domingo, 25 de agosto de 2013

Amarildo mártir? Faz-me rir!

Brasil e mundo estão em polvorosa com a morte do tal do Amarildo, e o objetivo é inscrevê-lo no rol dos mártires e heróis da Pátria, com o apoio amplo, geral e irrestrito da mídia. Essa iniciativa tem dois objetivos claríssimos: desestabilizar a polícia militar e encher de mimos e afagos o o narcotráfico.

A campanha para responsabilizar a PM a qualquer custo pela morte de Amarildo, cujo reflexo mais visível são as mobilizações quase diárias nas ruas, está sendo "cozida" por organizações internacionais desabridamente interessadas no fim da corporação, sob o pretexto de que a militarização da polícia constitui violação atroz do que elas definem como “direitos humanos”.

Em 2012, a ONU, sob pressão do lobby dos “direitos humanos”, cuja preocupação se resume ao bem-estar da bandidagem, já recomendou ao Brasil, em flagrante interferência com a soberania do país, que a "desmoralizada" Polícia Militar fosse extinta.

A rigor, esse clima de guerra contra a PM e o governo do Sérgio Cabral uma motivação bastante definida: o modelo adotado de combate ao narcotráfico, que foi um dos seus poucos acertos. Sem sombra de dúvida, no momento azado, esse modelo causaria enorme desconforto entre as alas esquerdas mais radicais no Brasil e em outros países.

Além disso, é incontestável que os policiais militares são defensores da lei e da ordem, defesa essa que, para os esquerdistas, é sistematicamente contestada como instrumento de pura e simples repressão.


A ocupação das favelas através das UPPs obrigou os narcotraficantes e seus parceiros esquerdistas a "apertar o cinto", pois consumo e distribuição foram severamente prejudicados, mas o impacto mais importante se deu nos desdobramentos políticos da medida.

As ramificações dessa rede satânica se encontram em quadrilhas internacionais (como as FARC) e nacionais (por exemplo, Comando Vermelho e PCC). Isso é sabido e consabido de longa data. Leiam o trecho abaixo (o grifo é meu):
Dezoito traficantes da facção criminosa Comando Vermelho, que domina o tráfico de drogas em várias favelas no Rio de Janeiro, vão periodicamente à fronteira do Brasil com a Colômbia para comprar cocaína diretamente com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os bandidos são alvo de investigação da Polícia Federal.
Eles ocuparam o espaço que já foi exclusivo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, até ele ser capturado, há cinco anos. A prisão do megatraficante - que era responsável pela distribuição de drogas na maior parte das favelas do Rio - foi justamente em território colombiano.”
(link da notícia aqui)

Em 2010, uma reportagem d'O Estado de S. Paulo denunciava a ligação entre os interesses políticos e ideológicos do PT e o narcotráfico, intermediados pelo trabalho do Foro de São Paulo, deixando patente a aliança entre o PT e as FARC - denominada pelo PT como um mero “movimento insurgente”, apesar de suas atividades claramente criminosas. Eis um trecho da reportagem:
“O Foro reúne-se periodicamente com os partidos-membros e simpatizantes para avaliar estratégias e táticas que favoreçam o ideal que o gerou. Lula, que disse mais de uma vez que nunca foi de esquerda – e outras tantas que é -, divide com Fidel Castro as honras de personagem mais ilustre do Foro. 
Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Daniel Ortega (Nicarágua) e Rafael Correa (Equador) são outras figuras ilustres a integrá-lo. Nele, debatem-se as conjunturas dos governos do continente: impasses, soluções, ações e reações, de acordo com uma visão estratégica que se afine ao objetivo que o inspira. 
As Farc, apesar de seu perfil criminoso, sempre foram recebidas como grupo político legítimo no âmbito do Foro, participando intensamente dos debates. O PT diz que as relações das Farc com o Foro foram rompidas depois que abandonaram, a partir de 2002, as negociações para um acordo de paz na Colômbia e enveredaram pelo caminho dos seqüestros e do narcotráfico. 
O governo Lula diz jamais ter tido qualquer tipo de contato com as Farc, mas recusa-se a classificá-las como terroristas. Consideram-nas um grupo insurgente. Nada mais.”
Para quem quiser ler a íntegra da reportagem, o link está aqui.

Aliás, recomendo a leitura integral da reportagem para entender um pouco desse quebra-cabeças macabro. As conexões são irretorquíveis.

Obviamente, querida leitora, não sou ingênuo a ponto de ignorar que o crime organizado polui a política, e que a onda de protestos dirigida a Sérgio Cabral, às UPPs e à PM é comandada e organizada pela ala mais corrupta e radical da esquerda, que se beneficia direta ou indiretamente do narcotráfico.

A demagogia da campanha para localizar o corpo do tal do Amarildo clama aos céus e pede castigo. Hoje, o Amarildo está em vias de ser transformado em herói da esquerda radical, que se compraz em fabricar mártires para suas causas (que, além disso, fornecem nomes para o batismo dos tais "coletivos" e "espaços comunitários" dessa gente), pois o catecismo revolucionário pelo qual rezam prega que os fins justificam os meios.

Segundo o delegado Ruchester Marreiros, Amarildo era um bandido que favorecia as ações de narcotraficantes na favela da Rocinha. Deu no Terra em 8 de agosto (os grifos são meus, todos meus, o martelo também):
“O delegado assistente responsável pela investigação que resultou na operação Paz Armada, na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, acusou, em entrevista à rádio CBN, que o delegado Orlando Zaccone descartou o relatório dele que indicava que o pedreiro Amarildo de Souza e a mulher, Elisabete, faziam parte do esquema de tráfico de drogas da comunidade. Segundo Ruchester Marreiros, Amarildo facilitava reuniões de traficantes na casa dele e permitia que a residência fosse usada como rota de fuga, além de dificultar ações policiais na favela. 
‘Fizemos um trabalho de investigação que não foi levado em conta pelo delegado e nem pela promotoria’, disse Ruchester, que indicou no relatório que Amarildo e outro adolescente ligado ao tráfico teriam danificado as câmeras da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.”
Contudo, quando o delegado começou a investigar o caso com isenção e seriedade à toda prova para chegar à verdade dos fatos, ocorreu algo "mágico": seu trabalho foi para a lata do lixo. Sua versão e as provas obtidas foram varridas para debaixo do tapete. Afinal, para os esquerdistas, quem é ele para arranhar a imagem de mártir do Amarildo, n'est-ce pas?.

O poder da esquerda, exercido em grande parte pelo controle da imprensa e por seu dinheiro sujo, tem o condão de fabricar as versões mais proveitosas para ela (afinal, "estamos em guerra com a Lestásia. Sempre estivemos em guerra com a Lestásia). Tal é esse poder que vem se infiltrando nas instâncias investigativas oficiais e judiciárias. Alguém é irresponsável a ponto de duvidar disso?

Quem se lembra da engenheira Patrícia Amieiro, desaparecida desde 2008?



As esquerdas radicais "cantaram e andaram" quando a jovem que sumiu, muito provavelmente vítima de execução por maus policiais militares.

Ocorre que a imprensa não deu a esse caso um décimo da importância dada ao caso Amarildo. Pensem: a jovem era branca, não era favelada, na época praticamente não havia UPPs, e o caso não envolvia narcotráfico.

Enfim, as esquerdas se preocupam exclusivamente com o Amarildo. Quanto ao caso Patrícia, o máximo que farão será usá-lo em proveito da sua campanha pela extinção da PM.

Sei que o texto está longo, mas estou chegando aos finalmentes.

Amarildo já foi canonizado pela igreja (lato sensu) macabra das esquerdas. É perfeito para ser aproveitado como o arquétipo da vítima de abuso policial: negro, pobre, favelado, etc.

Nesse contexto, Amarildo é usado (e abusado post mortem) como mártir da causa da esquerda contra as UPPs, que levam a pecha de opressoras da população da "comunidade" (novilíngua para "favela"), muito embora a maior probabilidade, segundo as investigações do delegado Ruchester, seja de que Amarildo tenha sido mais um bandido morto pelos próprios traficantes.

Parafraseando Euclides da Cunha, "o esquerdista é, antes de tudo, um esquizofrênico". Esquerdismo é, sim, doença mental grave. Por isso, tratam casos semelhantes de maneira ambivalente e cínica. O caso Amarildo ganha os holofotes da imprensa unicamente mercê do perfil do defunto, do ambiente político do momento e dos interesses que circundam sua morte; o caso Patrícia, por sua vez, é simplesmente esquecido.

Para dizer a verdade, do ponto de vista humano, as esquerdas estão se lixando para ambos os casos.

A família de Patrícia, decente, não quis fazer da morte dela um fato político. Já a família de Amarildo (certamente tendo recebido "afago$ e agrado$"), deixa-se manipular pela caterva da esquerda radical interessada em canonizá-lo por ser ele uma vítima de suposta opressão policial e em busca de mero pretexto para a campanha contra a PM.

A articulação entre o narcotráfico nacional e internacional e a esquerda saltam aos olhos, tendo seu núcleo político e diretivo no Foro de São Paulo. O dinheiro gerado pelo crime organizado abastece o caixa-dois de partidos, movimentos sociais e ONGs de esquerda, e a repressão efetiva ao narcotráfico faz rarear esses recursos.

Para acabar: contar o caso Amarildo e falar sobre ele sem expor todas essas questões equivale a contar a versão "amputada" da comissão da "meia-verdade" de que os militares foram torturadores. É intelectualmente desonesto reduzir o assunto sem analisar os interesses desse macabro esquema internacional.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Resenha: In Praise of Prejudice ("Elogio ao Preconceito"), de Theodore Dalrymple


Certa feita, uma pessoa me disse que a essência da sabedoria é a capacidade de fazer distinções. Ele disse o seguinte: "Os esquimós têm 14 (a memória me trai sobre o número exato, mas a idéia é essa) palavras diferentes para se referir à neve. Em português, só temos uma: 'neve'. Então, quem sabe mais sobre a neve?"

Intencionalmente ou não, essa pessoa tem um argumento muito bom para defender que a capacidade de detectar e exprimir distinções é o coração da sabedoria. O livro dos Provérbios, que é o livro da sabedoria mais conhecido do cânone judaico-cristão, é, essencialmente, uma lista de argumentos que incentiva a discriminação: sabedoria é X, estupidez é Y; uma mulher "para casar" é X, uma mulher que merece ficar sozinha é Y; um homem de Deus é X, um gentio é Y, e assim por diante. Hoje em dia, o que mais vemos pela aí são pessoas estúpidas às mancheias. Não se enganem: um dos principais motivos pelos quais as pessoas se estupidificaram é a perda da capacidade de fazer distinções, tenham elas perdido ou abandonado essa capacidade voluntariamente ou por meio de intimidação.

A capacidade de fazer distinções é conhecida como "discriminação". Quando falamos de um enófilo experiente (por exemplo, eu), dizemos que ele sabe "discriminar um bom vinho de uma zurrapa". As noções que levamos na mente em virtude do conhecimento profundo sobre vinhos (ou cervejas, ou chocolates, ou carros de luxo, whatever) são, naturalmente, chamadas de "estereótipos" (por exemplo: o Sauvignon Blanc chileno é uma 'bomba de maracujá'; cervejas comerciais brasileiras são como urina engarrafada; os chocolates suíços são quase sempre os melhores; etc.) A idéia de que certas coisas são preferidas ou rejeitadas de acordo com o conhecimento que adquirimos sobre elas é conhecida como "propensão" ou "preconceito".

Hoje em dia, "preconceito" é uma palavra estigmatizada. Os esquerdistas (tanto aqui em Banânia quanto alhures) conseguiram convencer a todos de que: 1) o preconceito em geral é ruim porque o preconceito racial é ruim, e 2) pessoas realmente inteligentes não têm idéias preconcebidas de espécie alguma e passam o tempo todo tentando reinventar a verdade. No campo da Política, esse tipo de pessoa é classificada como "moderada". Já, quem trabalha num canteiro de obras chama esse tipo de pessoa simplesmente de "idiota".

Todos nós trabalhamos com estereótipos e preconceitos, e a vida seria inviável sem eles. Durante a infância, os pais tentam instila em seus filhos determinadas idéias para que eles entendam como o mundo funciona e para que eles consigam interagir com o mundo de maneira segura. Depois, os filhos acabam entrando numa universidade onde algum professor esquerdista tenta arrancar deles os "preconceitos", fazendo-os voltar à infância.

Vou dar um exemplo banal: sempre que eu entro num cômodo e vejo um interruptor na parede, pressuponho que, se acionar esse interruptor, uma luz se acenderá (seja nesse cômodo ou nalgum outro lugar). Esse estereótipo do interruptor é bastante útil. Em vez de perder um tempo absurdo "dialogando" com o interruptor quando entro num cômodo para tentar conhecê-lo sem interferências externas, eu vou até ele com ar "boçal e soberano" e - surpresa das surpresas, uma luz se acende nalgum lugar!

Isso pode dar errado? Pode, é claro. Quando me mudei para a casa onde moro atualmente, acionei um interruptor na cozinha, esperando que uma das luminárias se acendesse. Qual não foi minha surpresa quando ouvi o irritante barulho do exaustor de parede. Às vezes, aciono um interruptor e não acontece nada, ou pelo menos aparentemente acontece alguma coisa. Sempre que não acontece nada quando eu aciono um interruptor, me lembro de uma cena que vi num seriado, em que o sujeito apertou um botão várias vezes e aparentemente não aconteceu nada, mas, depois, ele viu que a porta da garagem do vizinho estava subindo e descendo.

"Onofre..."
Contudo, o número de vezes em que eu me enganei em relação a um interruptor é ínfimo. E quando encontro um interruptor que aparentemente não acende uma lâmpada, sou suficientemente inteligente para desconfiar que ele serve para ligar o ventilador de teto, o exaustor, a cadeira elétrica, ou para explodir uma bomba na casa do meu vizinho inconveniente. Com esse circunlóquio todo, quero dizer que é melhor viver com a predisposição de achar que esses tipos de interruptores acendem luzes e, de vez em quando, lidar com as exceções do que entrar em cada cômodo sem predisposição alguma e esperar que os interruptores nos digam para que servem.

Levado às últimas conseqüências, o "politicamente correto" nos levaria a passar a vida inteira investigando interruptores de luz, mesmo sabendo, com 99,99999% de certeza, como as coisas da vida funcionam. Por exemplo, salta aos olhos de qualquer um que as mulheres são muito mais emotivas que intelectuais (o número de mulheres intelectuais que conheci na vida é pequeno, uma "meia dúzia de tres").

Salta aos olhos que um volume desproporcionalmente alto de crimes é cometido por pessoas que moram em favelas, embora os esquerdistas de plantão se regozijem ao dizer que as prisões realizadas nas "comunidades" (termo tão caro a eles) são um problema gravíssimo, mas não por causa da criminalidade! - Não, pelamordedeus! - mas por causa da falta de oportunidades econômicas, ou de escolas, ou de TVs de LCD, ou de Xbox, ou o que for.

Salta aos olhos que os petistas, PSOListas, PSTUzistas, e outros esquerdistas menos cotados e votados sejam as pessoas mais anti-intelectuais deste mundo, Qualquer estudo sério realizado por não-esquerdistas certamente constatará que os vermelhos tirariam notas baixíssimas numa prova com perguntas que versassem sobre questões factuais relacionadas à Política. E a lista poderia prosseguir ad nauseam....

Theodore Dalrymple vai muito mais fundo nesse assunto. Ele argumenta não só que o preconceito deveria ser deixado em paz (eu faço isso cotidianamente), mas incentiva e elogia de verdade o preconceito. Embora eu seja da opinião de que não devemos rechaçar nenhum conhecimento que chegue a nós, Dalrymple nos incentiva a buscar efetivamente oportunidades de exercer o preconceito! Bem, talvez não, mas seu livro In Praise of Prejudice ("Elogio ao Preconceito", em tradução livre - o livro ainda não foi publicado no Brasil) certamente pode e deve ser lido mais de uma vez (eu estou começando a segunda leitura).

Dalrymple nos incentiva a instilar em nossos filhos nossos preconceitos sobre temas como vida, filosofia, religião e política, e fundamenta esse incentivo: se não fizermos isso, "[nossos] filhos sempre escolherão a mesma coisa, aquilo que os atrair e gratificar da maneira mais imediata". Eles optarão por gastar em vez de poupar. Eles optarão por mentir para se livrar de problemas, em vez de desenvolver um caráter moral para dizer a verdade e arcar com as responsabilidades e conseqüências de seus atos. Eles optarão por se entupir de açúcar e, no futuro, encher o saco da família e dos médicos com os problemas derivados dessa escolha. Nesse aspecto Dalrymple acertou na mosca.

Dalrymple argumenta, ainda, que alguns preconceitos acabam provando ser verdadeiros e válidos (como provei acima a respeito dos interruptores) e devemos nos recusar a passar adiante esses falsos preconceitos (como o mito do Aquecimento Global, o mito de que "Homens e Mulheres são Iguais", e o mito de toda a plataforma petista), que podem acabar substituindo a verdade. Ele argumenta também que, ao fim e ao cabo, não instilar nas crianças os estereótipos e preconceitos corretos é um ato de extrema crueldade, pois, dessa forma, elas serão lançadas no mundo sem os instrumentos mínimos para participar da realidade, ficando à mercê de vigaristas e mentirosos de toda sorte (por exemplo, Lula e Dilma). Outro argumento de Dalrymple é que, no fim das contas, o preconceito é inevitável, pois o antigo preconceito contra os negros acabou sendo substituído pelo preconceito contra os brancos.

Ele afirma, com justiça, que nem a autoridade nem os usos e costumes (fontes freqüentes de preconceitos) são errados nem violentos por si mesmos. Na verdade, assuntos e fatos que circulam há tempo suficiente para se tornarem costumes têm maior probabilidade de estarem corretos ou serem verdadeiros do que assuntos e fatos vindos à tona em 1968, e questões das quais é possível falar com conhecimento de causa  são muito mais propensas a serem verdadeiras e corretas do que questões que precisam ser tratados com evasivas ou alusões vagas, do tipo "esperança e mudança".
Dalrymple afirma que, ao fim e ao cabo, "discriminação" significa "tomar uma decisão adequada", e que os esquerdistas, que nunca tomam decisões adequadas, aproveitaram a associação dessa palavra com "racismo" para entorpecer as faculdades cognitivas de três gerações. Ele observa que, quando era jovem, "Uma pessoa que não discriminasse, ou que não tivesse capacidade de discernimento, era uma pessoa sem gosto, sem moral ou sem intelecto [e, socialmente] provavelmente não tivesse discernimento em seu comportamento". Isso explica a popularidade do que se chama (incorretamente) funk. Infelizmente, a vida intelectual do brasileiro ficou tão poluída quanto a programação das rádios FM exatamente porque a falta de discriminação faz com que as pessoas percam a capacidade de discernir entre a verdade e a mentira, a beleza e a feiúra, ou mesmo entre o bem e o mal. Isso explica o BBB, o Teste de Fidelidade, o programa da Ana Maria Braga... Na vida intelectual brasileira, assim como na cultura pop destas plagas, o brega passou a ser o substituto constante da verdade.

Intelectos imponentes como Aristóteles, Platão (e Sócrates, através deste) e Adam Smith acreditavam no valor irrefutável do preconceito. Quem rechaça dez mil anos de história intelectual, filosofia e religião em favor do choramingo vago e emotivo da geração de 1968 deveria perceber que nós, conservadores, reconhecemos a "porrada" dos estereótipos exatamente porque os estereótipos vigentes antes de 1968 eram válidos, e que manter a capacidade de discernir entre o bom e o ruim é uma necessidade moral. Essa percepção não é uma tentativa de impor nossas crenças a quem quer que seja. Entretanto, a idéia radical de que cada indivíduo tem o direito de determinar sozinho o que é certo e errado, verdadeiro e falso é incompreensivelmente autista e orgulhosa. Embora as pessoas capazes de emitir uma opinião correta seja, muitas vezes, consideradas "arrogantes" ou, como dizem os franceses, remplies d'elles mêmes pelos pigmeus morais cujas dietas intelectuais e morais são ditadas pela cultura pop, não há arrogância mais radical do que rechaçar por atacado 10 mil anos de verdade e sabedoria em favor do direito de projetar um mundo "personalizado".

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Google: usuários do Gmail não devem esperar privacidade em seus emails

Tradução de matéria de Dominic Rushe no The Guardian de hoje (http://www.theguardian.com/technology/2013/aug/14/google-gmail-users-privacy-email-lawsuit)

google for nonprofits charities
O Google afirma que os autores da ação fizeram 'uma tentativa de criminalizar práticas
comerciais normais' que fazem parte do Gmail desde a sua criação. Foto de Walter Bier
Os usuários do Gmail não têm "expectativa cabível" de que seus emails sejam confidenciais, afirmou o Google em declaração apresentada ao tribunal.

O Consumer Watchdog, grupo de defesa que revelou a declaração, considerou a revelação uma "impressionante admissão". Ela vem no momento em que o Google e suas coirmãs vêem-se pressionados para explicar sua função na vigilância em massa de cidadãos norte-americanos e cidadãos de outros países pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA.

"O Google finalmente admitiu que não respeita a privacidade", afirmou John Simpson, diretor do projeto de privacidade do Consumer Watchdog. "As pessoas deveriam aceitar a sinceridade deles e agir proporcionalmente a ela: se você se preocupa com a privacidade dos emails das pessoas com quem se corresponde, não use o Gmail".

O Google expôs seu argumento no mês passado, buscando o arquivamento de uma ação coletiva que acusa o gigante da tecnologia de infringir as leis de interceptação de comunicações quando examina os emails a fim de dirigir anúncios publicitários aos usuários do Gmail.

Essa ação, interposta em maio, afirma que o Google "abre, lê e obtém ilegalmente o conteúdo das mensagens de correio eletrônico particulares das pessoas". Ela cita Eric Schmidt, presidente executivo do Google: "O Google tem por política ir até o limite do repugnante, e não ultrapassá-lo".

"Sem o conhecimento de milhões de pessoas, diariamente e durante anos, o Google sistematicamente e intencionalmente ultrapassou o 'limite do repugnante' para ler emails particulares que contêm informações que ninguém quer que alguém saiba, e para obter, coletar ou extrair informações valiosas dessas correspondências", afirma a ação.

Em sua petição pelo arquivamento do processo, o Google afirmou que os autores estavam fazendo "uma tentativa de criminalizar práticas comerciais normais" que fazem parte do serviço do Gmail desde a sua criação. O Google afirmou que "todos os usuários de e-mail devem, necessariamente, esperar que suas mensagens sejam passíveis de processamento automatizado".

Segundo o Google: "Assim como quem envia uma carta a um colega de trabalho não pode se surpreender caso a secretária desse destinatário abra a carta, quem usa sistemas de e-mail na Web hoje em dia não pode se surpreender caso suas comunicações sejam processadas pelo SCE [serviço de comunicações eletrônicas] do provedor do destinatário durante a entrega".

Citando outro processo sobre privacidade, os advogados do Googl afirmaram que "afirma-se muito pouco na petição inicial sobre a relação específica entre as partes e sobre as circunstâncias específicas [
das comunicações em questão] para levar à conclusão plausível de que, em tal comunicação, possa haver uma expectativa objetivamente cabível de sigilo".

Simpson, crítico de longa data do Google, afirmou: "as alegações preliminares do Google usam uma analogia equivocada. Enviar um e-mail é como entregar uma carta aos Correios. Eu espero que os Correios entreguem a carta de acordo com o endereço escrito no envelope, e não que o carteiro abra minha carta e a leia".

"Da mesma forma, quando eu envio um e-mail, espero que ele seja entregue ao destinatário previsto com uma conta do Gmail de acordo com o endereço eletrônico. Por que eu deveria esperar que seu teor fosse interceptado e lido pelo Google?"