segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Como era Cuba antes de Fidel?


Esta semana eu refleti bastante sobre a decisão de Barack Obama de abrir os braços (e as pernas) para a quadrilha cubana dos Castro. Para falar desse assunto, é bastante útil lembrar que o maior perigo enfrentado pelas mentes livres hoje em dia é a reescrita calculada da História (basta ver a palhaçada da tal "Comissão da Verdade). A Rússia czarista, cuja economia crescia muito mais rápido do que a de qualquer país importante até 1914 e cujas realizações culturais equivaliam a uma Era de Ouro, é invariavelmente apresentada como um país horrível. A China republicana, o aliado mais essencial e desconsiderado na Segunda Guerra Mundial, que também tinha uma economia próspera e realizações científicas e artísticas dignas de nota, também é apresentada como corrupta e fraca.

Os marxistas se profissionalizaram em retratar seus antecessores como líderes de regimes desprezíveis cuja "libertação" pelos comunistas foi gloriosa e nobre. Portanto, não causa espécie que não saibamos quase nada sobre Cuba antes da chegada de Fidel Castro ao poder, e o que "sabemos" (ou achamos que sabemos) é pouco mais do que o tipo de caricatura tosca e disforme com que os esquerdistas radicais definem seus inimigos.

Como era Cuba antes de Fidel Castro? O país era governado por Fulgencio Batista, invariavelmente (e cretinamente) retratado como um "tirano de direita", mas não há "esquerda" nem "direita" que façam algum sentido na História moderna. A história de Batista demonstra bem essa verdade. Ele era mestiço de várias raças (negro, chinês, índio e espanhol), ao contrário do branquíssimo Fidel Castro. Batista trabalhou em plantações de cana de açúcar, ao contrário de Fidel, que levava uma vida confortabilíssima. Batista era de origem proletária, ao passo que Fidel era a burguesia em pessoa

Qual era a política de Batista? Ele se descrevia como um "socialista progressista" e, em 1934, muito antes de Fidel, foi o primeiro a legalizar o Partido Comunista em Cuba e colocar os comunistas em seu ministério. Quando ele venceu a eleição presidencial (livre) em 1940 por larga margem, o Partido Comunista apoiou abertamente Batista. Então, não admira que Sumner Welles, Subsecretário de Estado dos EUA, tivesse avisado o então presidente Franklin Delano Roosevelt que Batista era comunista.

Ao contrário dos comunistas, que eram favoráveis a Hitler até 22 de junho de 1941, Batista se opôs frontalmente a Hitler, mesmo durante a vigência do pacto Molotov-Ribbentrop. O governo de Batista tomou medidas mais duras contra a Quinta Coluna do que qualquer país latino-americano, e, quase sozinho na América Latina, incluiu a Falange Española entre as agremiações proibidas pelas leis que proibiam o quinta-colunismo.

Batista, ao contrário de Castro, deixou voluntariamente o poder quando seu sucessor eleito na eleição cubana de 1944 perdeu a presidência, embora tenha tomado novamente o poder em 1952, por meio de um golpe de Estado, nele permanecendo até Fidel Castro derrubá-lo sete anos depois. Quando Fidel começou sua campanha de guerrilha contra Batista, o Partido Comunista Cubano acusou Fidel de “putschismo”, numa comparação direta com Hitler e seu “Putsch da Cervejaria” em 1923.

A comparação era justa. O discurso mais famoso de Fidel teve como modelo o discurso “A História me Absolverá” de Hitler. Quem tiver interesse (e paciência) de compará-los, eis os links:

Fidel: http://bureau.comandantina.com/archivos/La%20Historia%20me%20absolvera.pdf
Hitler: http://germanhistorydocs.ghi-dc.org/pdf/eng/NAZI_PUTSCH_TRIAL_ENG-.pdf

Fidel Castro tinha as obras completas de Mussolini e admirava profundamente o ditador espanhol Francisco Franco e, quando o Caudillo morreu, ordenou que as bandeiras em Cuba fossem hasteadas a meio-pau.

Mas chega de falar sobre as “ideologias” teóricas de Fidel Castro e Fulgencio Batista. Pensemos, agora, como os cubanos viviam sob o governo desses dois líderes personalistas? Sob o governo de Fidel, assim como sob os governos de Lênin e Stálin na Rússia e de Mao Tse Tung na China, milhões de pessoas tentaram desesperadamente sair de seu país para... qualquer outro lugar. Essa é uma característica dos totalitarismos modernos. Os cubanos não tentavam embarcar em pequenas balsas para fugir de Cuba no governo de Batista, como faziam no governo de Fidel (e ainda fazem sob o governo de seu irmão caçula).

Como os cubanos viviam na época de Batista? O padrão de vida dos cubanos, na época, era muito superior ao de qualquer outro país latino-americano. A alimentação em Cuba era melhor do que a de outros países do hemisfério ocidental, exceto pelos Estados Unidos e o Canadá. A mortalidade infantil na Cuba de Batista era menor do que na França ou na Itália. Batista criou unidades itinerantes de saúde para as zonas rurais. Ele estabeleceu o seguro industrial obrigatório para os trabalhadores e promulgou leis de salário mínimo e a jornada de trabalho de oito horas diárias.

O analfabetismo na Cuba de Batista era um dos menores da América Latina. Os cubanos também tinham mais rádios e televisores per capita do que qualquer outro povo latino-americano, e havia muitas estações de rádio e TV independentes que os cubanos podiam sintonizar para ter acesso a notícias e diversão. Também havia vários jornais e revistas independentes, inclusive criticando o governo de Batista.

Antes da praga castrista, Cuba não era perfeita, mas era muito melhor, de todas as formas, do que nos últimos 56 anos de miséria e trevas do desprezível regime dos Castro. O presidente Barack Obama, sem dúvida, não se importa em legitimar esse regime vil. Na verdade, é quase certo que Obama, cuja “formação” ocorreu inteiramente nos campos de reeducação (também conhecidos como "universidades"), não sabe praticamente nada sobre Cuba antes de Fidel Castro.