segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Musicaniversário

Querida leitorada de mon p'tit cœur, pausa para assuntos musicais.

Há MUITO tempo eu acho uma estupidez faraônica entoar o Parabéns a Você em festas de aniversário de pessoas acima dos quatro anos de idade. "Ora, Andy, então o que entoar em homenagem ao aniversariante?".

Deixo aqui uma singela sugestão de músicas para tocar no seu aniversário. Vem da Espanha dos anos 80. Nacha Pop, "Puertas Abiertas". Rockão do bom. Aproveitem!


Vas a cumplir un año más,
Es un día especial.
Tus amigos y enemigos van a hacerte recordar.
Y respirar antes de hablar,
Sin saber lo que decir.
De un instante a un momento,
Luego todo un porvenir

Piénsate bien que vas a hacer
Una buena juerga o desaparecer
Es tu día de suerte

Puertas abiertas a un año más
Una ventana en el tiempo

Una ocasión, otra ilusión te esperan sólo a ti

Puertas abiertas a un año más.
Puertas abiertas a algún lugar para ti

Arréglate, sonríete, si el espejo has de romper
trozo a trozo tu sonrisa tienes ahora que esparcir.
Vas a encontrar algo que amar,
No, no lo hagas esperar.
Regálale tu ser de ser feliz con él
Sin llegar a usar la red.




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Charlie Hebdo defende a civilização Ocidental

É adequado e gratificante que os terroristas islâmicos que assassinaram doze pessoas, o editor-em-chefe e sua equipe no escritório da revista humorística Charlie Hebdo (CH) em Paris no dia 7 de janeiro de 2014 - num atentado bem-planejado, armados com fuzis Kalashnikov - tenham sido mortos dois dias depois pela polícia francesa. Ainda mais animador é o fato de que a revista, reagindo aos brutais assassinatos dos seus colegas, esteja planejando uma tiragem de um milhão de exemplares na próxima edição, um número muito maior do que a tiragem normal de 60 mil exemplares. É um sinal de que os assassinos islâmicos não venceram.

Fica claro que o massacre foi um ato deliberado de intimidação, um atentado à liberdade de expressão de um periódico que satirizou o Islã e seu fundador, bem como outras religiões. O CH não se intimidou nem se refugiou na autocensura ou no medo de enfrentar ainda mais ameaças de morte, atentados à bomba e assassinatos.

A revista ganhou fama mundial. Poucos entre nós têm a coragem e a valentia da equipe do CH ou a disposição de assumir graves riscos de morte ou ferimentos. Posso e devo registrar que este blog tem os mesmos valores do CH em relação à liberdade. No mínimo, cabe a cada leitor do Alto da Goiabeira aplaudir a coragem do CH, demonstrar solidariedade à revista e comprar pelo menos uma cópia da próxima edição.

Duas questões essenciais que dizem respeito ao massacre devem ser encaradas. Uma é o caráter significativo da liberdade de expressão e ação. A outra são as armas de uso militar dos assassinos e suas ligações com a religião que, segundo eles, estavam vingando.

Toda pessoa racional sabe que o Charlie Hebdo (CH), mesmo sendo às vezes tosco, imprudente, ofensivo e indiscreto, exemplifica a liberdade de expressão, uma peça essencial da sociedade francesa e de qualquer outra sociedade democrática. Na terra de Voltaire, o CH se sentia à vontade para falar de maneira polêmica e, às vezes, com gosto duvidoso. Ele apoiava o princípio de que a liberdade de expressão não foi estabelecida para proteger o discurso bem-comportado, mas significa muito mais quando diz respeito a expressões heterodoxas que causam divergência e até mesmo raiva.

Em seus comentários na edição nº. 63 de O Federalista (The Federalist Papers), James Madison, quarto presidente dos Estados Unidos, mencionou o problema do extremismo. “[a] liberdade”, ele escreveu, “pode ficar em perigo pelos abusos da liberdade, bem como pelos abusos do poder”. Em geral, um argumento desse tipo implica que não devemos tolerar o tipo de intolerância que provoque uma reação violenta. Boa parte dos grandes meios de comunicação brasileira e mundial sobre o CH insinuou (ou disse abertamente) que a revista deveria ter exercido o bom senso que pretende desferir um golpe em favor da liberdade, mas deliberadamente provocou os muçulmanos.

Grande parte dos comentários sobre os brutais assassinatos tem sido inconveniente por vários motivos. Primeiramente, o assassinato em massa de redatores e cartunistas que exerciam seu direito de livre expressão não pode ser desculpado ou explicado com base na falta de “bom senso”. Absurda ou não, a liberdade de expressão não deve ser limitada, salvo em casos excepcionais de segurança. É preciso ter cojones para defender a livre expressão.

Os assassinos têm sido corretamente denominados “terroristas”, mas nem sempre sua religião é mencionada, Quando a imprensa diz que os terroristas eram muçulmanos, a conclusão predominante é que os crimes foram cometidos por três homens que eram muçulmanos, não pela comunidade muçulmana nem em virtude de sua religião islâmica. Naturalmente, é válido afirmar que a comunidade muçulmana não pode ser coletivamente culpada. No entanto, o essencial é que os assassinos nos disseram que os crimes foram cometidos em nome de Alá, Allahu Akbar, e que estavam vingando a honra do Profeta Maomé.

O atentado terrorista foi islâmico, perpetrado em nome do Islã radical. Mesmo que seja verdade que o Estado Islâmico e esses dois terroristas específicos não representem corretamente o “Islã”, não se pode negar que só tem ocorrido terrorismo islâmico no mundo: Nova Iorque, Londres, Paris, Fort Hood, Glasgow, Bruxelas, Peshawar, Bombaim, Israel, Somália, Nigéria, Mali, Dinamarca, Madri, Iraque e Síria.

O verdadeiro problema que diz respeito ao massacre, o problema que confronta o mundo, não é simplesmente defender o princípio da liberdade de expressão, por mais importante que ele seja. O problema fundamental é como lidar com a ameaça islâmica à civilização e ao modo de vida Ocidentais. Numa coluna reveladora publicada no USAToday em 8 de janeiro de 2015, uma pessoa chamada Anjem Choudary, identificada como "clérigo muçulmano radical", escreveu que os assassinatos no CH se justificavam pelo Direito islâmico. A punição rigorosa por fazer piada com o Islã e o Profeta Maomé, segundo ele, é a pena capital implementada por um Estado Islâmico. “Isso é porque o Mensageiro Maomé disse 'Quem insultar um Profeta deve ser morto'”,

Os acontecimentos no CH trazem à tona, mais uma vez, o perturbador problema da falta de diálogo verdadeiro entre os muçulmanos e os outros sobre a religião e a liberdade de expressão, e o choque de civilizações entre os países islâmicos e o mundo Ocidental democrático. Mesmo quem nega a validade de qualquer choque não pode desculpar o impulso cada vez mais afirmativo dos fundamentalistas islâmicos e sua implementação através da violência e da instalação de um governo regido pela Xariá (Direito islâmico) nas áreas que eles controlam.

A grande mídia tem se ocupado indevidamente com uma possível conseqüência dos assassinatos, ou seja, um reação que fortalecerá os partidos europeus que pedem controles de imigração ais rigorosos. Ela expõe sua preocupação com um possível aumento da hostilidade dos europeus contra os muçulmanos e com o aumento da “islamofobia”, uma doença inventada pelos religiosos árabes, mas que ainda não figura nos compêndios médicos.

Parte da imprensa teme que partidos e grupos políticos europeus como o Front Nationale francês (liderado por Marine Le Pen), o Partido da Liberdade holandês (liderado por Geert Wilders), a Liga Norte italiana (liderada por Matteo Salvini), e o Partido do Povo dinamarquês (liderado por Kristian Thulesen Dahl) ganhem mais força políticas. Esses partidos, junto com muitas pessoas nos países europeus, já estão perturbados com o crescimento veloz do Islã na Europa, mais veloz do que qualquer outra religião. Atualmente, há mais de 45 milhões de muçulmanos na Europa: a população muçulmana corresponde a 10% da população de Paris, 20% de Estocolmo e 25% de Birmingham.

Duas coisas preocupam os europeus. Uma é o fato de que, em muitos casos, especialmente na França, os muçulmanos não estão integrados e, aparentemente, não estão preparados para se integrar à comunidade em geral. A outra é o problema criado pelos milhares de muçulmanos que saíram dos países europeus onde residiam para ingressar como combatentes nas fileiras do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Esse envolvimento não tem a desculpa de ser causado por fatores como as altas taxas de desemprego, a lentidão do crescimento econômico da Europa, a proibição do uso de burcas, a noção de injustiça num mundo em que eles fracassaram, ou uma suposta busca pela identidade que eles não conseguem achar na França e em outras partes da Europa. Os países da Europa Ocidental e, agora, os Estados Unidos, sabem não apenas que falta aos jihadistas nascidos em países europeus (como os assassinos do CH) a fidelidade a esses países, como também o perigo de atentados a alvos de grande repercussão por esses jihadistas que voltaram de suas atividades na Síria e no Iraque.

É importante dizer que há uma diferença abissal entre os imigrantes muçulmanos e os de out ros grupos. Alguns dos últimos, como os grupos minoritários nos EUA, talvez não desejem ser plenamente integrados à sociedade nacional, mas aceitam as regras gerais e respeitam o ordenamento jurídico do país. A triste realidade é que muitos muçulmanos não fazem isso, e não apenas se recusam a aceitar a validade das regras da sociedade em que vivem, mas também estão preparados para agir contra elas.

Depois do massacre no CH, o mundo finalmente ficou sabendo que os jihadistas muçulmanos não são apenas uma seita militante, como insinuou o Secretário de Estado norte-americano John Kerry em setembro de 2014, mas sim um risco real e palpável à civilização Ocidental.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Saiba por que os jihadistas massacraram redatores e cartunistas de uma revista humorística francesa

A revista francesa Charlie Hebdo, atacada nesta quarta-feira por atiradores muçulmanos, tem uma longa tradição de fazer piada com as religiões, inclusive com o Islã.

Sua capa mais recente fez uma piada sobre o novo romance do escritor Michel Houellebecq, "Submissão", que especula sobre um futuro no qual a França elegerá um presidente muçulmano. Desde o lançamento do livro, muita gente tem afirmado que “Submissão” é islamofóbico, embora Houellebecq tenha dito que “uma aliança entre católicos e muçulmanos é possível”, e que os jihadistas são maus muçulmanos”.

A revista também publicou ontem um cartum do líder do EI Abu Bakr al-Baghdadi no seu Twitter.

No ano passado, grupos islâmicos tentaram processar a revista por blasfêmia, por publicar uma capa com a seguinte legenda, “[o Corão] não é à prova de balas”. O site da revista também foi invadido em 2012 e sua redação foi alvo de bombas incendiárias em 2011. Ambas as ações foram motivadas por materiais deliberadamente escandalosas a respeito de Maomé, o Profeta do Islã.

A revista também faz críticas contra a direita católica francesa, muitas vezes expressas por meio de paródias de Jesus, Maria, o papa e outras figuras católica. A capa da semana passada prometia “A Verdadeira História do Menino Jesus”, com base em narrativas sobre a infância de Jesus que não fazem parte do cânone bíblico. No cartum, o Menino Jesus aparece em destaque entre as pernas de sua mãe, afastadas como se estivessem numa mesa ginecológica.

Um dos cartunistas assassinados ontem, cujo nome artístico era “Charb,” disse que o objetivo da revista era “banalizar tanto o Islã quanto o o catolicismo” para que fosse aceitável investigá-lo e ridicularizá-lo.

Charb (Stéphane Charbonnier) estava sob proteção policial desde que começou a figurar numa lista de “procurados” da Inspire, a revista digital da al-Qaeda na Península Arábica. Ele foi amplamente citado durante a polêmica de 2012 por dizer “Eu prefiro morrer em pé a viver de joelhos”. Além de Charb, outros três cartunistas foram mortos no atentado desta quarta-feira.

A maioria das interpretações do Islã proíbe qualquer representação visual de Maomé, e muitos países de maioria muçulmana têm leis contra a “difamação da religião”. Países europeus com populações muçulmanas consideráveis têm feito acalorados debates sobre liberdades civis e segurança nos últimos anos.

Calcula-se que entre 5% e 10% da população da França seja muçulmana, ao passo que, no Brasil, essa proporção não chega a 0,02% (aproximadamente 35 mil pessoas, pelo Censo de 2010).

Os atiradores gritaram “Allahu akbar” (Alá é grande) e “O Profeta está vingado” durante o atentado. Analistas de terrorismo também observaram que os atiradores mostraram o dedo indicador levantado, o que significa a ênfase do Islã da unicidade de Deus. Esse gesto aparece muitas vezes em vídeos de propaganda do grupo terrorista Estado Islâmico.

Nos vídeos, os homens pareciam estar calmos e compostos e não faziam disparos desnecessários, demonstrando que estavam bem-treinados para o atentado, ao contrário do estilo desorganizado, muitas vezes improvisado, dos recentes atentados islâmicos no Ocidente, como o incidente com reféns em Sydney, na Austrália, no mês passado.