terça-feira, 5 de agosto de 2014

O que o Hamas quer?

O Hamas, facção que controla a Faixa de Gaza, tem um Estatuto que diz o seguinte: “As iniciativas, as assim chamadas soluções pacíficas e conferências internacionais para resolver o problema palestino se acham em contradição com os princípios do Movimento de Resistência Islâmica, pois ceder uma parte da Palestina é negligenciar parte da fé islâmica”.

De repente, o atual conflito entre Israel e a facção Hamas na Faixa de Gaza ganha contornos de clareza acachapante. Para avaliar a violência que se desenrola nos dias de hoje em Gaza, é bastante instrutivo entender não apenas como ambos os lados funcionam, mas como ambos os lados se definem e os objetivos de ambos os lados.

Embora o Hamas recuse o processo de paz, seu estatuto, redigido em 1988, propõe uma solução alternativa aceitável para o conflito: "Não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad (guerra santa). Iniciativas de paz, propostas e conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa".

A inimizade do Hamas para com Israel não se deve às políticas nem às ações de Israel. Ela se deve à identidade e à simples existência de Israel. O estatuto prossegue: “Com isso, Israel, com sua identidade judaica, e o povo judeu estão desafiando o Islã e os muçulmanos”.

O estatuto não é nada vago em relação à maneira de lidar com os judeus ou com o Estado de Israel. Ele segue adiante: “A hora do julgamento não chegará até que os muçulmanos combatam os judeus e terminem por matá-los e mesmo que os judeus se abriguem por detrás de árvores e pedras, cada árvore e cada pedra gritará: ‘Oh! Muçulmanos, Oh! Servos de Alá, há um judeu por detrás de mim, venha e mate-o, exceto se se tratar da árvore Gharkad, porque ela é uma árvore dos judeus.” (registrado na coleção de Hadith de Bukhari e Muslim)”.

E não pára por aí: “Em Seu nome, que guarda a alma de Maomé em Suas mãos, quero me lançar no ataque em prol de Alá, e ser morto, para atacar de novo e ser morto, e atacar de novo e ser morto)” (Registrado na coleção de Hadith de Bukhari e Muslim).

No recente conflito entre Israel e a Palestina, o Hamas se apresenta como a organização empenhada em destruir seu país vizinho. O Hamas lançou foguetes contra os centros populacionais israelenses, visando a alvos civis, não militares. O Hamas continuou lançando foguetes contra Israel durante uma trégua humanitária, e o Hamas recusou a oportunidade de trégua.

Foi somente dez dias depois de ser bombardeado pelo Hamas e reagir com sistemas de defesa antimíssil e ataques aéreos que Israel finalmente reagiu com uma ofensiva por terra. Ocorre que, durante essa ofensiva e os ataques aéreos retaliatórios a antecedeu, Israel empregou todos os meios em seu poder para demonstrar moderação e diminuir o número de baixas civis entre os palestinos.

Como o New York Times confirmou, Israel tentou diminuir o número de baixas civis, lançando folhetos de advertência para que os cidadãos evacuassem as áreas, fazendo telefonemas para os edifícios que seriam atacados, e até mesmo disparando sinalizadores ou mísseis sem carga contra os tetos palestinos para deixar claro aos moradores que os militares não estão brincando quando dizem que estão para atacar.

Como o Hamas reagiu? “A todo o nosso povo que evacuou suas casas: voltem imediatamente a elas e não as abandonem”, foi o comando do Ministério do Interior do Hamas.

Comentando o problema no mesmo artigo, o Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou, “É necessário entender como o nosso inimigo atua. Quem se esconde nas mesquitas? O Hamas. Quem cria arsenais sob os hospitais? O Hamas. Quem instalou centros de comando em residências ou perto de escolas de educação infantil? O Hamas. O Hamas está usando os moradores de Gaza como escudos humanos e levando o desastre aos civis. Portanto, o Hamas e seus aliados são os únicos responsáveis por todos os ataques aos civis de Gaza, o que lamentamos”.

Por mais trágicas que sejam as baixas civis palestinas, não há dúvida de que Israel está fazendo tudo o que está a seu alcance para evitar baixas em sua ofensiva contra o Hamas, ao passo que o Hamas está tomando a iniciativa de pôr em risco as vidas civis do seu próprio povo.

Se alguém tem a vantagem moral nesse conflito, esse alguém é Israel. Ao contrário do que os ativistas burros míopes se comprazem em clamar, Israel não é um Estado opressor e racista. Ao contrário, ele proporciona liberdades a cidadãos de todas as etnias, além de liberdade religiosa para judeus, cristãos e muçulmanos. Reagindo aos levantes da Primavera Árabe de 2011, o Primeiro-Ministro Netanyahu declarou:
“Corajosos manifestantes árabes estão lutando com dificuldades para assegurar esses mesmos direitos para seus povos, suas sociedades. Estamos orgulhosos de que mais de um milhão de cidadãos árabes de Israel desfrutam desses direitos há décadas. Dos 300 milhões árabes no Oriente Médio e norte da África, somente os cidadãos árabes de Israel desfrutam de direitos democráticos efetivos”.
No mesmo discurso, o Primeiro-Ministro Netanyahu afirmou:
“Todos os seis premiês israelenses desde a assinatura dos acordos de Oslo concordaram com a criação de um Estado palestino. Eu inclusive. Então, por que a paz não foi alcançada? Porque, até agora, os palestinos não se dispõem a aceitar um Estado palestino se isso significa aceitar um Estado judeu ao lado. 
Vejam, nosso conflito jamais teve a ver com a criação de um Estado palestino, mas sempre envolveu a existência do Estado judeu”.
Um comercial de televisão de 2012 do Hamas capta essa verdade com precisão. O comercial diz: “O preço será alto, filhos de Sião. Vocês estão dispostos a pagá-lo...? Toda a Palestina é nossa. Aqui não há nada para vocês além de morte. Aqui vocês só precisam ser mortos e irem embora... Se vocês estenderem seus braços até [nós], eles serão cortados. Se seus olhos olharem [para nós], eles serão arrancados... Na terra à qual vocês vieram para viver, vocês acabarão despedaçados. Essa é a promessa de Alá”.

Seria uma mentira afirmar que Israel é perfeito ou incapaz de fazer o mal. Mas a diferença de autoridade moral entre Israel e Hamas é clara. Israel é um farol de democracia e liberdade no mar revolto do Oriente Médio. O  Hamas é um grupo de terroristas cujo objetivo declarado é destruir o Estado de Israel.

Israel, por outro lado, está disposto a resolver o conflito israelo-palestino através de uma solução de dois Estados. Dirigindo-se ao presidente palestino Mahmoud Abbas, integrante da facção Fatah, não do Hamas, o premiê Netanyahu disse: “Então, digo ao Presidente Abbas, ‘Rasgue seu pacto com o Hamas, sente-se para negociar, faça a paz com o Estado judeu. Se o fizer, prometo o seguinte: Israel não será o último país a aceitar de bom grado um Estado palestino como novo membro da Organização das Nações Unidas. Ele será o primeiro a fazê-lo’”.

Não devemos cometer o erro de colocar Israel e o Hamas no mesmo nível moral. Não podemos mais passar a mão na cabeça do Hamas com o nosso silêncio.

Devemos, sim, dizer a verdade sobre o Hamas com base no seu próprio objetivo declarado de existência e seus próprios atos observados. Eu, de minha parte, estou firme ao lado de Israel, uma nação que sabe se defender do terrorismo.