalidade e cultura, uma guerra cultural que a esquerda aprendeu a dominar e, até pouco tempo atrás, travava praticamente sozinha nos tempos modernos. No entanto, isso começou a mudar, e espero que este texto aprimore ainda mais a compreensão da necessidade da metapolítica entre a crescente direita.

A vanguarda metapolítica da direita 

Com base nessas informações, pode-se constatar que um movimento político que ignore a metapolítica e a luta cultural será incapaz de conseguir uma mudança social duradoura. Uma luta política deve ser precedida, legitimada e apoiada por uma luta metapolítica. Do contrário, ela estará fadada ao fracasso. 

Portanto, criar uma vanguarda metapolítica (e, com isso, uma parte vital de uma iniciativa mais ampla para entender a Europa), é a principal missão da nova direita sueca. Consideramos a metapolítica uma força multidimensional, não-dogmática e dinâmica com o potencial de captar a essência das importantes questões e destacar a abordagem que debilitará e destruirá a névoa politicamente correta, e, nesse aspecto, a culpa injustificada de todas as pessoas pensantes que atualmente oprime os povos da Europa. 

Mas a metapolítica não apenas debilita e destrói: ela cria, incentiva, inspira e esclarece. Toda a nossa metapolítica visa a colocar uma direita autêntica em movimento; uma força cujo poder está crescendo tanto através da nossa própria mídia alternativa e da opinião pública como através dos canais parcialmente censurados do establishment. Uma força que, quando atingir uma massa crítica, viverá sua própria vida incontrolável e perturbará os limitados espaços públicos de hoje, além de preparar o caminho para um renascimento europeu, uma mudança social gradual e irresistível que devolva à Europa sua dignidade, força e beleza.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Donald Trump é Democrata ou Republicano?

[NOTA: todas as traduções dos trechos de artigos e reportagens que reproduzo aqui são de minha autoria.]


No site The Hill, no último mês de julho, lemos o seguinte:
“Provavelmente, eu me identifico mais como um Democrata” disse Donald J. Trump alguns anos atrás durante uma entrevista para a CNN. Nessa mesma entrevista, ele defendeu a opinião (ele faz muito isso) de que “Parece que a economia caminha melhor sob o comando dos Democratas do que dos Republicanos”. Ele confirmou suas opiniões alguns meses atrás no programa “Morning Joe”, da MSNBC, quando disse ‘Em algumas coisas, me identifico como um Democrata”.
Tempos antes, ele criticou os Republicanos como “direitistas demais”.

Essas não são apenas gafes isoladas, pois ele mantém a coerência com o que disse desde essa entrevista. Seria Donald Trump um criptodemocrata?

Não há dúvida de que ele tem colocado seu dinheiro onde diz que colocará. Até alguns anos atrás, os Democratas foram os principais beneficiários de suas doações políticas, antes de ele começar a doar para os Republicanos (falo disso mais adiante).

Ele teceu loas e broas aos Clintons e abriu sua carteira para eles.

Em 2007, Hillary Clinton estava costurando apoios para sua campanha presidencial, e Trump declarou que confiava nos talentos dela: “Hillary sempre se cercou de gente muito boa. Eu acho que Hillary faria um bom trabalho” ao prever que ela conseguiria uma boa negociação com o Irã. Ela era, segundo Donald, uma “mulher extraordinária”.

Ariel Cohen, do Washington Examiner, escreveu: “Trump e os Clintons têm um passado ‘íntimo’”:
Bill e Hillary compareceram ao casamento de Trump com Melania Knauss em 2005. Uma foto mostra os dois casais de braços dados, rindo e gesticulando. Trump e Hillary Clinton aparentam uma cordialidade especial. Ela teria comparecido à cerimônia de casamento, enquanto Bill compareceu apenas à recepção.
As filhas de Trump e Clinton, Ivanka e Chelsea, também seriam amiga, apesar da briga dos seus pais na campanha. Ivanka, vice-presidente do império empresarial de seu pai, e Chelsea, comandante da Fundação Clinton, são vistas juntas com frequência em Nova Iorque.
Mas a relação não é apenas pessoal. Trump doou entre U$100.000 e US$250.000 à Fundação Clinton, segundo o cadastro das organizações sem fins lucrativos. Em quatro ocasiões diferentes, Trump fez doações a Hillary Clinton, em 2002, 2005, 2006 e 2007.
Trump também doou indiretamente à campanha de Clinton ao Senado, devido a uma doação de US$125.000 de Trump ao Comitê de Campanha Democrata do [Estado de] Nova Iorque.
Será que Trump consegue mandar esse “passado íntimo” para o buraco da memória?

Sua generosidade se estendeu a outros Democratas além dos Clintons. Na verdade, suas doações políticas beneficiaram principalmente os Democratas até ele, aparentemente, ter uma idéia: o que dar a um bilionário que já tem de tudo? Que tal mudar da Trump Tower para o Salão Oval?

Ele via a perspectiva de uma candidatura à presidência em seu futuro? Ele queria lançar as bases desse plano, se cacifar e acobertar seu apoio de tempos atrás aos Democratas? A cronologia é suspeita. Ele mudou o fluxo de suas doações em 2010 para favorecer mais os Republicanos. Ele é um incorporador imobiliário e, sem dúvida, se sente à vontade em começar um projeto anos antes de sua materialização, pois os investimentos em projetos desse porte começam muito antes.

Poderia isso camuflar suas antigas opiniões, que, aparentemente, vieram diretamente das plataformas do Partido Democrata durante anos?

Não há dúvidas de que ele sustentou opiniões que, num estudo cego com sem exibir a marca “Trump”, levaria as pessoas a supor que ele era um Democrata.

Em várias ocasiões ele apoiou a nacionalização do sistema de saúde, inclusive recentemente, quando ele equivocadamente declarou que o sistema de contribuinte individual do Canadá funciona e deveria ser copiado pelos Estados Unidos.

Ele apóia o aumento de impostos, supostamente apenas para os ricos, mas, se a História ensina alguma coisa, aumentos de impostos geram mais aumentos de impostos e para um número maior de pessoas. Além disso, ele apoiou um imposto de 14,25% sobre fortunas, além do aumento no imposto de renda. Esse imposto, sozinho, teria sido responsável pelo maior aumento de impostos da história dos EUA. Não parece a realização do sonho dos Democratas?

Até poucos anos atrás (2012), Donald Trump era favorável à imigração, e eu traduzo textualmente um trecho de um artigo do The Corner sobre o assunto:
O Partido Republicano continuará perdendo eleições presidenciais se ele se apresentar como um partido mesquinho e hostil para as pessoas de cor, afirmou Donald Trump à Newsmax. Segundo Trump, os comentários e as políticas de Mitt Romney e outros candidatos Republicanos durante esta eleição, intencionais ou não, foram considerados por latinos e asiáticos como hostis em relação a eles. “Os Republicanos não tinham nada favorável a eles em relação aos latinos e aos asiáticos (...)”
A solução de Romney, de “autodeportação” para os estrangeiros ilegais não fazia sentido e insinuava que os Republicanos não se importam com os latinos em geral, segundo Trump. “Ele tinha uma política maluca de autodeportação, que era pura loucura”, afirmou Trump. “Parecia tão ruim quanto era, e ele perdeu todos os votos dos latinos”, observou Trump. “Ele perdeu o voto dos asiáticos. Ele perdeu todos os que têm vontade de vir para este país”.
Esses argumentos são muito semelhantes aos dos Democratas.

Ele também era um entusiasta da proibição total de armas ofensivas. Isso sempre esteve na pauta do Partido Democrata.

Os conservadores religiosos podem se opor ao seu apoio à legalização das drogas em outras ocasiões.

Os Democratas estão entre as pessoas menos religiosas dos EUA. Aparentemente, Donald Trump tem muito pouca noção dos valores e das virtudes judaico-cristãos. Os cristãos evangélicos podem se pegar nesse aspecto do passado e das crenças de Trump. Jennifer Rubin escreveu no Washington Post no final do ano passado:
Os evangélicos têm muitas razões não gostar de Trump — seus vários divórcios, seus cassinos, sua linguagem grosseira e seus ataques à liberdade religiosa, para mencionar apenas alguns. (“Por exemplo, alguns líderes mencionaram seus supostos comentários sobre a aparência de sua filha, entre eles: ‘Eu já disse que, se a Ivanka não fosse minha filha, talvez eu namorasse com ela’”) Mas foi um pequeno incidente que fez os evangélicos, segundo várias fontes, rir de Trump: sua recusa/incapacidade de mencionar seu versículo preferido da Bíblia. (Tempos depois, ele apareceu com um, depois de “citar uma passagem sobre não se dobrar à inveja, que aparentemente não existe”). Para muitos líderes religiosos, o fato de ele dizer, de início, que não o revelaria porque era algo “pessoal”, pareceu uma desculpa esfarrapada. (Pense em como é preciso ser desonesto para fingir devoção religiosa e o desprezo pelas pessoas de fé que ele aparenta).
Existem motivos para Ted Cruz e Marco Rubio estarem conquistando o voto evangélico. Em uma ocasião que ficou famosa, Ronald Reagan participou de um comício de evangélicos conservadores em 1980 e lhes disse: “Eu sei que vocês não podem me defender… mas quero que vocês saibam que eu defendo vocês e o que vocês fazem”. Alguém consegue imaginar Donald Trump fazendo um discurso semelhante e realmente ser sincero em relação ao que diz?

Os conservadores norte-americanos sempre defenderam a Constituição e a Declaração de Direitos com baluartes contra a usurpação da liberdade pelo governo. Entre os direitos considerados sacrossantos está o direito à propriedade. Poucos casos nos tempos modernos enfureceram mais os conservadores do que a vergonhosa sentença do processo de Kelo versus Prefeitura de New London. Nesse processo, a Suprema Corte autorizou a prefeitura de New London, no Estado de Connecticut, a usar seus poderes de desapropriação para tomar um terreno de um proprietário privado e dá-lo a outro proprietário privado.

Como o processo transitou em julgado em 2005, ele se transformou num casus belli entre os conservadores, cuja totalidade rechaça a decisão como uma violação dos direitos de um cidadão nos termos da Cláusula de Receitas da Quinta Emenda e da Cláusula do Devido Processo Legal da Décima-Quarta Emenda. Recentemente, pediram a Donald Trump sua opinião sobre o assunto. Ele não viu problema nenhum a maneira como o processo Kelo foi decidido. Afinal de contas, ele é um bilionário que, em outros tempos, se frustrou com proprietários de imóveis que queriam ficar em suas casas em vez de vende-las a ele. Na verdade, Trump tem um currículo de uso indevido de desapropriações na formação da sua fortuna.

Naturalmente, Trump foi um capitalista clientelista em toda a sua carreira de negócios e, portanto, pode aproveitar suas relações políticas para exercer os direitos de desapropriação contra o “cidadão comum” cujo apoio ele agora solicita.

Os conservadores são favoráveis a um governo limitado com restrições aos seus poderes sobre o povo. Os Democratas são a favor de um Leviatã todo-poderoso que reina sobre os norte-americanos. Barack Obama fez uma paródia do sistema constitucional de freios e contrapesos. Os Democratas têm apoiado Obama em sua iniciativa de neutralizar o Congresso e ignorar as opiniões dos norte-americanos, achando que Hillary Clinton seria sua sucessora e o esquerdismo continuaria em ascensão. Kimberly Strassel observou, numa recente coluna intitulada “Sem limites na política”, que Trump parece ter as mesmas opiniões que os Democratas em relação a um caudilho onipotente:
Barack Obama causou muitos estragos ao país, mas talvez o pior deles seja a destruição obstinada dos limites de Washington. Obama quer o que quer. Se o ObamaCare tiver problemas, ele altera a lei unilateralmente. Se o Congresso não quer mudar o sistema de imigração, ele se recusa a aplica-lo. Se o país não apóia leis de combate à mudança climática, ele cria uma lei regulamentada. Se o Senado não ratifica seus indicados, ele declara recesso e os empossa assim mesmo. “Sobre os limites, você cria os seus”, observou Dan nesse editorial. Esse é o lema do nosso presidente.
Obama não precisa que ninguém justifique seus atos porque percebeu que ninguém é capaz de detê-lo. Ele recebe críticas, mas, ao mesmo tempo, sua abordagem se infiltrou na consciência nacional. Ele criou novas normas. Isso pode ser visto nas propostas cada vez mais afrontosas no campo presidencial, especialmente dos pré-candidatos Hillary Clinton e Donald Trump.
Strassel escreve sobre os vários casos em que tanto Clinton como Trump declaram abertamente pretendem ignorar os limites ao seu poder. Essa opinião é, essência esquerdista e Democrata, e Trump é da mesma opinião. Como as pessoas que se opõem a Barack Obama por seu uso indevido do poder podem apoiar alguém que declara abertamente que seguirá os passos de Obama?

Uma última reflexão sobre a questão de Donald ser ou não um Democrata. Há algum outro pré-candidato que tenha feito mais para ajudar os Democratas nessa corrida? Ele sempre busca os holofotes para deixar claro que ele salvou os Democratas inúmeras vezes de escândalos que os prejudicariam gravemente. Seu estilo bombástico de fazer política provavelmente faria com que os Democratas vencessem de lavada em todo o país, desfazendo o enorme progresso conseguido contra eles nos últimos ciclos eleitorais. Se ele conseguir a nomeação pelos Republicanos, todas as pesquisas indicam que Hillary Clinton será a próxima pessoa a ocupar a Casa Branca.

Donald Trump é Democrata? Talvez sim, talvez não, mas ele é um oportunista que dará de mão beijada aos Democratas sua maior oportunidade de eternizar o enorme estrago causado por Barack Obama.