quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre foguetes, fronteiras e "proporcionalidade"

No mês de janeiro, terroristas emboscaram um trem, seqüestrando 18 civis inocentes e assassinando-os impiedosamente a sangue frio. Algumas semanas depois, 1.500 terroristas mais uma vez cruzaram a fronteira e realizaram outro ataque brutal, saqueando uma cidade e deixando mais 19 mortos nas ruas.

O governo, obrigado a suportar vários ataques violentos, finalmente reagiu, enviando 6.000 soldados para atravessar a fronteira e matar ou prender o máximo possível de terroristas, principalmente o líder bárbaro do grupo.

Quem estuda (a sério) um pouco de História já entendeu do que estou falando. Esses fatos ocorreram de  verdade em janeiro de 1916. O líder, que hoje seria chamado de terrorista, não era Ismail Haniyeh do Hamas, mas sim Pancho Villa. O governo era o dos Estados Unidos, o massacre aconteceu em Columbus, no estado do Novo México. E o contingente de 6.000 soldados comandados pelo General John Pershing foi enviado ao México a mando do presidente Woodrow Wilson. Acreditando por engano que os norte-americanos seriam recebidos de braços abertos pelos mexicanos por ajudá-los a se livrar do corrupto ditador Venustiano Carranza, Wilson, surpreso, foi difamado e os militares comandados por Pershing, sob incessante ataque, foram obrigados a bater em retirada de volta aos Estados Unidos, sem conseguir capturar Pancho Villa.

Mesmo assim, do ponto de vista da segurança dos EUA, a missão de proteger a fronteira foi cumprida. Embora tivesse vivido o suficiente para ser assassinado em 1923, Pancho Villa nunca voltou a invadir o território dos EUA.

A opinião européia foi contundente: “Pela primeira vez caiu a máscara do pretexto atrás da qual se escondiam os desígnios do imperialismo americano”. O Paris Journal escreveu: ”A conquista do México começou”.

Nesta semana, a incursão de Israel por terra em Gaza também é uma reação a incessantes incursões, ataques terroristas e salvas de foguetes de um inimigo muito mais determinado do que foram os mexicanos. Assim como Wilson, O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu está sendo acicatado por invadir Gaza para acabar com o terror implacável enfrentado por seus cidadãos desde que abandonaram esse enclave nove anos atrás.

Ao contrário de Wilson, Netanyahu está enfrentando um inimigo messiânico que, a menos que seja incapacitado, seguirá inabalavelmente realizando ataques ao seu país. Como fizeram com Wilson, a França e outros países vão espernear e protestar, assim como a ONU, mas Netanyahu, reconhecendo a liderança irresponsável tanto em Washington quanto na Europa, tomou as medidas unilaterais que considerou necessárias para garantir a tranqüilidade de longo prazo dos seus cidadãos. 

É muito cedo para avaliar como será o cenário político depois que as armas silenciarem, mas aceitando dois cessar-fogos rapidamente quebrados pelo Hamas, Netanyahu conseguiu com brilhantismo o respaldo político de que precisava para levar adiante seus objetivos com um "efeito bumerangue" comparativamente pequeno do mundo em geral.

Com o tempo, algumas pessoas podem olhar para trás e pôr a culpa deste último conflito no seqüestro e assassinato dos três adolescentes judeus. Isso não seria correto. Sem contar o eterno bombardeio e as tentativas de seqüestro após o cessar-fogo de 2012, O Hamas lançou, só em 2014, 180 foguetes contra Israel. Isso sem contar as centenas disparadas desde o início das hostilidades generalizadas no início deste mês. Embora não haja dúvida de que foram um catalisador, os assassinatos de Eyal Yifrah, Gilad Shaar e Naftali Frenkel não foram a causa desta guerra.

Olhando para trás, os detratores de Israel provavelmente darão pouquíssima atenção ao abominável uso de escudos humanos pelo Hamas para salvar seus líderes covardes e sua infra-estrutura, mas se concentrarão nos apelos às FDI (Forças de Defesa de Israel) para usar a “proporcionalidade”, embora ninguém seja capaz de definir exatamente o que isso significa.

Como em todas as guerras, este conflito terá baixas. Mas o alvoroço da França e dos suspeitos de sempre é desproporcional à sua voz em relação aos assassinatos em massa que ocorrem todos os dias na Síria e no Iraque, além da derrubada, na última quarta-feira, do vôo MH17 da Malaysian Airlines, com a morte de 298 pessoas. Parece que a simples autodefesa de Israel dá convulsões no corpo do mundo hoje em dia.

Na sexta-feira, a mando da Jordânia e do Primeiro-Ministro turco Recep Erdogan (o mais novo defensor dos terroristas), foi convocada uma sessão do Conselho de Segurança da ONU,. mas não para condenar os incessantes ataques de foguetes do Hamas, nem seu uso depravado de escudos humanos, nem para censurar o Irã por fornecer ao Hamas foguetes capazes de atingir todo o território de Israel. O CS se reuniu para protestar contra a ferocidade da reação de Israel ao impiedoso bombardeio e às tentativas dos terroristas de entrar em Israel por meio de túneis para massacrar os kibbutzim, como ocorreu nesta semana. Sem mencionar nada disso, Jeffrey Feltman, o subsecretário da ONU, tuitou o seguinte “A solução para Gaza é acabar com o contrabando de armas, liberar a travessia e devolver à AP [Autoridade Palestina] o controle de Gaza”.

Infelizmente, Feltman se esqueceu de dizer como acabaria com o contrabando de armas se as travessias fossem liberadas, e que a Autoridade Palestina já havia sido expulsa de Gaza antes sem a menor cerimônia.

De sua parte, e fiel ao seu hábito de hesitar e julgar, o Presidente Obama defendeu o direito de Israel à autodefesa, mas se equivocou ao dizer que “intensificar a ofensiva com forças terrestres pode aumentar o número de mortes e minar qualquer esperança de um processo de paz com os palestinos”. Mas... essa conversa me parece bastante familiar. 

Vejam o que ele disse em 18 de novembro de 2012 durante uma visita à Tailândia, em meio à conflagração daquele ano entre o Hamas e Israel. “Israel tem todo o direito de se defender contra ataques de mísseis lançados por militantes em Gaza”, mas também fez a ressalva de que a intensificação da ofensiva com forças terrestres poderia minar qualquer esperança de um processo de paz com os Palestinos. Ele deve ter guardado uma cópia desse discurso antigo.

Ante o fracasso do cessar-fogo de 2012, outro homem poderia ter voltado atrás na mesma política pela segunda vez. Mas não Obama. Como seu colegas europeus, ele dobrou a aposta, buscando o mesmo cessar-fogo que o Hamas sempre desrespeitou, causando este conflito mais intenso. Seu Departamento de Estado concordou.

Ao advertir ambos os lados, Jen Psaki, do Departamento de Estado, descobriu entre Israel e o Hamas uma equivalência que não existe. “Continuamos instando todas as partes a fazer tudo o que puderem para proteger os civis”. Como se houvesse equivalência moral entre terroristas que se dedicam à prática bárbara de lançar foguetes a partir de residências, estocar armas em hospitais e mesquitas, e obrigar as pessoas a subir em telhados como escudos humanos e Israel, que avisa a população de Gaza antes de lançar um ataque. 

“Continuamos instando todas as partes a fazer tudo o que puderem para proteger os civis”, disse ela aos repórteres. “Ficamos decepcionados com o alto número de mortes de civis em Gaza”. Não há dúvida de que isso foi um tapa na cara de Israel. Seria muito bom se um repórter perguntasse se ela conhece algum outro exército que despeja folhetos, faz telefonemas e presta auxílio médico para salvar civis inimigos. 

Citando uma conversa entre seu chefe cada vez mais frustrado John Kerry e o Primeiro-Ministro Netanyahu, Psaki advertiu: “Israel pode fazer muito mais para evitar baixas civis, e deve redobrar seus esforços”. Nem ela, nem Kerry nem Obama pensaram no que Israel, no calor da guerra, pode fazer contra um inimigo misturado entre a população civil.

Esse mesmo recado foi dado no dia 18 de julho pela cada vez menos relevante União Européia e seus 28 Estados-membros. Eles, também, expressaram seu hipócrita apoio aos disparos de foguetes do Hamas contra Israel,  mas exigiram uma investigação das mortes de 307 civis (números da semana retrasada): “Condenamos a continuidade dos disparos de foguetes de Gaza contra Israel pelo Hamas e por outros grupos militantes, e o ataque indiscriminado a civis.” Desde 2005, o Hamas não fez nada além de atacar civis indiscriminadamente, mas a União Européia está investigando Israel. 

Eles concluíram dizendo que “ambos os lados devem diminuir a intensidade da situação e acabar com a violência e o sofrimento das suas populações”. Como se toda essa bagunça não pudesse cessar imediatamente no momento em que os foguetes dos terroristas parassem de cair sobre Israel. 

Assim como o presidente Wilson em 1916, o Primeiro-Ministro Netanyahu tem a obrigação de defender suas fronteiras e proteger o povo que ele foi eleito para proteger. Se ele fizer isso, a queda do Hamas poderá ser um efeito colateral pelo qual o povo de Gaza poderá finalmente, ter um pouco de paz.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Proporcionalidade" em Israel e Gaza?

Muita gente pode achar que o número de mortes em Israel é baixo comparado com os mais ou menos 180 palestinos que morreram em Gaza nas últimas semanas. Aposto um sushi que os esquerdistas vão mencionar a proporção de baixas entre civis e militares publicada pela ONU, que, dizem, consiste em 70% de civis.

De onde vieram esses números? Do Hamas. Não causa espécie que o Tenente-Coronel Peter Lerner, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) tenha contestado esses números. Na verdade, de onde mais eles poderiam ter vindo? O Hamas comanda a Faixa de Gaza. A BBC acabou de levar uma bronca por fornecer fotos falsas de Pallywood... ou Gaza, como a região também é conhecida.

Essa “falta de proporcionalidade” (como os acadêmicos ocidentais muitas vezes colocam) tem um motivo que aparentemente foi ignorado por Manuel Hassassian (um enviado da Autoridade Palestina ao Reino Unido), quando ele disse:
“Não há abrigos, casamatas, não há para onde ir a não ser para casa.”
Israel construiu muitos abrigos contra ataques aéreos e outros meios de proteção para seus cidadãos. O país também usa alertas de ataque aéreo para reagir aos ataques do Hamas com foguetes. O Hamas, por sua vez, não oferece nada disso ao seu povo.

A outra coisa é que o Hamas posiciona deliberadamente seus combatentes entre a população civil de Gaza, como todos sabem muito bem e já está muito bem documentado.

Qual é o motivo das políticas suicidas do Hamas?

O motivo principal é que a tal da Fraternidade Muçulmana quer que algumas (ou até mesmo muitas) pessoas do seu povo morram.

E por que o Hamas quer isso?

Há vários motivos, embora o principal seja a reação a essas mortes no Ocidente, por exemplo, a reação dos 600 manifestantes (principalmente muçulmanos e estudantes esquerdistas) que tomaram as ruas de Bradford (no norte da Inglaterra) no último fim de semana.

Em outras palavras, as mortes dos palestinos fazem muito bem no Ocidente para a causa palestina. (Principalmente no caso dos estudantes/ativistas de esquerda e seus mentores nas universidades). E esse é um dos motivos pelos quais o Hamas não oferece abrigos ao seu povo.

Eu falo da esquerda radical/marxista porque ela define praticamente toda a pauta quando se trata de Israel e Gaza, seja em termos das teorias marxistas sobre Israel (que até os não-esquerdistas e nazistas usam) ou das freqüentes manifestações e dos movimentos contra Israel, que são quase todos comandados por trotskistas. Na verdade, as mesmas caras trotskistas (PSTU, PSOL, PCO) pululam sem parar, seja em manifestações "Contra a Guerra", "Pelo Respeito", de boicote a Israel, ou o que seja.

O outro aspecto importante que que deve ser lembrado é que, segundo a teologia/ideologia do Hamas, cada palestino morto pelos israelenses é automaticamente alçado à categoria de mártir do Islã. Além disso, outro slogan bem conhecido do Hamas diz "Amamos a morte mais do que a vida".

Os palestinos também afirmam que “não têm aonde ir” durante os ataques aéreos de Israel. Mas isso também é uma meia-verdade porque Israel avisa sobre os ataques com antecedência (leiam meu post anterior). Por exemplo, outro dia, as forças israelenses lançaram folhetos na cidade de Beit Lahiya, em Gaza, avisando sobre ataques aéreos futuros.

Apenas civis?

Nem o salto triplo carpado de imaginação mais radical permite dizer que Israel dirige seus ataques aos civis palestinos. Por exemplo, na última segunda-feira, Israel atingiu três acampamentos de treinamento do Hamas na cidade de Gaza. Israel também atacou depósitos de armas e destruiu vários quartéis-generais de segurança e delegacias de polícia do Hamas. No fim das contas, as FDI atingiram aproximadamente 1.320 localidades do Hamas em Gaza.

Seja como for, os muçulmanos prefeririam uma invasão por terra? É óbvio que não. O que eles prefeririam mesmo seria que não existisse Israel nem judeus na “terra do Islã”. E aqui não estou falando apenas da "Palestina", mas também da Síria, do Iraque, da Argélia, etc. Na verdade, os judeus já sofreram uma limpeza étnica na Arábia Saudita, na Líbia, na Jordânia e em outros países árabes. Assim, foi cumprida a promessa do Profeta Maomé: "Expulsarei os judeus e cristãos da Península Arábica e não deixarei senão muçulmanos". Está lá escrito no Sahih Muslim; livro 21, "Sobre as Expedições Militares"; capítulo 43 "O que foi narrado sobre a expulsão dos judeus e cristãos da Península Arábica". E cito (e traduzo) o original:


E narrou Musa bin Abdul Rahman Kindi, nos disse Zaid bin Hubab, disse o Revolucionário Sufian, Abu Zubair, Jaber, Umar ibn al-Khattab, que o Mensageiro de Alá, a paz esteja com Ele, disse, "Enquanto eu viver, se Alá quiser, expulsarei os judeus e cristãos da Península Arábica".

Então, como os muçulmanos chegaram ao ponto até de tentar islamizar diversas cidades ocidentais, como Bradford, Birmingham, Malmö, Oldham, Roterdã, Oslo, Marselha e Paris, não fico surpreso por eles levarem a islamização (e, portanto, a limpeza étnica de judeus e cristãos) do mundo árabe ainda mais a sério.

Por que Israel?

Como disse no começo deste post, mais ou menos 180 palestinos foram mortos no estágio mais recente da guerra entre Israel e a Palestina.

Vamos comparar esse número com os 100 mil (ou mais) que morreram na Síria desde 2011; e com a carnificina no Iraque em virtude da tentativa de islamização levada a cabo pelo ISIS (Estado Isâmico do Iraque e do Levante) no Iraque. E não podemos nos esquecer dos recentes e já históricos genocídios islâmicos no Sudão entre 1991 e 2002, nos quais um milhão e meio de cristãos e animistas foram assassinados pelo regime islâmico de Cartum e pelos jihadistas de Jangaweed; e também há a guerra civil argelina entre 1991 e 2002 (até 150 mil mortes). Ainda por cima, há os conflitos intra-muçulmanos, perseguições islâmicas e ações freqüentes de terrorismo islâmico no Iêmen, no Paquistão, na Somália, na Nigéria, no sul da Tailândia, nas Filipinas, na Líbia... Essencialmente, onde houver muçulmanos vivendo ao lado de não-muçulmanos, haverá conflito. A rigor, existe conflito até mesmo onde os muçulmanos vivem lado a lado com muçulmanos de uma seita diferente.

Então, por todo o mundo hoje em dia (e na História recente), morreram literalmente milhões no incessante processo de islamização e limpeza étnica (de cristãos e judeus) tanto no mundo árabe quanto no mundo muçulmano em geral. Mesmo assim, como sempre, o tratamento racional e compreensível dado por Israel ao Hamas (que deliberadamente se esconde entre a população civil) continua ocupando muito tempo dos noticiário (mesmo quando ele não é pró-palestino).

E isso deve ser porque muitos ocidentais consideram o conflito israelense-palestino uma manifestação diferenciada e muito pior do que todos os outros conflitos que eu acabei de mencionar.

Por que isso acontece?

Principalmente porque a esquerda ocidental (e os esquerdistas mais confusos que continuam obtendo da esquerda radical uma grande parte da sua "teoria" sobre Israel) está claramente obcecada tanto com Israel quanto com o tratamento que Israel dispensa aos palestinos. Grande parte dessa monomania decorre literalmente de uma "modinha" política (ou pura e simplesmente de uma "modinha"). No entanto, esse vanguardismo político é, em si, fundamentado no ódio da esquerda radical ao capitalismo; em seu ódio ao nacionalismo (mas nunca, é claro, ao nacionalismo palestino, africano e outras formas de nacionalismo); e em sua profunda desconfiança do que ela chama de “democracia capitalista”; e tudo isso é personificado em um, e apenas um, Estado do Oriente Médio: Israel.

Para concluir, por que o Hamas intensificou recentemente seus ataques com foguetes contra Israel?

Isso tem pelo menos alguma coisa a ver com a tentativa do Hamas de tirar proveito das guerras sunitas que estão ocorrendo na Síria e no Iraque. Na verdade, os ataques com foguetes a Israel já foram realizados a partir da Síria.

O Hamas e o ISIS têm muito em comum. (Há boatos de que o ISIS já está em Gaza e lutando com o Hamas). No entanto, o Hamas, sendo da Fraternidade Muçulmana, tem ainda mais coisas em comum com os muitos “rebeldes” da Fraternidade Muçulmana que lutam na Síria. E é essa mesma gente que Barack Obama está financiando e treinando.

A diferença moral entre Israel e o Hamas

Uma palestina idosa chora a morte de parentes do lado de fora de um hospital em Khan Yunis, na parte sul da Faixa de Gaza em 16 de julho passado.
O que a maioria dos brasileiros (e do mundo) ouve sobre o atual conflito entre Israel e o Hamas é mais ou menos isto: “125 palestinos, a maioria deles civis, foram mortos pelo incansável ataque de Israel à Faixa de Gaza. Nenhum israelense foi morto até o momento”. Pode até ser verdade, mas o contexto fica completamente esquecido. É preciso prestar atenção às metodologias de ambos os lados.

O Hamas arma lança-foguetes, além de depósitos de suprimentos e postos de comando e controle, no meio de edifícios de apartamentos, mesquitas e escolas. Desses locais, os combatentes lançam dezenas de salvas de foguetes contra centros populacionais, sem qualquer tipo de distinção. Ultimamente, eles têm disparado quase sem parar. Mas normalmente eles disparam quando as crianças israelenses estão saindo de suas casas (que contam com abrigos seguros) para as escolas, que também têm abrigos. Eles fazem isso deliberadamente para tentar atingir as crianças desprotegidas. Eles não se preocupam em diminuir os danos colaterais. Na verdade, o que eles procuram é aumentar esses danos.

Israel, por outro lado, dispara apenas contra alvos militares específicos, definidos através de coleta de informações. Como esses alvos são deliberadamente misturados com a população civil pelo Hamas, Israel deve tomar providências para diminuir as baixas colaterais.

Antes de atacar um edifício, Israel telefona para o número fixo do edifício e para os celulares em nome dos moradores do edifício (e os celulares também recebem mensagens de texto), informando que, dali a alguns minutos, o edifício será bombardeado. Finalmente, para ter certeza de que todos receberam o recado, Israel lança uma bomba sem carga explosiva sobre o telhado da estrutura. Alguns minutos depois, o edifício é destruído. Não há notícia na História militar moderna de que um exército tenha tomado medidas tão amplas para dar aos inocentes as maiores oportunidades de sair do caminho. Não existe “precisão cirúrgica” maior entre as Forças Armadas modernas.

Além disso, Israel desenvolveu seu tão alardeado (e com razão) sistema de defesa contra foguetes chamado "Cúpula de Ferro", que torna sem efeito a maioria dos ataques do Hamas. Com a Cúpula de Ferro, que abate os foguetes que, de outra forma, poderiam causar muitos estragos, e o aplicativo “Alerta Vermelho”, que alerta os civis em tempo real, pelo celular, quando um foguete terrorista é lançado e para onde ele está indo, as baixas civis em Israel têm sido desprezíveis.

Israel só quer que o deixem em paz. O Hamas quer destruir Israel. Não há nenhuma equivalência moral nesse cenário, e as táticas dos dois lados comprovam o meu argumento.