sábado, 30 de novembro de 2013

Reações ao artigo sobre união entre pessoas do mesmo sexo, ou "o curralzinho nunca descansa".

Eu sabia! Era só eu tocar num assunto mais "sensível" (e menos técnico) que o curralzinho esquerdista se abespinhou. Sim, caros, estou falando do meu artigo de quarta-feira passada sobre união entre pessoas do mesmo sexo.

Precisei gastar o que restou do meu parco salário açambarcando o estoque de aguarrás, creolina e Q-BOA™ do mercadinho do bairro para higienizar minha caixa de comentários destrutivos. É ÓBVIO que não vou dar palco pra maluco esquerdista dançar no meu blog. Que vão fazê-lo lá no blog da "Sylmara Melendez", do Saka e quejandos.

Contudo, um comentário bem-educadinho (mas não menos mal-intencionado) que chegou merece esmagamento coram populo. O busílis da questão é que a pessoa me "acusa" de ter embasado boa parte da minha argumentação no estudo do Mark Regenerus sobre o assunto em questão. No início, para me refutar, ela lança mão de uma crítica da Amy Davidson ao estudo, publicada na esquerdíssima New Yorker em junho de 2012.

Eis o trecho que ela pinçou (devidamente traduzido, com grifo meu. Quem quiser, leia o original):
“(...) se este estudo mostra alguma coisa, não é o efeito da criação de filhos por gays, mas o efeito da ausência de criação. Os números são tão toscos que é difícil generalizar, mas é possível imaginar de modo lógico que existem, enterrados neles, história de pais que se foram ou que foram separados de seus filhos, ou lares que foram desfeitos, porque, 18 ou 39 anos atrás, a primeira experiência de alguém na vida adulta envolveu um relacionamento heterossexual, mesmo que ele fosse insustentável. Segundo Saletan, o estudo “não documenta o fracasso do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e sim o fracasso de lares reprimidos, desfeitos e instáveis que antecederam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já sabemos que há vantagens na estabilidade, e isso é o que sempre disseram os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se a única questão for a maneira de ajudar os filhos, casamento entre pessoas do mesmo sexo continua sendo uma resposta sólida. Basta olhar por aí: mesmo com ferramentas inadequadas como as que foram usadas nesse estudo, é possível encontrar crianças solitárias e, também, pais solitários. Além disso, podemos encontrar famílias que se mantêm unidas pelo respeito e pelo amor, e merecedoras de ambos”.
O salsinha levógiro prossegue num tom ameaçadoramente tolerante (grifo meu):

"Não tenho esperança de que isso faça você mudar de idéia. Só estou dizendo que talvez não seja muito inteligente confiar tanto assim nos dados do estudo de Mark Regnerus".

Já que "o criaturo" (ué, se "presidenta" pode...) recorreu ao expediente de argumentar com argumentos alheios, vou me dirigir ao texto da Amy Davidson, não a ele.

O trecho que negritei resume bem tudo o que há de errado com os mores contemporâneos. O simples de a autora usar o termo “primeira experiência (...) na vida adulta” para descrever o casamento é lamentável. As gerações mais recentes são tão infantis a ponto de não compreender o significado de seus votos de casamento? Aparentemente, a resposta é "sim".

Quanto ao uso do termo "lares 'reprimidos'" (no original, closeted, ou "no armário"), essa é uma maneira politicamente correta e muito esquisita de dizer “bissexuais e homossexuais que tentaram levar uma vida dupla, portanto prejudicando a si mesmos e às suas famílias”. É a mesma estratégia da novilíngua politicamente correta, pela qual o flagelo dos sacerdotes homossexuais da Igreja é magicamente transformado num “escândalo de pedofilia” em vez de um escândalo homossexual, o que claramente é quando homens violentam homens e meninos.

Vejam este outro mimo do texto da Amy Davidson:
Basta olhar por aí: mesmo com ferramentas inadequadas como as que foram usadas nesse estudo, é possível encontrar crianças solitárias e, também, pais solitários. Além disso, podemos encontrar famílias que se mantêm unidas pelo respeito e pelo amor, e merecedoras de ambos.
Mais uma vez, um caso clássico de moral dupla, pois pressupõe uma definição relativizada de família, amor e respeito. Na nossa sociedade, famílias desfeitas e divórcios passaram a ser tão normais que ninguém mais se envergonha disso. Passamos da empatia e da misericórdia (que pressupõem reconhecer que ocorreu uma tragédia moral) para o incentivo e a tolerância de adultos infantilizados, incapazes de estruturar famílias (o que exige a supressão da consciência moral).

Todos, hoje, podem dizer que conhecem uma família desfeita ou que têm amigos homossexuais, ao passo que as famílias tradicionais rareiam. Em vez de identificar essa situação como uma crise, as pessoas a justificam e incentivam.

Outro trecho do comentário, desta vez de "próprio punho":

Acho que você está confundindo a necessidade dos filhos de ter “papai e mamãe” com aquilo que (sic) eles realmente precisam de seus pais (seja qual for o nome). Num mundo ideal, as crianças precisam, se possível, de dois pais, porque dois, por razões práticas, são normalmente melhores do que um, e as crianças precisam de modelos de gênero, que elas podem encontrar tanto dentro quanto fora da família imediata. Principalmente, as crianças precisam de educação, apoio e amor, que devem existir no dia-a-dia (é claro que disciplina e estrutura também fazem parte). Filhos criados por casais homossexuais (sic!) podem ter tudo isso, o que, ao menos para mim, é muito mais importante do que o fato de que eles terão que abandonar a terminologia tradicional de “papai e mamãe”. Se mães solteiras (ou até mesmo enviuvadas) podem criar e criam muito bem seus filhos, e se pais solteiros (inclusive enviuvados) podem criar e criam muito bem suas filhas, não vejo por que casais do mesmo sexo não podem proporcionar uma boa criação.

Deixando de lado os dados estatísticos que demonstram claramente que lares de pais e mães solteiros são incapazes de criar bem seus filhos (como provam especialmente os índices de criminalidade), há uma razão totalmente lógica para as crianças precisarem de pais e mães presentes, e, sobre o assunto, recomendo a leitura do livro "A Arte de Amar", de Erich Fromm, que é apresenta essa lógica de maneira sucinta e acessível.

Sobre as viúvas e os viúvos, nenhuma pessoa de bem se empenha em viver sozinha, assim como nenhuma pessoa de bem se empenha em se divorciar. A tendência de pinçar lares de pais solteiros e dizer “eles estão se virando bem, portanto esse pode ser um modelo de famílias” decorre da estranha tendência esquerdista de tratar todo e qualquer forma do ideal da família tradicional como um insulto à integridade do amor de uma mãe solteira pelo seu filho.

Acidentes e circunstâncias podem levar as pessoas para mais perto ou mais longe do ideal, mas não adianta nada fingir que essas situações serão o ideal.

Para não me tacharem de inflexível, vamos admitir que, se dois homossexuais achassem um bebê numa ilha deserta, o bebê se sairia infinitamente melhor se fosse criado por eles em vez de ser deixado à míngua, assim como é melhor ter só o pai ou só a mãe em vez de nenhum deles. Mas esses não são ideais pelos quais devemos nos empenhar. Pais solteiros devem tentar encontrar um cônjuge, e os homossexuais, embora possam ser bons tios/tias, não têm como ser bons pais, caeteris paribus.

Percebo que essa discussão toda demonstra o estrago que a propaganda homossexual já causou na sociedade, pois, em termos de família, fomos reduzidos ao debate sobre quem devem ser os pais, esquecendo-nos de que uma das grandes tragédias das famílias desfeitas, das famílias uniparentais, etc. e da vida moderna em geral (mesmo quando pai e mãe estão presentes) é a falta de tios, tias, primos, avós, etc.

Uma família é muito mais do que apenas os pais, e os filhos sofrem se crescerem sem todos os seus componentes. Se os homossexuais não tivessem seqüestrado o debate público, talvez estivéssemos debatendo maneiras de fortalecer a economia para que as famílias não precisassem viver separadas e distantes e pudessem ter contato com maior freqüência do que em datas comemorativas ou velórios.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Carvão? Gás natural? Fracking? Nada disso! (E um "rancarrabo" no Twitter)

Caríssimos leitores, hoje estou afogado em trabalho, mas não podia deixar de responder, por meio de um exemplo bastante comezinho, às argumentações superficiais de uma salsinha esquerdista no meu Twitter, que se arvora em autoridade suprema para pontificar sobre os "malefícios do fracking", que esteve na pauta do Jornal Nacional de ontem (28/11/2013). Quem não assistiu, pode ler/assistir aqui. No vídeo, o assunto é tratado com "grande profundidade" em 13 segundos (1:10 a 1:23), escoltado por um infográfico bem rastaqüera.

O mais interessante é que, ao argumentar, esse espécime levógiro se enrola na própria afetação. Vejam isto:


Percebam, no final, que a questionei sobre o conhecimento de causa.

O que se seguiu foi pra lá de escalafobético. Ela me manda um linquezinho do saite Viomundo como authoritative source sobre o assunto, para lançar uma fagulha de luz sobre este "pobre ignorante".


Depois disso, quando pus a nu a vigarice intelectual da arroba canhota, aí começou o festival de inverossimilhanças (para não dizer "patranhas"). A coisa foi assim:


Daí em diante ela se inflou (os tuítes em vermelho são dela):

  • "Não li só um artigo.Muito antes de existir Twitter ou Viomundo,eu já lia sobre fracking e suas conseqüências..."


  • "Livros,estudos,documentários,revistas científicas,etc..."
  • Nem só de internet vive o homem...kkk....!!!
Agora, quando a mentira é pega:


Ora, ora ora, bem estranho uma pessoa ler TUDO (sic) o que é relacionado ao assunto HÁ MAIS DE 20 ANOS (sic!!!) e afirmar não ser especialista para emitir uma opinião sobre o assunto (vide o primeiro print lá em cima). No popular, VAI APRENDER A MENTIR DIREITO, moça!

E a cereja do bolo:


Depois que afirmei estar preparando um artigo sobre o assunto no blog, ela me sai com essa. Quer dizer, se me disponho a expor um argumento sólido para questionar seriamente a "doutora especialista", ela se fecha em copas. Como todo bom esquerdista, se refugia no seu estoque de chavões. Não posso deixar de sentir pena.

Mas para não cansar os amáveis leitores com essa pendenguinha, vejam só que fato pitoresco trago ao vosso conhecimento a respeito do assunto.

No início do ano, as autoridades municipais de Los Angeles tomaram medidas para cumprir uma legislação estadual que mudaria radicalmente a maneira como a população da cidade usa a energia. Se a legislação for adiante, até 2027, nenhum morador de Los Angeles poderá usar energia gerada por usinas a carvão.

Evan Gillespie, do grupo ambientalista californiano Sierra Club e antigo crítico do carvão como matéria-prima para geração de energia, elogiou publicamente o plano, afirmando que “não há nenhum [lugar] do país que esteja avançando mais rápido e mais profundamente” na proibição da geração de energia através do carvão.

Atualmente, as usinas termelétricas a carvão geram aproximadamente 40% da energia elétrica que os moradores de Los Angeles usam para ligar seus computadores, fornos de microondas e aparelhos de ar condicionado. Entretanto, os defensores da legislação afirmam que não querem estrangular o acesso de Los Angeles à energia elétrica de que eles dependem. Eles querem substituí-la por eletricidade gerada por outra fonte: o gás natural. Hoje em dia, não existe uma termelétrica a gás com capacidade para dar conta das necessidades de Los Angeles. Portanto, as autoridades decidiram usar o dinheiro dos impostos para transformar uma usina termelétrica a carvão localizada em Utah e que, atualmente, abastece a cidade, numa usina a gás natural.

Com o avanço da tecnologia do fracking (fraturamento hidráulico), que libera o gás natural de rochas de xisto antes impossíveis de serem aproveitadas, o gás natural promete ser a principal fonte de energia abundante e barata.

Mas acontece que os grupos ambientalistas como o Sierra Club também querem pôr um fim no gás natural. Segundo o site do Sierra Club’s, “É claro que não podemos passar de um combustível fóssil para outro e esperar grandes benefícios para o clima. Precisamos ir além do gás natural”.

Transformar a termelétrica a carvão de Utah para funcionar com gás natural custará aproximadamente US$1 bilhão. Se o Sierra Club conseguir seu intento, o fracking também será proibido e a nova usina bilionária ficará ociosa, sem alimentar nada, e queimando apenas o dinheiro do contribuinte.

Em suma, os esquerdistas ambientalistas (e vice-versa) são seres engraçadíssimos: querem todos os confortos que a exploração de fontes de energia baratas e viáveis (portanto, não falo de energia eólica, das marés, nem da energia gerada por peido de vaca), mas atacam todos os avanços que o capitalismo proporciona para gerar essa energia barata e viável (que serve para muito mais coisas do que acender uma lâmpada e ligar um radinho lá nos confins da Zâmbia).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Argumento "nada católico" contra a união entre pessoas do mesmo sexo

Aqueles entre meus amáveis leitores que estiverem com as referências literárias em dia devem se lembrar da sinuca de bico enfrentada pela personagem-título de “A Escolha de Sofia”: escolher um filho ou outro. Nenhuma mãe merece ser obrigada a fazer essa escolha. Seja qual for a escolha, a perda será indizível.

Da mesma forma, nenhum filho merece ser obrigado a fazer a mesma escolha ao contrário: “ou a mamãe ou o papai, Mariazinha. Escolha”.

No entanto, essa é a posição desconfortabilíssima em que a união entre pessoas do mesmo sexo coloca os filhos, exceto pelo fato de que os filhos (os maiores interessados) não têm escolha. Alguém faz a escolha por eles.

Seja qual for a sua opinião, leitor, sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, uma coisa é certa: qualquer criança criada nesse ambiente sofre uma perda terrível: ou não terá mãe ou não terá pai. Nil est tertium. Numa união que envolva dois homens ou duas mulheres, o resultado é sempre esse. Quando Mamãe escolhe uma mulher ou Papai escolhe um homem como parceiro(a) para a vida, o filho sempre perde algo extremamente valioso e insubstituível: a mãe ou o pai.

Muitas vezes, essa perda tem conseqüências trágicas para uma criança. Se, por exemplo, ela for criada num lar sem a presença do pai, a probabilidade de que ela deixe de freqüentar a escola; passe a usar ou vender drogas; tenha problemas com a Justiça; e seja pobre aumenta astronomicamente. O mesmo ciclo de desespero e crime sucede no caso de ausência da mãe.

Se Mamãe faz sexo com outra mulher, isso não transforma a outra mulher automaticamente num Papai. Fazer sexo com Mamãe a transformará num Papai tanto quanto eu serei transformado em bezerro por beber leite.

A questão que se coloca aqui, meus caros, é que mães e pais têm importância fundamental para o desenvolvimento das crianças e, portanto, para o futuro de qualquer país, que depende do desenvolvimento e amadurecimento da geração seguinte. Isso funciona melhor quando as crianças têm pai e mãe.

Digo isso porque, de acordo com um estudo* (amplamente atacado pelos setores esquerdistas nos EUA) realizado pelo sociólogo Mark Regnerus, da Universidade do Texas, chega-se às seguintes conclusões:

Em comparação com crianças criadas em lares intactos, com pai e mãe biológicos presentes para criá-las, os filhos de pais homossexuais:
  • Acabam sendo muito mais propensos a recorrer a programas de assistência social;
  • Apresentam desempenho escolar/acadêmico pior;
  • Declaram um "impacto negativo" contínuo maior da sua família original;
  • Apresentam maior tendência à depressão;
  • São presos com maior freqüência
  • (No caso de mulheres) Têm mais parceiros sexuais, tanto masculinos quanto femininos
Se os filhos forem de mães lésbicas:
  • Serão mais propensos a viverem em coabitação atualmente;
  • Serão quatro vezes mais propensos a recorrer a programas de assistência social;
  • Terão uma tendência menor de trabalhar em empregos de período integral;
  • Serão mais de três vezes mais propensos ao desemprego;
  • Serão quase quatro vezes mais propensos a se identificar de maneira não totalmente heterossexual;
  • Serão três vezes mais propensos a ter casos extramaritais se forem casados ou viverem em coabitação;
  • Terão uma probabilidade dez vezes maior (o que é impressionante) de ter sofrido "contato sexual de de pai/mãe ou outro responsável";
  • Serão quatro vezes mais propensos a sofrer “coerção física” para fazer sexo contra sua vontade;
  • Terão maior probabilidade de ter problemas de criação de vínculos, relacionados à capacidade de depender de outras pessoas;
  • Usarão maconha com maior freqüência;
  • Fumarão com maior freqüência;
  • Se declararão culpados com maior freqüência em crimes de maior potencial ofensivo.
Aparentemente, nenhuma dessas estatísticas terríveis pesa muito para a minoria ruidosa (ou o povo abúlico de quo ludunt venti) que defende a união entre pessoas do mesmo sexo. A rigor, eles argumentam que a igualdade de casamento está arraigada na igualdade humana, mas esse argumento fajuto não funciona. Ele passa sem lógica alguma de um tipo de igualdade para outro. A igualdade de todas as pessoas não equivale à igualdade de todos os modos de vida ou de todos os relacionamentos. Por exemplo, o simples fato de que todos nascem iguais não significa que a poligamia ou o casamento incestuoso deve, por via de conseqüência, contar com o beneplácito da lei. Não existe um fio condutor lógico que saia da igualdade entre as pessoas e chegue à igualdade de atos, escolhas, modos de vida ou relacionamentos. É o que chamamos, em lógica formal, de non sequitur. Sei que, neste momento, estou sendo brando a não mais poder com os detratores do meu texto (que virão aos borbotões), supondo que eles se importam com a lógica. Para a pessoa impregnada com valores revolucionários, a lógica formal não passa de "um valor a mais num universo relativizado que oferece um sem-número de perspectivas".

Os defensores da união entre pessoas do mesmo sexo também argumentam que é errado fazer juízo de valor sobre o casamento. No entanto, eles se permitem fazer julgamentos de valor sobre quem deve se casar. Mais uma vez eles fracassam no campo da lógica. Ao insistir que as uniões entre pessoas do mesmo sexo devem ser consideradas casamentos da mesma forma que os casamentos heterossexuais (por exemplo, como faz o novo queridinho das massas, o Ministro Joaquim Barbosa, do STF), eles fazem juízo de valor sobre os casamentos, tanto os deles quanto os dos outros. Se são contrários aos juízos de valor sobre o casamento, então eles devem parar de uma vez por todas de dizer o que dizem. Mas não me iludo. Eles não vão parar. Na verdade, eles impõem seus juízos às pessoas ao mesmo tempo em que se recusam a permitir que os outros façam seus juízos.

Quero, por fim, esclarecer um aspecto muitas vezes mal entendido: não estou dizendo que casamentos sem filhos não são casamentos. Se eu dissesse isso, poderia facilmente ser diagnosticado como esquizofrênico. Meu argumento é que casamento e família normalmente andam pari passu. Estou falando do vínculo comum entre casamento e família, não de um pré-requisito suficiente e necessário para o casamento. Casamento e família são, simplesmente, o mecanismo habitual de criar e cultivar as gerações seguintes. Mas, no caso de uma união homossexual, isso é naturalmente impossível. Se alguém tentar conceder a eles, por outros meios, o que a natureza lhes nega, as crianças serão, estatisticamente, mais propensas a sofrer conseqüências negativas, o que não ocorre num casamento (heterossexual, por definição semântica e constitucional). Em outras palavras, Se um casal não tem filhos até um determinado momento, eles não deixam de estar casados. Se tiverem filhos, estes sofrerão menos prejuízos do que os filhos criados por dois homens ou duas mulheres, uma situação que implica a considerável perda ou da mãe ou do pai.

Em resumo, governos e cidadãos conscientes devem sempre ter em mente esses facts of life importantes e fundamentais e evitar a promoção e o apoio de leis que solapam a família e os valores familiares tradicionais, que sempre foram benéficos para nós e para nossos descendentes.

No fim das contas, o que o movimento homossexual pela “igualdade de direitos” pretende é destruir a família para eliminar qualquer noção de memória e dever históricos entre as pessoas. Os bolcheviques aplicaram o mesmo método, e me refiro não apenas ao caso da chacina de famílias inteiras, mas também ao incentivo à infidelidade conjugal e à ridicularização de qualquer tipo de vida pautada por princípios. Um ser humano criado sob condições de niilismo moral  nunca será capaz de governar sua vida e, assim, será o escravo perfeito.

Uma representação cinematográfica perfeita desse fenômeno é o filme russo Груз 200 ("Carga 200"), que demonstra os efeitos do niilismo político e da evaporação das famílias após três ou quatro gerações de políticas voltadas contra a família. Ironicamente, não causa espécie que o único personagem do filme que se redime é o professor de ateísmo aplicado: ele tem uma família relativamente “normal”. Se não for freado, o movimento homossexual pela “igualdade de direitos” acabará conduzindo todos a uma sociedade igual à representada nesse filme.

(*) Sim, caros leitores: eu li atentamente o estudo antes de citá-lo no artigo. Não sou desonesto intelectualmente a ponto de citar estudos aleatoriamente ou "de orelhada".

terça-feira, 26 de novembro de 2013

As vantagens dos micróbios "personalizados"

Os micróbios ajudam a humanidade há séculos. As leveduras e bactérias nos ajudam em muitas atividades, como a fermentação da cerveja e a produção de iogurte. Cada um desses microoganismos age como uma minúscula fábrica de produtos químicos: uma substância entra como alimento para o organismo e outra é secretada como resíduo. Vejamos, por exemplo, as leveduras. Elas ingerem açúcar como alimento e produzem álcool e dióxido de carbono como resíduos. Por isso, são ideais para a fabricação da cerveja. A humanidade usa os microorganismos há séculos para fazer queijo, pão e até mesmo ajudar na extração de cobre das minas, mas, até pouco tempo atrás, a gama de produtos que eles eram capazes de gerar era limitada. Na semana passada, eu escrevi sobre como os cientistas estão usando a tecnologia da engenharia genética para fabricar micróbios sob medida, determinando, assim, as substâncias que essas pequenas fábricas de produtos químicos podem produzir.

Na década de 1970, os cientistas descobriram como inserir instruções genéticas nas leveduras e bactérias, fazendo com que elas produzissem praticamente qualquer composto, desde medicamentos até querosene de aviação e enzimas "queijeiras". Agora, esses organismos geneticamente modificados (OGMs) estão na vanguarda da biotecnologia e estão prontos para dar início a uma “terceira revolução industrial”, segundo um artigo recente do Washington Post.

Centenas de novos compostos biossintetizados estão na fila para serem desenvolvidos. Uma empresa suíça espera lançar, em breve, uma baunilha biossintetizada, produzida por leveduras geneticamente modificadas para gerar o aroma como subproduto quando alimentadas com açúcar. O custo da fava de baunilha verdadeira é muito elevado, pois ela é colhida das sementes de uma orquídea "temperamental" que cresce em climas de florestas tropicais. São necessários aproximadamente 200 kg dessas sementes para produzir meio quilo de baunilha. Os aromatizantes sintéticos de baunilha vendidos no mercado hoje em dia não conseguem captar a complexidade da fava de baunilha legítima. Mas a empresa suíça Evolva afirma que seu aroma biossintetizada baunilha se aproxima muito mais do aroma original, com um custo de produção muito menor.

Essas "biofábricas" geneticamente arquitetadas são usadas não apenas na produção de alimentos, mas também na produção de uma infinidade de medicamentos que salvam vidas (vou escrever na semana que vem sobre a insulina produzida por bactérias transgênicas), vacinas e hormônios humanos raros.

Todos os anos, milhões de pessoas sofrem de malária, e centenas de milhares morrem, principalmente as crianças africanas com menos de cinco anos de idade. A artemisinina, um fármaco derivado das folhas de artemísia originárias da China, demonstrou ser extremamente eficaz no tratamento da malária (aparentemente ainda mais eficaz que o quinino, o medicamento mais tradicional contra a malária). Como as favas de baunilha, a artemísia da qual o medicamento é colhido é difícil de cultivar nas quantidades necessárias, e isso faz com que seu preço flutue desenfreadamente.

A Amyris, uma empresa de biotecnologia da Califórnia, deu conta desse problema usando leveduras geneticamente modificadas para sintetizar a artemisinina. Usando um computador para inserir a seqüência de genes necessária para fazer com o que as leveduras produzam o medicamento na forma de subproduto, a empresa encontrou uma forma de sintetizar grandes quantidades do medicamento, dispensando a colheita da artemísia. Neste ano, a Amyris produziu 35 toneladas do medicamento, suficientes para 70 milhões de tratamentos.

Não causa espécie que os ambientalistas inventaram várias desculpas para se pôr contra essas biofábricas, mas falarei sobre isso nas próximas semanas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Conservadorismo: significado e perspectivas

No fundo, o conservadorismo consiste na resistência ao projeto tecnocrático, à tentativa moderna de transformar a esfera social numa espécie de máquina universal para a máxima satisfação das vontades e preferências.

Esse projeto vem sendo alimentado há muito tempo. Ele provém de uma compreensão do conhecimento e do mundo cujas raízes encontram-se no início da Era Moderna, de uma compreensão que enfatiza a medição e a Matemática e aceita como real apenas a subjetividade individual e os objetos como os que são estudados pela Física moderna. O projeto está, ainda, relacionado com as formas modernas de organização social: o Estado moderno (com sua enorme burocracia e com reivindicações ilimitadas) e o Capitalismo moderno (com sua energia, sua inovação e seu alcance global, além de sua organização flexível que combina uma complexidade infinita com a clareza e a simplicidade de um princípio básico). Sua aliança com essas formas de organização lhe deixa numa posição extremamente poderosa.

O efeito desse projeto foi a continuidade da reconfiguração radical da vida social. Esse processo pressupôs que a tecnologia tomasse o lugar da tradição, da religião e do Direito natural, que, hoje, são considerados imposições arbitrárias num mundo composto por átomos, pelo vácuo e pelas sensações humanas. Em vez e devoção e formas herdadas, temos a inovação, o marketing, a ciência das organizações e a psicoterapia.

Com a extensão desse processo, entendimentos mais antigas foram tangidos para a margem e passaram a ser vistos como irracionais, opressores e supostamente violentos. O resultado foi uma tendência cada vez de declarar como irracional e simplesmente má qualquer oposição à extensão dos princípios tecnocráticos. Foi assim que o Supremo Tribunal Federal declarou que o único motivo real para querer manter a definição tradicional e natural de casamento é o desejo de prejudicar as pessoas que preferem outros tipos de união. Essa seria uma interpretação cabível se a ordem social fosse meramente um construto para ajudar as pessoas a atingir quaisquer objetivos que porventura tivessem.

O conservadorismo é o reconhecimento de que há algo de errado com o projeto tecnocrático. A razão não é simplesmente uma questão de adaptar os meios aos fins, e o mundo não pode ser entendido como um sistema composto unicamente por átomos, pelo vácuo e pelas sensações humanas. A tentativa de entendê-lo dessa forma elimina a possibilidade de um sentido, e, como efeito colateral, elimina a racionalidade e a possibilidade de uma ordem social compassiva.

A finalidade última da sociedade humana não pode ser a satisfação individual, pois ela não pode existir sem a aceitação voluntária de algumas concessões. Ela também não pode prosperar negando as formas naturais e os vínculos específicos, como a complementaridade sexual e a história, a cultura e as fidelidades comuns, como base de relações funcionais duradouras. Seja como for, as pessoas não se satisfazem pela satisfação de um desejo simplesmente como tal. O homem vive através do compreender e do sentir, de forma que ele quer saber se seus desejos se justificam e se a satisfação deles é realmente virtuosa. Ele precisa ver a si mesmo como partícipe da ordem das coisas, não como uma ameba que se limita à fagocitose.

A forma esquerdista de tecnocracia deu conta dessa necessidade basicamente religiosa, transformando os "bens" de ordem superior num só "bem" de ordem superior. A devoção murcha se a realização individual for o objetivo maior, mas se a promoção igualitária da realização individual for transformada em objetivo, é possível conseguir um certo grau de fidelidade e concessão. A solução funciona razoavelmente bem para quem comanda o sistema, para aqueles cuja posição e cujas atividades ela aparentemente justifica. Contudo, ela não permite que as pessoas em geral tenham um objetivo ideal na vida, pois o sistema atinge seus fins através de um controle centralizador. O resultado é que a vida das pessoas desce célere ladeira abaixo da maneira descrita por Theodore Dalrymple no livro Life at the Bottom: The Worldview That Makes the Underclass (em tradução livre, "A vida lá embaixo: a mundivisão que cria a classe inferior").

Essa solução também não funciona para os conservadores. Sua falta de lógica irrita, e, aparentemente, é um sucedâneo de baixíssima qualidade de compromissos mais antigos e coerentes como o patriotismo e a religião tradicional. Por isso, o conservador vê o que os esquerdistas chamam de "progresso social" como a traição de tudo o que lhes é mais caro.

Normalmente, o conservador é uma pessoa que sente uma ligação real e sólida com a família, a fé e a comunidade, de forma que seus opositores normalmente enfatizam símbolos, práticas e instituições, não a teoria em si. Os menos teóricos não propõem nada além de moderação. Outros têm exigências mais específicas. Os conservadores do livre-mercado tentam limitar o Estado. Os conservadores populistas tentam limitar o poder das grandes instituições racionalizadas em geral. Os conservadores sociais tentam manter a força e a influência de instituições informais tradicionais como a família.

Todos fracassaram, por um lado porque as tendências sempre foram muito adversas, mas, por outro lado, porque eles subestimaram a abrangência do problema. Os conservadores do livre-mercado são, aparentemente, uma exceção à regra do fracasso. O efeito geral da suas vitórias, no entanto, acabou sendo um socialismo mais refinado, que mantém a supervisão e o controle administrativos gerais, mas depende amplamente das trocas, do lucro e do "capitalismo-amigo" como mecanismos organizadores. O resultado, como mostra a capacidade das empreiteiras com ligações políticas de usar o Poder Público para tomar a propriedade de outras pessoas para uso próprio, é um regime no qual a propriedade privada pode beneficiar aos seus titulares, mas não limita o poder do Estado.

Outros conservadores, que entendem um pouco melhor a profundidade do problema, prestam mais atenção a princípios básicos. Os conservadores religiosos dão ênfase à relevância perpétua do que é sagrado. Os conservadores literários e filosóficos enfatizam as questões intelectuais e espirituais que se sobrepõem à tecnocracia.

Eles também foram derrotados. Um dos problemas é que o enfoque deles ainda não se aprofundou o suficiente. Os conservadores religiosos são fiéis às tradições. Quando sua tradição política e social é fundamentalmente esquerdista, surge um problema. Deus, Pátria e liberdade se misturam, e a maneira mais fácil de lidar com as dificuldades é "maquiá-las" e se concentrar em símbolos e retórica. Os conservadores literários e filosóficos estão politicamente e intelectualmente isolados, e presos por sua posição profissional a um mundo acadêmico que se tornou, na forma do ensino superior brasileiro, uma fonte de verbas públicas que fornece treinamento, conhecimento e propaganda à tecnocracia. Dessa forma, o mundo acadêmico não é um lugar onde o pensamento conservador pode se manter e prosperar.

Os conservadores não apenas perderam todas as suas batalhas, mas, aparentemente, eles perderam a guerra. Depois que o Supremo Tribunal Federal declarou que os opositores do “casamento gay” são inimigos da raça humana, e com o Ministério da Saúde está empenhado na distribuição ampla, geral e irrestrita de contraceptivos e medicamentos abortivos, sobrou muito pouco espaço no Brasil para que se reconheçam as raízes da ordem social na natureza, num princípio transcendente ou numa história e cultura específica.

Porém, as aparências enganam, pois o triunfo do esquerdismo tecnocrático significa sua própria destruição. Ele se fundamenta numa compreensão defeituosa do conhecimento e do mundo, a qual acaba destruindo o bom senso e o discernimento. Ele depende do consentimento popular, protegendo-o por meio de promessas que não terá como cumprir. Num nível mais básico, o esquerdismo tecnocrático precisa dos seus ideais, vez que depende de elites governantes fiéis e até certo ponto dedicadas, e o ideal de liberdade igualitária que o inspira se tornará cada vez menos digno de crédito com o passar dos anos e à medida que o sistema perde em termos de liberdade e se divide cada vez mais em classes. A classe superior dominará cada vez mais as pessoas nos estratos mais baixos, cuja condição de vida piorará dia após dia. Além disso, uma elite coerente e de espírito público terá pouca chance de sobreviver numa sociedade diversificada e multicultural, na qual haverá cada vez menos confiança social e na qual cada vez mais integrantes da elite considerarão ter direito aos benefícios, em vez de serem distribuidores desinteressados da proteção e dos benefícios à sociedade.

O resultado previsível dessas tendências será uma sociedade radicalmente cosmopolita e, portanto, profundamente fragmentada, carecendo de uma fé comum e, por conseqüência, de qualquer base para uma vida pública livre e de cooperação. Numa sociedade assim, a racionalidade pública e o projeto tecnocrático não podem ter continuidade. Portanto, o alicerce do governo provavelmente será uma combinação de dinastias, compadrio, fraude, suborno e força. Assim, as perspectivas do esquerdismo não são muito melhores do que as perspectivas do conservadorismo.

A questão que se coloca hoje, portanto, é como promover um desenvolvimento que favoreça uma vida melhor em sociedade. A experiência mostra que não adianta nada manipular as instituições ou exigir um pouco mais de religião na vida pública se os pressupostos fundamentais são defeituosos até a raiz. Quem quiser melhorar as coisas deve procurar uma transformação fundamental das perspectivas. As pessoas devem ser conservadoras não no sentido de manter as tendências e os esquemas atuais, mas no sentido de valorizar o que essas tendências e esses esquemas rechaçam: a História, a natureza humana e os padrões e vínculos, como a família, a religião e a cultura específica, que são necessários para o funcionamento normal da sociedade.

Elas também precisam reconhecer que uma sociedade normal deve ter elementos tanto particulares quanto universais. Uma rede de instituições e um modo de vida não podem funcionar sem a âncora de um determinado povo com instituições e um modo de vida. O povo brasileiro é complexo; portanto, para que a sociedade brasileira funcione normalmente, ela deve funcionar como um complexo de sociedades correspondentes às variações regionais, locais, étnicas e religiosas encontradas na vida brasileira. Ela deve ser federal e local, em vez de nacional e totalizante.

Portanto, um Brasil melhor precisaria permitir que várias tendências religiosas, históricas e culturais se mantivessem e desenvolvessem dentro de uma ordem política e civilizatória única. Essa tarefa não é simples. A Cristandade já permitiu algo assim, mas as variações locais de devoção, culto e, ao fim e ao cabo, confissão não redundaram em diferenças absolutas de religião. Porém, uma limitação desse naipe parece inevitável, pois uma sociedade política com um sistema complexo de cooperação razoavelmente livre exige uma compreensão única das questões centrais para que seja possível haver um debate produtivo dos problemas básicos. A distinção entre Cristo e César permitiu a coexistência dessa compreensão única com diferenças nítidas em termos de costumes e instituições sociais. Aparentemente, nada do que existe hoje em dia pode surtir esse efeito.

Dessa forma, é evidente que a maior esperança para o futuro está numa Cristandade renovada, ainda que incompleta. A alternativa parece ser a reação a acontecimentos específicos que não conseguem dar conta de problemas básicos e, assim, aceita as tendências em curso. Aparentemente, a Cristandade é uma meta irreal, mas o esquerdismo tecnocrático não durará para sempre e, como a natureza abomina o vácuo, não há uma receita pronta para o que virá depois, e um êxito parcial ou local é melhor do que nenhum. A perspectiva e o modo de vida que melhor contemplam as necessidades e aspirações humanas terão, provavelmente, uma vantagem comparativa num tempo de desordem cada vez mais radical.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Micróbios geneticamente modificados: "chiquititos pero cumplidores"



As leveduras e bactérias podem ser pequenas, mas são poderosas. Há séculos a humanidade aproveita a força desses minúsculos. As bactérias transformam o leite em iogurte, são usadas na extração de cobre e na eliminação dos resíduos da água. Se você alimentar as leveduras com açúcar numa mistura de água e lúpulo, elas agradecerão produzindo cerveja. Se há uma coisa em que esses micróbios são bons é usar uma substância como alimento e transformá-lo em outra como resíduo. E o que é lixo para um organismo pode ser um tesouro para outro.

Na década de 1970, os engenheiros genéticos descobriram a tecnologia para criar essas "fabriquinhas" sob medida. Inserindo instruções genéticas nas bactérias ou leveduras (modificando, assim, seu código genético), os cientistas têm usado micróbios para criar todos os tipos de substâncias, desde vacinas e medicamentos até enzimas que ajudam na fabricação do queijo.

Vejamos, por exemplo, a renina, uma enzima usada na produção do queijo. A renina é encontrada naturalmente no revestimento do estômago do bezerro, ajudando-o a quebrar e coagular o leite da sua mãe para melhorar a digestão. Os melhores queijos são feitos com o uso da renina do bezerro, mas é complicado colhê-la em quantidade suficiente. Desde o final dos anos 1990, os queijeiros têm usado renina sintetizada por bactérias geneticamente projetadas. Conhecendo o código genético que produz a enzima do revestimento do estômago do bezerro, os engenheiros genéticos inseriram esse gene em bactérias. Assim como no processo de produção da cerveja, se alimentarmos essas bactérias com os nutrientes de que elas precisam, o "lixo" produzido por elas será a valiosa renina. Calcula-se que 80% do mercado mundial de queijo utilize essa renina biossintetizada.

Mas a utilidade dos micróbios vai muito além da produção de queijo. A engenharia genética desses minúsculos ajudantes tem evoluído a passos largos nos últimos anos. Usando um computador para programar e inserir a seqüência genética correta nas leveduras, os cientistas podem criar rapidamente o microorganismo de que precisam para fazer praticamente qualquer composto que desejarem. As histórias são simplesmente fantásticas. Na lista de substâncias que essas “biofábricas” estão produzindo figuram querosene de aviação, fragrâncias, cosméticos, aromatizantes e medicamentos.

A tecnologia é especialmente útil quando a substância necessária é rara, cara ou difícil de sintetizar por meios puramente químicos. Na semana que vem, falarei sobre alguns desses avanços.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Momento Musical - Tears For Fears - Songs from the Big Chair



Cara leitorada, quem disse que o John Galt aqui só fala de Política, Filosofia, Economia e que tais? Também tenho meu lado musical, e hoje eu inauguro aqui no blog a coluna "Momento Musical".

Hoje à tarde eu estava ouvindo na 977.com uma música do Tears for Fears, "Shout" (do disco "Songs from the Big Chair"), e comecei a pensar: por que cacetes murchos eu tenho essa banda como uma das boas e paradigmáticas bandas da década de 1980? No fim das contas, cheguei à conclusão de que é uma banda apenas mediazinha.

O disco de estréia da banda foi exatamente esse que mencionei. Houve discos muito piores do que este na década de 1980, mas também houve discos muito melhores. Prossigo com minha "sessão de terapia", ou seja, estabeleço a raiz do problema e, depois, parto em busca da solução. E qual é a solução 'Gritar, gritar, pôr tudo para fora!'. Fico pensando se o Dr. Janov recebeu royalties dos caras. Provavelmente não.

Esse disco tem dois problemas graves: (a) as músicas suaves e b) as músicas compridas. Como praticamente todas as músicas do disco são compridas, e mais ou menos um terço delas é suave, isso automaticamente me impede de ficar entusiasmadíssimo com ele. A produção, como era de se esperar, é irritantemente "oitentesca" (o que me leva a suspeitar que os caras chegaram no estúdio, disseram aos berros "queremos o melhor que o dia de hoje tem a oferecer!" e pegaram tudo o que deram a eles, sem sequer testar nem nada parecido). E o maior problema disso, claro, é que, mesmo que eles tenham um recado sério a dar (e com certeza eles são melhores em dar recados sérios do que seus colegas mais "toscos" do synth-pop, como o Duran Duran), esse recado se perde debaixo de camadas e camadas de sintetizadores e baterias eletrônicas. Vejam bem, como é possível penetrar na alma sensibilíssima do Sr. Orzabal se ela está enterrada tão fundo? Não dá nem para VÊ-LA!

Pelo menos dá para ver o talento para composição. Eu não sei por que tantas músicas duram cinco ou seis minutos se tudo o que é necessário aparece em três, no máximo quatro minutos, mas eu confesso que alguns dos grooves finais, com vários vocais sobregravados, funcionam bem. Às vezes, 'Shout', por exemplo (sem dúvida a melhor opção para uma abertura de impacto) tem um refrão poderoso que se arrasta sem parar, mas funciona porque a dupla Orzabal e Smith criam uma progressão sombria, quase ameaçadora, acrescentando cada vez mais daquelas camadas sonoras e harmonias vocais a cada passo. O engraçado é que, embora a música seja, em essência, uma convocação para que todos os deprimidos do mundo sigam o exemplo da banda, ela não tem nada de sermão nem é uma música imbecil, talvez porque saibamos que os caras não estão a fim de fingir, e que ela é, na verdade, uma revelação profundamente pessoal. Eu sei que acabei de dizer que não conseguia atingir as profundezas da alma do Sr. Orzabal, mas esta, com certeza, é uma exceção que confirma a regra: 'Shout' é um grito, mas de dor: "DÓI! DÓI! DÓI!".

E se você gostar da música, há muito material de excelente qualidade mais - uma parte dele ligeiramente comprido demais, mas nunca sem pegada. 'Everybody Wants To Rule The World' é um exemplo raro daquelas marchas "militares" de cadência média e compasso quaternário (tão amadas por roqueiros fora de sintonia como o "finado" Rod Stewart) em que a música em questão se salva por causa de uma pegada vocal imaculada e intrincada. Ouçam essa música e me digam se os caras não têm talento para melodia. Eles têm. Essa faixa tem até guitarras estridentes em quantidade suficiente para que ela seja ouvível até para quem ouve Depeche Mode em quantidades homéricas.

'Mothers Talk' não tem nada a ver com o Frank Zappa, mas é uma das faixas mais vibrantes de todas as músicas da banda, e eu posso facilmente imaginar essa faixa tocada por alguém como o Prince. (Isso é um elogio, caso vocês tenham suspeitado o contrário).

O mini-medley 'Broken/Head Over Heels' também é excelente, e eu consigo imaginar a Madonna interpretando. (Tá bom, estou perdendo a mão. Parando AGORA com as analogias).

Enfim, todas essas músicas são boas. Foram estragadas pela produção, com certeza, mas não me entendam mal. Basta olhar além da primeira camada para encontrar, de vez em quando, uma pegada bem interessante, um ritmo legal e uma quantidade enorme de angústia e vazio (e, às vezes, otimismo).

Agora vamos para as outras duas ou três músicas que eu acho que não disse que são uma porcaria.

'The Working Hour' é muito comprida e o arranjo é muito astuto, e, aparentemente, é uma música muito importante para o "conceito" do disco, mas meus ouvidos a ouvem apenas como uma "ração musical" genérica dos anos 80; quem quiser ouvir uma balada contemporânea sentimental cujo arranjo é de extremo bom gosto pode procurar o disco de estréia da Sade, no qual os saxofones são muito bem aproveitados. (Para quem não sabe o que é uma balada no contexto musical, ouça "Faroeste Caboclo". É o primeiro exemplo que me vem a cabeça agora, mas é perfeito para explicar).

A balada para piano 'I Believe', por outro lado, é extremamente despojada, mas o Orzabal não é nenhum Paul McCartney, cacete, e não é nem sequer um Elton John, e, na minha nada humilde opinião, seqüências duras de quatro ou cinco notas no piano, tocadas à exaustão, não fazem uma boa música.

Para encerrar, a última música, 'Listen', não passa de um muzak torturantemente comprido, que funciona por mais ou menos um terço da duração (e até mesmo esse terço tem uma sonoridade que dá a impressão de que o Sr. Paul McCartney "mencionado supra" roubou dele metade das idéias para o disco Press To Play).

Portanto, meus caros, deu para perceber que eu não considero Songs From the Big Chair uma obra-prima. Também dá para perceber, agora, por que os anos 80 produziram tanto lixo musical. Se esses caras escrevessem as mesmas melodias nos anos 60, ou até nos anos 70, quando não dava para disfarçar as "secas" de criatividade com baterias eletrônicas nauseabundas e uma produção cheia de eco, este disco pelo menos seria muito (mas muito) mais aceitável para os ouvidos de hoje. É claro, ele ainda é aceitável, mas eu duvido que a maioria das pessoas sequer queira dar uma segunda chance a ele, que, com certeza, é bem merecida.

Política de alimentos x escolhas individuais


O arroz é o alimento básico de bilhões de pessoas. Embora seja uma excelente fonte de calorias e carboidratos, o arroz branco não tem os nutrientes necessários para uma dieta equilibrada (Como me disse certa vez um cardiologista, "arroz não passa de excipiente q.s.p."). Até mesmo as populações que têm acesso a uma quantidade suficiente de calorias provenientes do arroz para seu sustento podem, mesmo assim, estar sujeitas à desnutrição. Uma forma especialmente universal de desnutrição é a deficiência de vitamina A.

A Organização Mundial da Saúde calcula que entre 250 mil e 500 mil crianças ficam cegas todos os anos devido à carência de vitamina A. Um dado ainda mais infeliz é que aproximadamente metade dessas crianças morrerão no espaço de 12 meses. Esse é um problema gravíssimo que os cientistas Ingo Potrykus e Peter Beyer esperavam solucionar com a engenharia genética.

Em 1982, os cientistas começaram a pesquisar uma maneira de fortificar o arroz para ajudar a combater a deficiência de vitamina A. Em 1999, Potrykus and Beyer apresentaram um protótipo chamado “arroz dourado”. O arroz dourado contém beta-caroteno, que, às vezes, é chamado de “pro-vitamina A” porque pode ser transformado pelo corpo em vitamina A. O beta-caroteno é encontrado em vários legumes, mas não no arroz. Os dois pesquisadores descobriram que o arroz tinha todos os mecanismos necessários para produzir o beta-caroteno, mas não tinha os genes para "ativar" essa capacidade. O novo arroz foi criado através de engenharia genética, primeiramente transferindo dois genes do narciso no arroz e, depois, incorporando um gene do milho e outro gene encontrado num microorganismo comum do solo.

Grupos ambientalistas se opuseram com veemência ao arroz. Embora os inventores ofereçam a semente sem custo algum, na esperança de que os agricultores de zonas rurais pobres do mundo consigam usar a invenção deles em proveito próprio, ninguém conseguiu, ainda, autorização para plantá-lo. Mesmo assim, a idéia de fazer com que lavouras básicas produzam beta-caroteno "pegou". Em Uganda, pesquisadores estão testando uma “banana dourada” criada por meio de engenharia genética, que, segundo eles, pode ajudar a combater a desnutrição em populações que têm na banana sua fonte principal de calorias.

Causa espécie um argumento dos ambientalistas contra esses alimentos "dourados". Eles dizem que esses alimentos não são bons o suficiente. O arroz dourado foi tachado de "falsa esperança" e acusado de ser uma “farsa”. O motivo? Essas pessoas argumentam que o arroz dourado não tem como ajudar a atenuar a deficiência de vitamina A, pois, aparentemente, os seres humanos transformam o beta-caroteno em vitamina A de maneira mais eficiente quando a dieta também conta com gorduras, e, provavelmente, as pessoas desnutridas não ingiram gorduras em quantidade suficiente.

Há alguma controvérsia quanto à quantidade de gordura extra necessária numa dieta para que o beta-caroteno seja mais bem aproveitado (a banana e o arroz contêm baixo teor de gordura). Também há algumas evidências de que, mesmo sem nenhuma gordura a mais, o beta-caroteno presente no arroz dourado (ou nas bananas douradas) pode ser transformado em vitamina A nos desnutridos e ajudar a aliviar os piores sintomas da deficiência de vitamina A. O arroz dourado ou as bananas douradas também podem substituir legumes verdes folhosos (que também contêm beta-caroteno) quando estes não estiverem à disposição para ajudar a reforçar a vitamina A.

Contudo, independentemente de as pessoas decidirem ou não se querem plantar e consumir o arroz dourado, elas devem ter a possibilidade de tomar essa decisão. Num mercado livre, fatos sobre nutrição naturalmente influenciariam as decisões dos indivíduos (nutricionistas, empresas produtoras de sementes, agricultores, organizações beneficentes e consumidores) sobre o desenvolvimento, o plantio e o consumo de um determinado alimento. Mas vivemos num mundo em que essas decisões são passíveis de coerção por parte do governo através de financiamentos de grande porte e programas de regulamentação.

Esse é, também, o tipo de decisão que grupos ambientalistas como o Greenpeace querem tomar pelas pessoas. Eles defendem “hortas caseiras e suplementos vitamínicos” para combater a deficiência de vitamina A e destroem de maneira boçal e soberana campos de teste onde alimentos geneticamente modificados são cultivados. Eles também pressionam os governos para que proíbam as populações desnutridas de tomar essas decisões com independências. Esses grupos consideram uma vitória quando os governos fazem com que o plantio, o consumo, a venda ou a importação de alimentos geneticamente modificados, como o arroz dourado, sejam atividades fora da lei.

Quando as decisões sobre alimentos passam a fazer parte da esfera política, todos os tipos de grupos de pressão têm o poder de influenciar o braço forte do governo. Eles usam esse poder para empurrar goela abaixo dos cidadãos programas que limitam as opções, atrapalham e até mesmo proíbem que alimentos cheguem às pessoas que podem querer consumi-los.

Esse é um dos motivos pelos quais o debate sobre alimentos geneticamente modificados é importante, e pelos quais tenho muito mais a dizer sobre essas questões.

Charlton Heston 'Só Por Cima do Meu Cadáver' - Discurso sobre Patriotismo, Independência e Liberdade


Sempre que nossa pátria se encontra diante do perigo, um instinto parece convocar primeiro os melhores, aqueles que a entendem de verdade.





Quando a independência estremece à sombra fria do verdadeiro perigo, são sempre os patriotas a primeiro ouvir o chamado.





Quando a perda da liberdade paira sobre nós, como agora, o alarme soa primeiro nos corações da vanguarda da independência. O cheiro da fumaça no ar das nossas pontes de Concord e dos nossos Pearl Harbors é sempre sentido primeiro pelo homem do campo, que sai do seu humilde lar para encontrar o fogo e a luta, pois ele sabe que uma substância sagrada reside naquele pedaço de madeira e naquele aço azulado, algo que dá ao mais comum dos homens a mais incomum das independências.





Quando mãos comuns podem possuir um instrumento tão extraordinário, isso simboliza a plena medida da dignidade e liberdade humanas. É por isso que essas seis palavras nos convocam de maneira tão irresistível, e nos reunimos. Então... como, neste ano, estamos dispostos a derrotar as forças da discórdia que nos tirarão a independência, quero dizer essas palavras de luta para que todos ao alcance da minha voz ouçam e prestem atenção, e especialmente o senhor, Sr. Gore: Só por cima do meu cadáver!





(Leia o original aqui)