terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Libertários: humanos, sim; humanistas, nunca

Todo mundo conhece os argumentos contra essa noção, mas eu chego à conclusão (relutando um pouco) de que os libertários são, de fato, humanos. Afinal de contas, a nossa espécie contém incontinentes verbais, deficientes mentais, os incuravelmente idiotas e Walter Block.

Walter Block é um acadêmico idoso inspirado por Ayn Rand, Nathanial Branden e Murray Rothbard. Os libertários o consideram agradável e até mesmo animado. Ele é professor de Economia na Universidade Loyola (da mesma ordem religiosa do papa Francisco, ou seja, jesuíta), mas na Louisiana (o centro histórico dos demagogos nos Estados Unidos), então empatou. Ele é adepto da Escola Austríaca (o que não é nada negativo), mas se intitula anarco-capitalista e “ateu praticante” (com 3,3 em 10 dá para passar?).

Em suas palavras (mas com grifo meu, sempre meu), ele “fortaleceu o libertarianismo para torná-lo mais coerente”. Ele pode ter se esquecido da idéia de Ralph Waldo Emerson, de que “uma coerência insensata é o duende das mentes pequenas” pois, ocupado com as grandes questões, ele reafirma o direito das pessoas de vender-se como escravos.

Talvez um contrato voluntário possa prever grilhões confortáveis e a escolha da chibata (por falar nisso, isso pode acontecer bastante no burgo nova-iorquino do Brooklyn, onde Block nasceu, especialmente depois de Cinqüenta Tons de Cinza).

Ele começa falando sobre o aborto, defendendo o direito da mulher de despejar o feto do seu útero como um inquilino indesejável num apartamento alugado (talvez, se o rebento tiver o dinheiro do aluguel, ele possa ficar). 

Ele sustenta que as grávidas podem chacinar os nascituros se (a) o feto for “inviável” fora do útero; depois (b) se a mãe abrir mão do seu direito à “guarda” da pessoinha à espreita dentro dela, e (c) se “ninguém mais tiver ‘reivindicado’ esse direito, oferecendo-se para cuidar do feto”. (Juro que não inventei nada disso). Talvez, com “inviável”, ele queira dizer "se o feto não conseguir um cartão de crédito até o terceiro trimestre. 

Então, se a mamãe publicar um anúncio no jornal dizendo ao seu "bacurinho" não-nascido que o contrato de aluguel venceu e que ele tem que sair, poderia outra mulher “reivindicar a posse”, oferecendo um útero a título gratuito com vista para o mar? Nesse caso, quem paga a mudança? Ou ela pode prometer uma adoção e obrigar a mãe biológica a carregar o nenê até o final? Ou, ainda, precisaria a candidata a mamãe pagar o aluguel do útero à mamãe titular e, nesse caso, com água e luz incluídas? É pra pensar. 

Então, ele explica que se “ninguém mais no mundo” quiser o feto, o nascituro pode ser usado por seu responsável para experiências científicas. Não, meus caros, não estou brincando. Isso é reconhecidamente econômico porque, se forem "extraídos" na época certa, os nascituros comem menos do que os hamsters e os ratos de laboratório. Não sei bem como oito bilhões de pessoas conseguirão o direito de preferência, mas acho que, como amam dizer os libertários, “o mercado se encarregará disso”. 

Talvez o amável leitor ache isso uma loucura, mas peço que você leve isto a sério: a coerência libertária está em jogo neste caso.

Walter Block pode até mesmo ser um tradicionalista. Os Estados Unidos têm uma tradição respeitável de ideólogos "excêntricos", começando pelo cristão-talibã comunista na Pedra de Plymouth, passando pelos jacobinos que havia entre os Founding Fathers, por cada camelô de remédios "milagrosos" do século XIX, pelos malucos racistas eugenistas do início do século XX, e chegando aos retardados aquecimentistas globais de hoje e ao Paul Krugman. O que eles têm em comum é a coerência interna.

O modus operandi de Walter Block pode ser simples. No tempo que corre, dizer qualquer coisa profundamente idiota garante espaço na mídia para ajudar a vender de tudo, até Afrin purgante, ou conseguir um emprego de professor na Loyola. 

Seja como for, ele é um outdoor ambulante que anuncia a bondade de uma sociedade relativamente livre. Vamos pensar: se eu estivesse num avião lotado, sentado ao lado dessa praga, eu pagaria feliz para mudar de classe na mesma hora. Se eu estiver num boteco e ele se sentar numa mesa ao lado da minha, eu pago a conta antes de pedir a primeira cerveja. Mas em vez de curtir uma solidão atroz, em vez de ser enxotado de uma cidade para a outra, ele anda pelos EUA de cidade em cidade, indo a reuniões após o horário de aulas em escolas onde autodidatas tão ideologizados quanto ele, mas menos fedidos, se matam para ouvi-lo. De certa maneira, isso é compaixão. 

Mas a coisa muda completamente de figura quando alguém difama os bengalis, que já estão bastante ocupados difamando uns aos outros. Eu gosto deles. Sim, Bangladesh é um dos países mais pobres, infelizes, corruptos, apinhados de gente, disfuncionais e desorganizados que existem (sim, são piores que o Brasil... mas não muito), mas o povo é gente finíssima (bom, o brasileiro também é, né?). 

Embora sejam muçulmanos, a grande maioria dos bengalis não é fanática; as belíssimas mulheres bengalis usam saris e bindis (aqueles pontinhos vermelhos) porque se trata de uma tradição cultural, não especificamente hindu (usar essas roupas em público pode custar um linchamento às moças muçulmanas em algumas partes da nação islâmica do Paquistão). A riquíssima cultura bengali é tolerante, e a cultura deles vem em primeiro lugar.

Bangladesh é prenhe de alegria e discussões acaloradas; de belíssima poesia e prosa cheia de vida; em média, os jornais passam por onze pares de mãos antes de virar embrulho de peixe na tão bengali e vizinha Calcutá. Eles se parecem com irlandeses bronzeados. Eles também fazem piqueniques artesanais, levando os visitantes em chalupas às suas verdejantes aldeias ancestrais onde parentes os esperam com toneladas de acepipes engordativos; especificamente, os doces bengalis são os presentes de jantar que toda anfitriã do sul da Ásia espera ganhar. Os bengalis podem ser artistas e artesãos talentosíssimos, mas o país pode ser um lugar terrível e cruel. Eu adoraria ir a Bangladesh a passeio, mas agradeço aos céus por não ter nascido e por não morar lá.

É aí que Walter Block entra na história. Há pouco tempo, mais de mil trabalhadores da indústria têxtil de Bangladesh morreram no desmoronamento de uma fábrica caindo aos pedaços em Dacca. Sapassado (os mineiros entenderão), o Wall Street Journal culpou os consumidores americanos que insistem em comprar roupas baratas feitas, supostamente por necessidade, em prédios precários (muito estranho... se eu quero comprar roupas caras, por que não comprar em Paris em vez de Dacca?). Como não poderia deixar de ser, Block culpou quem? Sim, ele, o Estado. O que mais poderia ter vindo de um anarco-capitalista confesso? A ideologia dele associa até a síndrome do refluxo gastroesofágico a tenebrosas conspirações do governo. Não seria ele uma espécie de Sakamoto libertário?

Ele diz que os códigos de segurança e edificações do governo induzem todos a acreditar que as construções (por assim dizer) são seguras. Isso implica que ele nem conversou com um bengali nem pôs as patas no país em que fazer piada de político e dos burocratas, assim como no Brasil, é uma arte. Ele poderia ter se "rebaixado" a falar pessoalmente com um bengali antes de escrever o artigo, mas isso poderia ter estragado o prazer dele.

Depois (surprise, Shanghai!”, já diria Fausto Fawcett) ele afirma que eles só precisam de um Estado libertário que não governe, em que seus custos de produção sejam tão baixos que todos prosperarão. 

Quem quiser vender chiclete, caneta ou cadarço pelas ruas de Dacca precisa pagar uma "semanada" por esse privilégio. Esse dinheiro vai para bandidos "avantajados" que atuam em nível de quarteirão ou até mesmo meio-quarteirão, e que fazem parte de redes maiores de malandros bem maiores. As construtoras "miguelam" no material, a menos que o cliente seja especialista e tenha recursos para fiscalizá-las 24 horas por dia. Os quitandeiros sempre "batizam" o leite com água de rio; a farinha, eles "batizam" com serragem. Remédios falsos letais passam despercebidos até pelo farmacêutico mais honesto e atento. Famílias e até aldeias inteiras morrem pela ingestão de óleo de cozinha contaminado. Qualquer pessoa que não seja ideologicamente contaminada verá que, no meio dessa bagunça toda, um governo é necessário.

O governo de lá atua na repressão de badernas que queimam carros e lojas e espancam pessoas até a morte nas ruas. Os bandidos partidarizados que promovem as badernas não deixariam de promovê-las se o governo e os partidos fossem abolidos; eles simplesmente continuariam sob outra roupagem. Então, quem poderia detê-los? Talvez “o mercado tomasse conta do problema” e os pobres subornariam os "tubarões", e assim por diante.

Segundo Walter Block, os problemas de Bangladesh se resolveriam com a eliminação do governo, administrando ao organismo social uma dose cavalar e catártica de óleo libertário aromatizado com pitadas de Ayn Rand e Murray Rothbard. Ele prega a anarquia. Mesmo assim, o safado do dono da construtora não tem praticamente nada a ver com o governo, além de pagar uma propinazinha para escapar dos impostos. O vendedor de cadarços também vive num estado de anarquia, e ele paga bem caro para que seu produto não seja usado (e lentamente apertado) em volta do seu precioso pescocinho. As cidades de Bangladesh já estão em relativo estado de anarquia, e não do tipo fictício teorizado pelos seguidores de Ayn Rand e pelos débeis mentais contumazes, mas do tipo real, o Estado da Natureza “com dentes e garras sujos de sangue” retratado por Hobbes.

Quem teve paciência de ler este artigo atentamente até agora pode ter tirado quatro conclusões. Primeiramente, nossa moral e nossa ética formam as circunstâncias nas quais vivemos, mais do que o governo ou a falta dele. Um holandês, um canadense ou um japonês podem ter uma visão mais consciente de trabalho, comunidade e cidadania do que, talvez, um grego, um brasileiro ou um bengali. Que o governo seja reduzido de maneira prudente, concordo, mas reduzi-lo em excesso pode acabar com uma série de problemas e, ao mesmo tempo, piorar outros.

Em segundo lugar, estejamos nós falando de Economia, Política ou cuecas, não existe "tamanho único". Cada cultura é diferente e muda muito devagar, isso se mudar. O amável leitor pode argumentar que os cambalachos e a brutalidade cotidianos de Bangladesh decorrem da superpopulação do país, ou do desemprego, ou da pobreza opressora, ou da frouxidão moral nas áreas de comércio e política, ou de uma cultura que oprime os fracos, ou de famílias gigantescas que sempre exercem uma pressão atroz para se portar mal em favor de primos pobres ou gananciosos. Ou pode ser por tudo isso junto. Não importa. Embora um dia seja possível que ocorra uma mudança, nem mesmo um século inteiro de disciplina draconiana ou incentivos ao mercado derrubarão hábitos milenares. Desencanem. Vamos amá-los por seus piqueniques e alimentar seus famintos, e ponto final.

Em terceiro lugar, sentar a rotunda bunda numa cátedra polpudamente financiada confere ao seu ocupante uma licença para falar "groselha" (fundamentada numa quantidade enorme de ignorância e vaidade) para qualquer um que seja suficientemente idiota para ouvir. No entanto, ser um ideólogo ajuda bastante. Daí, é só engolir as próprias merdas e acreditar que sua visão de mundo bem maquinada, prazerosa e de conto-de-fadas ainda merece um tiquinho e credibilidade por causa da... coerência intelectual. Marx, como alguns de vocês devem saber, foi coerente sem nunca se rebaixar a passar um tempinho que fosse com seu amado proletariado, ficando com seu furunculoso cuzinho confortavelmente alapado numa cadeira estofada da Biblioteca Britânica, e suas "brilhantes" idéias mataram mais de 100 milhões de pessoas. Se algum lugar deste mundo fosse idiota o bastante para seguir as instruções cretinas (mas bem urdidas) de Walter Block, o caminho da ruína estaria escancarado. 

Em quarto e último lugar, devemos perceber que a maioria das pessoas que se dizem libertárias é formada por conservadores normais que estão ou confusos ou humilhados pelos ilustres fascistas que falseiam o significado do conservadorismo. Mas se o amável leitor for como eu, às vezes encontrará verdadeiros libertários tão arrogantes quanto o Lúcifer da obra "Paraíso Perdido" (do poeta inglês seiscentista John Milton); tão sombrios quanto a noite; e tão malcheirosos quanto o enxofre dos infernos. 

Esses são pessoas como o "festivo" Walter Block. Embora eles sejam humanos, passam longe de serem humanistas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Caixinha? Não, Obrigado!



Oito e vinte da noite. Estava eu ao telefone no meu home office quando meu sossego foi quebrado pela campainha. Era o coletor de lixo pedindo a famigerada "Caixinha de Natal".

Creio que a maioria dos meus amáveis leitores é importunada por abundantes toques de campainha de vários profissionais pedindo caixinha de Natal. São coletores de lixo, varredores de rua, entregadores de gás, carteiros, leituristas de água e luz, guarda noturno (falo mais sobre essa "espécie" em outro artigo), et caterva.

Eu fico desgraçado da cabeça com a atitude dessa gente. Todos trabalham com carteira assinada (exceto os guardas noturnos), recebem seus salários religiosamente todo mês e, mui provavelmente, ganham décimo-terceiro no final do ano, como qualquer assalariado.

Então, por que saem de porta em porta, qual pezzenti, se prestando a esse papel? Por que essa gente se esforça tanto por convencer a todos que seus empregos são mais importantes? O que eles fazem de tão especial para se acharem diferentes dos outros profissionais?

Voltando ao episódio de 20 minutos atrás: o coletor de lixo apareceu impávido diante de mim pedindo a caixinha. Respondi de bate-pronto: "Você tem um minuto para me convencer a dar caixinha. Quero um único motivo para que eu dê dinheiro a você". Ah, sim. Tem que ser em dinheiro, porque longe vão os tempos em que os pezzenti natalinos se contentavam com um panetone. Se der panetone, tem que dar dinheiro também.

Sabem o que aconteceu? Fui fuzilado com os olhos, ele virou as costas e foi embora encher os pacová do vizinho. A mim não me convencem! Ah, sim! Também usam tática intimidatório-terrorista, com frases como: "Pois é, imagine se o lixo ficasse acumulado na porta da sua casa!", ou "Imagine se a correspondência não fosse mais entregue!". Há quem se intimide. Eu não. Minha resposta é idêntica para todos, sempre "na agulha": "Pois é, se isso acontecesse, você perderia o seu emprego". Tout court.

Ora, porra! Imagine se o operário que trabalha na fábrica de vassouras se arrogasse o direito de pedir caixinha de Natal aos varredores de rua. "Ah, seu varredor, imagine se eu parasse de fabricar vassouras, o que seria do senhor?". E pensem se o gráfico que trabalha na Casa da Moeda imprimindo selos, se o operários da refinaria da Petrobrás, se o operário de Itaipu, se os funcionários das estações de tratamento da Sabesp, se todos eles fizessem o mesmo?

Vocês precisam largar mão de ser hipócritas com demonstrações de pena desses trabalhadores!

Gerador de Comunicados à Imprensa da Coréia do Norte

"Pobrezinho do Elmo! É tão fofo!"

(Leia aqui o artigo original de Rob Beschizza)

Na semana passada, a Coréia do Norte anunciou o julgamento e a execução de Jang Sung, tio "traiçoeiro" de Kim Jong Un, através de um vigoroso comunicado à imprensa repleto de insultos grotescos e descrições floreadas dos malfeitos de Jang.

Mas você sabia que, no mesmo, dia, a República Popular condenou o Elmo à morte?


"Elmo é bonzinho, num mata o Elmo, não!"

É só brincadeira, crianças! Apresento a vocês o gerador de comunicados à imprensa da Coréia do Norte, que gera [em inglês] acusações totalmente fundamentadas no anúncio oficial da semana passada e várias outras declarações feitas ao longo dos anos pelos órgãos de imprensa oficiais da Coréia do Norte. Dá até para acusar seus amigos e publicar no Twitter e no Facebook a "notícia" da iminente execução deles! Atualize a página para gerar uma acusação oficial novinha em folha.

E tem mais: recentemente, a BBC publicou um artigo explicando por que os insultos oficiais da Coréia do Norte são tão exagerados. Eu também seria negligente se não mencionasse o pioneiro Gerador de Insultos Aleatórios da Coréia do Norte, criado pela NK News em 2005.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Arrogante? "That's my middle name, sir!"

Edvard Munch - A Montanha da Humanidade com o Sol de Zaratustra (1910)
Sei que elogio em boca própria é vitupério, amáveis leitores, mas, sou um tradutor extremamente competente, elogiado em verso e prosa por quem contrata meus serviços. Extremamente competente (e, por que não dizer, genial) que sou, me dou o direito de exigir o mesmo nível de competência de outras pessoas que se dizem tradutores, além de esculhambar quem se dispõe a assumir um trabalho de tradução e, excuse my French, cagam e sentam em cima.

Meu excesso de competência me põe a pensar por que cargas d'água as pessoas em geral se regozijam em tachar de arrogante pessoas como eu.

Como a verdade etimológica é libertadora, vamos buscar no latim clássico o significado de "arrogante". O adjetivo vem de arrogans, -antis, particípio presente do verbo arrogo (-as, -are, -avi, -atum). No sentido próprio, "pedir a mais", donde, na linguagem jurídica, temos o significado de "ajuntar", "associar". Esse sentido é abonado em Tito Lívio, Ab Urbe Condita, 7, 25, 11: cui unico consuli, (...) dictatorem arrogari haud satis decorum uisum est patribus ("ao cônsul único... os pais não julgaram conveniente associar um ditador"). Já no sentido figurado, temos "tomar (indevidamente) algo para si", abonado em Cícero, Brutus, 292: (...) (sapientiam) sibi ipsum detrahere, eis tribuere qui eam sibi adrogant. ("recusar a si mesmo (a sabedoria) e atribui-la àqueles que a tomam para si."). A base de arrogo, -are é o prefixo ad- ("para", "ao lado de", "junto") somado ao verbo rogo ("pedir", "propor").

O sentido figurado foi o que prevaleceu na linguagem popular, ou seja, arrogante é o sujeito que se sente superior aos outros.

Mas qual é o problema de uma pessoa ser superior aos outros num aspecto ou vários da vida e ter plena consciência disso? Salvo melhor juízo, admitir é o primeiro passo para a redenção. Então, faria eu melhor em elevar aos píncaros a estultícia e incapacidade dos medíocres (ou seja, daqueles que estão no meio, que não se destacam)?

A amável leitora pode argumentar que, com essa atitude, busco narcisisticamente diminuir a concorrência que porventura crie alguma dificuldade honesta. Mas existe uma pequena falha nessa argumentação: excesso de humildade também faz mal.

"Humildade" vem do latim humilitas, -tatem, cujo sentido próprio é "pouca elevação", "baixa estatura" (cf. César, De Bello Gallico, 5, 1, 3), e por extensão, "mais próximo da terra" (humus, da raiz proto-indo-européia *dhghem-. Por outro lado, o termo húmus (que passou ao vernáculo por via erudita), é a matéria orgânica resultante da decomposição de animais e plantas para adubar o solo. O húmus libera vários nutrientes, além do nitrogênio.

O nitrogênio é um gás que ocupa 78% da atmosfera, ou seja, a grande maioria. Entretanto, o ser humano não respira nitrogênio!

Aproximadamente 20% da atmosfera consistem em oxigênio. Em regiões muito poluídas, essa proporção diminui. Portanto, o oxigênio é relativamente raro, mas sua importância (ou seja, "competência") em relação aos outros gases é muito maior.

Então, vemos que o oxigênio é o competente, o destacado, o importante; já o nitrogênio é o medíocre. Se os gases falassem, o nitrogênio assacaria contra o oxigênio a pecha de "arrogante", tendo, assim, uma excelente desculpa.

A inveja é o sentimento de ódio e ressentimento pela alegria e prosperidade do outro. Uma dorzita de cotovelo pode não ser de todo má, mas usá-la para passar recibo da própria incompetência denota um sentimento muito abaixo da humildade, um sentimento subterrâneo, infernal (etimologicamente falando) até.

A individualidade é uma conquista do ser humano. Procurar ser igual a todos, não se destacar "para não levar martelada" é atitude de comunista. A ambição é o único fator que promove as possíveis vitórias.

Portanto, quem impinge a outra pessoa o rótulo de "arrogante" não passa de um péssimo jogador e um perdedor pior ainda.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Oportunidade para quem?

Tenho pensado bastante ultimamente sobre a idéia de “oportunidade”, e uma interação no Twitter hoje me levou a escrever sobre o assunto. Algumas pessoas da direta tentam defender o capitalismo argumentando que ele promove a “igualdade de oportunidades”. Esse argumento é péssimo. Explico.

Certos esquerdistas afirmam que, embora exista um abismo entre os "progressistas" e os conservadores sobre a questão da desigualdade de renda, é opinião unânime que não existe igualdade de oportunidades suficiente. Chegam aos píncaros de dizer (como já vi no Twitter tempos atrás): “Difícil entender como alguém pode discordar da vontade de igualar as oportunidades para todos”.

ORA, PORRA! Uma coisa é certa: a idéia de “igualdade de oportunidades” foi aceita por todos, desde Arthur Brooks até Milton Friedman.

Como é soez, serei voz discordante. Pensem como as coisas seriam se essa idéia fosse levada a sério:

  • Eu tenho as mesmas oportunidades que os filhos do Steve Jobs? Negativo. Pela premissa esquerdista, o governo tem a obrigação de tomar deles uma parte de sua herança e dá-la a mim.
  • Eu tenho as mesmas oportunidades que as filhas do Barack Obama? Negativo. Pela mesma premissa, o governo tem a obrigação de me proporcionar a mesma rede de relações que elas têm e terão.
  • Os filhos de uma parelha de imbecis têm as mesmas oportunidades que os filhos de um casal de gênios? Mais uma vez, negativo! Então, o que o governo deveria fazer? Não há como fazer com que uma criança fique mais inteligente por decreto. Exigiria o princípio da “igualdade de oportunidades” que ela roubasse o cérebro da criança inteligente? 
A “igualdade de oportunidades” é incompatível com a liberdade. A rigor, na prática, não há diferença entre a tentativa igualitarista de igualar os resultados e a tentativa de igualar as oportunidades. O que uma pessoa consegue na vida é a oportunidade de outra. O sucesso do pai é a oportunidade do seu filho. O sucesso de um empresário é a oportunidade de um futuro contratado. A única maneira de tentar igualar as oportunidades é igualar os resultados.

A triste ironia de tudo isso é que oportunidade decorre diretamente da liberdade. Quando um país é livre, todos têm a oportunidade de conquistar o sucesso. Embora algumas pessoas inevitavelmente enfrentem dificuldades maiores do que outras, ninguém pode impedir outra pessoa de conquistar o sucesso.

Quanto mais se promove a "igualdade de oportunidades", menos oportunidades cada um terá.

Mas tudo isso deixa uma questão sem resposta: o que é "oportunidade"?

Oportunidade se define como uma série de circunstâncias que possibilita que algo seja feito. Dou um exemplo: se um treinador ou professor de tênis estiver assistindo a um jogo meu e achar que tenho potencial para ser treinado e me tornar profissional (digamos que isso fosse possível na minha idade já avançada), isso será uma oportunidade. Entrar em uma determinada escola pode criar a oportunidade de estudar com um excelente professor. Herdar um milhão de reais pode ser a oportunidade de investir numa nova empresa.

Mas vejam só que interessante: a pessoa precisa ter uma determinada índole para aproveitar essas oportunidades. É necessário que a pessoa adote as habilidades, as práticas e os hábitos que conduzem ao sucesso numa determinada área da vida.

O treinador de tênis não faria nenhum bem para mim porque eu não estou em forma (minto: estou em forma... de quibe do Habib's). E mesmo que eu estivesse em forma, o resultado seria pífio porque eu não passei anos treinando tênis a sério (embora jogue todo fim de semana). Estudar na melhor escola do país não adiantará nada para um aluno relapso, primeiramente porque provavelmente ele não consiga a vaga e, mesmo que consiga por milagre, ele não terá como aproveitar ao máximo o que os bons professores ensinam se não se esforçar para melhorar como aluno. Andem pelos colégios de elite deste país e entenderão o que estou dizendo. Finalmente, nem mesmo herdar um milhão de dinheiros fará bem algum para uma pessoa que não consegue gastar 10 reais de maneira responsável.

Gosto de pensar no Bill Gates. Há quem diga que a maior parte do sucesso dele se deveu à sorte, por exemplo, à sorte de ter freqüentado uma das poucas escolas do seu tempo com computadores à disposição dos alunos. Mas o Bill Gates não era o único aluno dessa escola. A oportunidade só teve valor para ele porque ele escolheu, dia após dia, dedicar seu tempo a aprender a usar o computador, em vez de ficar largado na frente da televisão ou indo a baladas.

Certa vez, o Steve Jobs comentou que o sucesso da Microsoft se devia ao fato de Bill Gates ser um oportunista (cito de memória, não me lembro das palavras exatas). A questão é que o Steve Jobs usou o termo "oportunista" como elogio.

O Bill Gates enxergou um "conjunto de oportunidades" que “possibilitou fazer algo” e, então, agiu de acordo com essa avaliação. Outras pessoas foram expostas ao mesmo conjunto de circunstâncias e não viram uma oportunidade e/ou não fizeram nada com ela.

Uma oportunidade só tem valor para quem se prepara para tirar vantagem dela. Além disso, esse tipo de pessoa cria muitas das oportunidades que encontra na vida, quando não a maior parte delas.

Quem leu o livro Atlas Shrugged (A Revolta de Atlas) entenderá: não importa quantas oportunidades caiam no colo de um James Taggart: ele não vai conseguir aproveitá-las. Já uma Dagny Taggart transformará em oportunidade praticamente qualquer circunstância que encontrar.

Não, amável leitor, você não é responsável por todas as oportunidades da sua vida. E, é claro, algumas circunstâncias externas podem ser favoráveis e outras, desfavoráveis. Mas quem diz que é necessário redistribuir a riqueza para criar oportunidades está redondamente enganado. Num país verdadeiramente livre, o que essencialmente importa não é quantas oportunidades são dadas a uma pessoa, e sim se essa pessoa escolhe se tornar o tipo de pessoa capaz de aproveitar e criar as oportunidades.

Por outro lado, não faz sentido dizer que todos devem ter as mesmas oportunidades. "Oportunidade" é um conceito relativo, ou seja, é uma relação entre os objetivos da pessoa e uma circunstância que pode ou não ocorrer. Além disso:
  • nem todos têm os mesmos objetivos 
  • nem todos têm o mesmo conhecimento para reconhecer as oportunidades 
  • adquirir conhecimento é um ato voluntário 
  • o indivíduo só se preocupará em se destacar numa área de que goste muito, e nem todos gostam das mesmas coisas 
A idéia de igualar as oportunidades exige uma visão integral/sobrenatural/ditatorial da sociedade e das pessoas. É exatamente isso o que os esquerdistas pretendem quando falam em (re)distribuir isto ou aquilo.

Outro aspecto raramente abordado da "oportunidade" é que, para aproveitar uma oportunidade, é necessário reconhecer o "conjunto de circunstâncias" como algo que se possa aproveitar. É fácil ser "engenheiro de obras feitas" depois que algum gênio aproveita essas circunstâncias.

Para concluir, quero que vocês entendam que a grande virtude do capitalismo não é proporcionar “oportunidades iguais” às pessoas (seja lá o que isso signifique), e sim criar o melhor ambiente possível para aproveitar as oportunidades (quero dizer, para quem fizer a opção por aproveitá-las).

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mandela, o comunista

Nelson Mandela era comunista. Isso está fora de discussão. Embora a maioria das pessoas ache que essa inclinação ideológica não importa, ela está na própria essência de quem ele foi. Ele nunca criticou o comunismo. Ele nunca se desculpou por adotar o comunismo. Ele nunca pôs a nu a natureza destruidora de almas do comunismo. Nesse aspecto, Mandela foi como Robert Mugabe, o hediondo dirigente marxista do Zimbábue, mas não essencialmente ruim como Mugabe.

Mandela se tornou comunista porque precisava do comunismo para pôr fim ao domínio branco dos africâneres na África do Sul? Não. O comunismo não era necessário para combater o realíssimo legado racista do colonialismo europeu.

Na ex-colônia britânica da Rodésia, o bispo Muzorewa foi eleito, em 1979, primeiro ministro do que se tornaria a nação independente do Zimbábue, e esse religioso metodista negro foi aceito por negros e brancos. Em 1980, o comunista Mugabe, mediante o uso de violência exacerbada e intimidação, forçou a realização de novas eleições, vencidas por ele. O carniceiro Mugabe está no poder há 33 anos.

O bispo Muzorewa representava tudo o que se pode querer de um líder político negro. Ele foi a Israel em 1983 e conclamou o Zimbábue a estabelecer relações diplomáticas com aquele país. Muzorewa começou uma greve de fome quando Mugabe começou a eliminar toda a oposição política.

O comunismo é, ainda, uma das piores coisas que já aconteceu à África, e, como Muzorewa demonstrou, era claramente desnecessário à libertação dos negros. Na verdade, a esmagadora maioria das vítimas dos gangsteres comunistas negros africanos consistia em seus opositores negros que não eram comunistas, fato sobejamente comprovado pelos exemplos de países como Angola, Etiópia e Moçambique.

Ainda mais perverso no comunismo de Mandela é o fato de que o Partido Nacional, dos africâneres holandeses (paladino do racismo e da intolerância contra a minoria branca inglesa e seu Partido Unionista) era composto por bolcheviques fervorosos. O fato histórico é que os africâneres supremacistas brancos apoiaram o bolchevismo desde o início.

general James B.M. Hertzog, líder do Partido Nacional, afirmou, num discurso de novembro de 1919 em Pretoria (noticiado aqui):
"O bolchevismo, digo eu, é a vontade do povo de ser livre, governar a si mesmo e não se submeter a um invasor estrangeiro. Por que as pessoas querem oprimir e acabar com o bolchevismo? Porque a liberdade nacional significa a morte para o capitalismo e o imperialismo. Não temamos o bolchevismo. A idéia em si é excelente". (1)
Seu vice, Daniel F. Malan, afirmou, em 23 de janeiro de 1920, em Vryburg: "Os bolcheviques representam a liberdade, assim como o Partido Nacional" (2). Em 1922, o Partido Nacional formou uma "Frente Unida" com o Partido Comunista e o Partido Trabalhista. No Congresso do Partido Nacional em 1924, que ratificou o pacto entre o Partido Trabalhista e o Partido Nacional, Malan afirmou novamente que ambos "se opunham diametralmente ao domínio capitalista e monopolista e à exploração do povo".

Em 1989, Walter E. Williams escreveu um excelente livro, South Africa's War Against Capitalism ("A Guerra da África do Sul Contra o Capitalismo"), que demonstra amplamente que os dirigentes brancos africâneres do país haviam aceito em grande parte os princípios do socialismo radical. O comunismo, adotado por Mandela, era compatível com a odiosa supremacia branca dos africâneres, e, embora pouca gente tenha se dado conta, o comunismo sempre considerou a intolerância racial atraente.

O próprio Karl Marx era anti-semita e racista. Numa de suas cartas a Engels, ele escreveu sobre seu colega socialista Lassalle: 
"Agora está bem claro para mim (como também provam o formato da cabeça dele e a maneira como seu cabelo cresce) que ele descende dos negros que acompanharam a fuga de Moisés do Egito (a menos que sua mãe ou avó paterna tenham cruzado com um preto*). Agora, essa mistura de judaísmo e germanidade de um lado, e a estirpe negróide de outro, devem inevitavelmente gerar um produto peculiar. A impertinência do sujeito também é típica dos pretos*".
Carta de Marx a Engels em Manchester, 30 de julho de 1862.
Marx/Engels Collected Works, Volume 41, p. 388;

A maioria russa que dominou a União Soviética exterminou milhões de minorias, transformou o Cazaquistão num enorme aterro radioativo e instituiu o anti-semitismo que deixou toda uma classe de judeus, os отказник ("otkazik", rejeitados) implorando o direito de partir e se instalar em Israel. A China comunista é igualmente perversa, como bem podem dizer os tibetanos e os uigures.

O comunismo é a pior fé que já encontrou abrigo nos corações humanos. O fracasso da descomunização após a queda do Império Soviético, o esmagamento do levante dos estudantes na Praça Tiananmen e o peso esmagador das provas sobre os milhões assassinados pelos comunistas (hoje em dia, 100 milhões é uma estimativa conservadora, ainda muito pior do que o Holocausto) são os crimes morais mais destacados de nossa época.

As pessoas podem pensar em Nelson Mandela como um "bom comunista" e, talvez ele tenha sido, mas isso não é melhor do que chamar Albert Speer de "um bom nazista", Ambas as coisas são oxímoros perfeitos.

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(1) Hertzog, J.B.M. Die Hertzogtoesprake. Vol. 4. du Toit Spies; F.J., Krüger; D.W.; e Oberholster, J.J. Perskor (Org,), 1977, pp. 141-142. Tradução direta do africâner pelo autor deste artigo.

(2) Budlender, Geoff. "Civil Rights and the University", Pro Veritate, 15 de abril de 1973, p.21.

(*) No original, "nigger".

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Vamos definir o termpo "Capitalista"?

Você é a favor do capitalismo ou contra ele? Não dependeria a resposta da definição do termo? Se você, amável leitor deste blog, acreditar que o capitalismo consiste na corrupção maléfica, gananciosa e marginal da sociedade, assim como os abusos vistos na Argentina do papa Francisco, então será contra o capitalismo. O conservador não tolera o capitalismo-amigo, ou seja, a intervenção do governo na iniciativa privada.

A maioria dos eleitores (que anula o voto ou se abstém) tem idéias muito diferentes da sua. Pressupostos arraigados e definições muito variadas estão sendo expostas por um recente debate a respeito do Cristianismo, socialismo e capitalismo. A Exortação Apostólica do papa Francisco e a crítica feita por Rush Limbaugh revelaram diferenças gigantescas na percepção das pessoas sobre o significado real das palavras "capitalismo" e "socialismo".

Este pobre chelá das letras afirma, desde já, que a verdadeira definição de um capitalista é qualquer pessoa que põe em risco o seu capital (dinheiro, ferramentas, equipamentos, imóveis, etc.) sem nenhuma garantia de que fará dinheiro*, nem sequer de que conseguirá recuperar o capital investido, esperando conseguir dinheiro suficiente para pagar o custo do investimento e, depois, seguir em frente para conseguir lucrar. "Capitalista" também pode significar um defensor desse comportamento como seu sistema econômico preferido.

O capitalismo é a única abordagem capaz de fazer com que a humanidade prospere, especialmente os pobres e desvalidos, porque, num sistema de livre iniciativa, as empresas não podem obrigar ninguém a comprar seus produtos ou serviços. As empresas devem oferecer produtos ou serviços que levem benefícios à sociedade além do preço de compra. Caso contrário, o capitalista fechará as portas. Essa disciplina do mercado explica por que os planos de socorro do governo são nefastos (lembram do PROER?).

Apenas as operações que gerem um benefício líquido para a sociedade ocorrerão. As outras serão frustradas pela escolha dos consumidores. A liberdade é o ingrediente essencial dessa "mão invisível" mágica. Quando o governo sai em socorro de empresas incompetentes ou privilegia seus amigos, ele põe por terra o fator crucial do voluntarismo na compra. Naturalmente, se as empresas mentirem ou cometerem fraudes, as operações voluntárias e transparentes também cairão por terra.

Embora o observador inocente veja apenas o dinheiro batendo às portas do empresário, o empresário precisa fazer muito dinheiro apenas para recuperar o investimento inicial antes de conseguir algum "retorno'. Depois disso, qualquer "lucro" pode ser apenas uma renda modesta de que o empresário precisa para pôr comida na mesa da sua família, se vestir e ter um teto sobre a cabeça.

Portanto, a definição deste escriba do que é capitalismo faz com que o "capitalismo-amigo" não seja capitalismo coisa nenhuma. Ele é um problema grave e um mal terrível em si. Dizem que se a vitória é certa, então não há jogo. Se os políticos corrompem o mercado para favorecer seus cupinchas, estes não estão arriscando seu capital, porque o jogo é de cartas marcadas.

De acordo com vários mitos arraigados no inconsciente coletivo, a esquerda cristã e outros críticos do capitalismo acreditam que:

(1) Os capitalistas são (sempre) barões podres de ricos. Ou seja, pequenos empresários não podem ser capitalistas. Apenas as grandes empresas, apenas os muito ricos, são capitalistas. Uma pessoa bem próxima de mim investiu todas as suas economias para abrir uma loja de conveniência "sem bandeira" no interior de São Paulo muitos anos atrás. A família dele nunca teve muito dinheiro, mas, de repente, ela começou a ganhar dinheiro feito água, principalmente porque ela tinha idéias brilhantes de marketing e trabalhava com afinco, "dormindo tarde e acordando cedo". Os filhos ajudavam. Acontece que uma tempestade brava veio e o teto da loja desmoronou porque a construção não era das melhores. Os defeitos, imperceptíveis pela aparência externa, venceram. Normalmente, nenhuma construção de alvenaria decente desmorona por causa de uma tempestade, que é algo esperado. Essa pessoa ficou financeiramente arrasada. Ela processou o ex-proprietário do imóvel, mas perdeu, numa decisão judicial ridícula. Ela arriscou suas economias, trabalhou com dedicação, mas, mesmo assim, perdeu tudo. Entretanto, essa pessoa não era um capitalista segundo a esquerda cristã, pois tinha uma pequena empresa, não era um magnata com jatinho, mansão, iate, "e a porra toda".

(2) Os capitalistas são gananciosos. Essa definição de "capitalista", o conceito em si, exclui qualquer possibilidade de doar aos pobres ou a instituições beneficentes. Um capitalista não procura apenas conseguir riqueza, mas também acumulá-la sem finalidade alguma. Milhões de brasileiros (eleitores) acreditam que fazer doações aos pobres é algo completamente incoerente com o fato de ser um capitalista. Naturalmente, a maioria das instituições beneficentes destepaiz foi financiada por capitalistas muito ricos. Querem um exemplo, Antônio Ermírio de Morais.

(3) Muita gente acredita piamente que um capitalista é alguém que contrata funcionários. Karl Marx acusava os capitalistas de explorar os trabalhadores, e muitos brasileiros aceitam uma análise marxista da Economia. Eu sou um tradutor autônomo que trabalha em casa. Invisto em equipamentos de informática, software, dicionários (online e em papel), tenho despesas altas para manter uma estrutura de apoio que me permita dedicação total ao trabalho, etc., e ofereço meus serviços a clientes particulares e agências de tradução. Eu não posso ser considerado um capitalista porque não exploro nenhum trabalhador. Preciso virar madrugadas de vez em quando para manter toda essa estrutura, que posso perder se não conseguir um volume de trabalho suficiente. Eu sou meu único funcionário. Mas um capitalista é só aquele que explora os trabalhadores.

O primeiro papa, Pedro, tinha um empreendimento de pesca com André e os filhos de Zebedeu. Eles precisavam pescar muitos peixes apenas para empatar o custo de vários barcos, redes, etc. Mas o cristão esquerdista argumenta que, se eles não exploravam trabalhadores contratados, não eram capitalistas. Na verdade, já houve quem me dissesse que apenas a maneira como Karl Marx define um capitalista é válida, porque Karl Marx fez uma crítica ao capitalismo.

(4) Os capitalistas são "malvados". Muitos eleitores consideram o personagem Tio Patinhas, de Walt Disney, como o parâmetro cultural de um capitalista, mercê, principalmente, de um livrinho nojento dos "intelequituais" Ariel Dorfman e Armand Mattelart, intitulado Para leer al Pato Donald. Essas impressões são, obviamente, imprecisas, indefinidas, nebulosas e irracionais. No entanto, as pessoas pressupõem que ser um capitalista significa, obviamente, ser uma pessoa má.

Na verdade, vários pressupostos impulsionam comportamentos e votos do público, especialmente de eleitores que prestam muito pouca atenção à política (às vezes chamados de "eleitores alienados"). Entender o que esses eleitores não entendem é o primeiro passo para tentar recuperar uma certa racionalidade nos debates e na política do Brasil.

(*) Eu uso a expressão "fazer dinheiro" não como um decalque semântico-lexical da expressão correspondente making money em inglês, e sim por considerar que "ganhar" é um verbo que, usado nesse contexto, não pressupõe o componente "esforço". Nem funcionário público nem o assalariado mais inepto "ganham" dinheiro. Food for thought.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Momento Musical - Led Zeppelin - Led Zeppelin III


Neste começo de noite, sou surpreendido com um tuíte avaliando o disco Led Zeppelin III como "certamente o melhor álbum do universo" Não me levem a mal. Este disco de 1970 não foi o começo do fim, apenas um monte de experiências que não deram certo.

A melhor música do disco, sem dúvida, é Since I've Been Loving You, seguida por Immigrant Song. A pior, de longe, é Hats Off To (Roy) Harper.

Bem, vou ser bastante chato (como sói acontecer)! Dois anos depois de gravarem Babe I'm Gonna Leave You, eles pegaram o jeitão folk dessa música e usaram em todo este disco, que acabou se tornando um favorito dos "fãs de elite", para meu desgosto. Provavelmente a dupla Page e Plant estava ficando de saco cheio de precisar tourear o tempo todo os processos movidos pelos antigos bluesmen. Não é que esses processos tenham curado P&P da mania de se apropriar dos créditos das composições (tenho quase certeza de que aquele empresário gordo deles, o Peter Grant, teve muito a ver com a idéia), mas talvez eles tenham incentivado a dupla a compor mais material próprio: o disco Led Zeppelin III é, sem dúvida, maduro nesse aspecto, apenas com algumas picaretagens óbvias como Hats Off To (Roy) Harper ou Since I've Been Loving You. Infelizmente, isso só faz o maior problema ficar ainda maior. Os caras simplesmente não tinham a magia para compor e transformar nenhuma das suas composições mais "melódicas" em verdadeiros clássicos eternos. Eles compõem melodias bastante acústicas que já existem (não posso acusar Tangerine nem That's The Way de não serem melódicas), mas não consigo sentir aquela "pegada mágica" nessas músicas. É bem possível que o maior obstáculo não seja nem mesmo a maneira como eles tocam ou a produção, mas sim a voz do Robert Plant, aquela entonação "chorona" e pretensiosa que ele consegue colocar até na mais sensível das baladas. Seja como for, existe, sim, um problema aqui, só é difícil distingui-lo com clareza. É um problema grave que me impede de usar as palavras "baladas místicas majestosas" e substituí-las por "merda folk chata pra cacete". Enfim, acho que até os fãs mais empedernidos do Led Zeppelin não vão discordar de mim neste ponto, porque nada aqui sequer chega perto da potência e da força emotiva de Babe I'm Gonna Leave You.

Para mim, o disco tem um único clássico absoluto: o blues comprido, lento e enrolado Since I've Been Loving You, e devo dizer que a melodia também foi "quibada" (no momento, a música que me vem à mente é Double Trouble, do Otis Rush, mas tenho certeza de que houve músicas anteriores com sonoridade ainda mais parecida). Mesmo assim, as seqüenciazinhas de acordes melancólicas entre as estrofes bastam para redimi-la totalmente. Basta o Robert cantar, em vez de gaguejar ("...working from seven, seven, seven to eleven eleven eleven..." - isso era pra ser realista?) e teremos uma música digna do disco Led Zeppelin I. Porra, eu até gosto da pegada dos solos de blues da música, apesar de ser o tipo de solo roubado pelo hair metal dos anos 80 e que, desde essa época, virou uma massa amorfa e genérica que não vale nada.

Infelizmente, o resto do material vai do "bonzinho" ao "passável", descambando para a "puríssima merda". A única música realmente boa desse resto é o hit radiofônico Immigrant Song, um metal acelerado com vocais que lembram Black Sabbath e uma letra à la viking rock ('Valhalla, I am coming!', pelamordedeus!). O riff é bom, rápido e potente, mas a música em si inspirou tantas imitações "metálicas" de dar enjôo que eu não consigo ouvi-la sem que me venha à mente o hair metal dos anos 80 - de novo! Ouvindo as músicas desse disco, fico pensando como é que tanta gente acha que o Led Zeppelin é uma banda diferenciada porque ninguém jamais tentou (ou conseguiu tentar) copiar seu som. Felizmente, essa faixa só tem uns dois minutos e meio (a parecidíssima Achilles' Last Stand tem 10 minutos, meu saco!). De qualquer forma, se quiser ouvir um bom viking rock, experimente 'No Quarter'. Essa é a única música com um ambiente realmente "nórdico".

O outro rock, Celebration Day, tem uma pegada tão paranóica que me deixa confuso e mexido. A música não é ruim, só não é um clássico: Communication Breakdown é muito mais eficiente na mensagem. Mas não deixo de gostar do estilo do Jimmy Page nesta música, tocando um turbilhão de som como nunca tocou (talvez o riff seja um dos mais complexos da história do LZ, e um dos mais imprevisíveis). E Out On The Tiles não passa de um boogie genérico e descartável, uma porcaria que bem podia ficar para o Aerosmith ou o Nazareth.

O resto do disco é quase totalmente acústico ou de base acústica, e é aqui que o elemento "gosto adquirido" entra em cena. Há quem goste de todas essas músicas, há quem escolha apenas algumas, e há quem simplesmente as desconsidere. Eu fico dividido. Cheguei a um ponto em que nenhuma dessas músicas me desagrada. Talvez a única exceção seja a experiência fracassada de Friends. Essa música não é exatamente uma imitação de As You Said, do Cream, pois a melodia é diferente, mas ela usa o mesmo princípio, ou seja, a interação entre guitarra acústica e violinos com distorção especial (e muito feia, isso para não falar do "choramingo" do Robert Plant o tempo todo). Às vezes eu não me importo com a "feiúra" numa música, mas esse não é nenhum tipo especial de feiúra. É só feiúra "básica" e pronto, e meus ouvidos não suportam.

Há muita gente por aí que se diz fã de Gallows Pole, mas essa música não passa de um folk neutro que chama a atenção por causa de fatores secundários como o arranjo, os vocais e quejandos. Quem gosta do estilo do Robert Plant de cantar vai gostar da música. Se o Bob Dylan cantasse, provavelmente eu também gostasse; do jeito que foi gravada, ela não fede nem cheira pra mim. O Robert Plant canta a letra pessimista e realista como se estivesse cantando sobre o Gollum e o capiroto.

A maior dificuldade é avaliar o valor de That's The Way e Tangerine, as duas baladas obviamente melhorzinhas do disco. Como eu disse, não posso me queixar das melodias, mas alguma coisa nessas músicas me incomoda um pouco. Sintomaticamente (e acho que tem muito a ver com o Robert Plant), eu não acho a voz dele adequada para essas baladas, mas com certeza isso não é lá muito objetivo. Provavelmente eu tenha que concordar com quem acha That's The Way uma música digna de ouvir, ao passo que Tangerine continua pecando pelo excesso de sentimentalismo barato.

Outra coisa que me incomoda de maneira geral é que todas essas músicas mostram o Jimmy Page em sua melhor forma na guitarra acústica, mas todas elas criam o mesmo estado de espírito e o mesmo ambiente de "majestade sombria", e isso faz com que o disco seja muito monótono. As melodias são, em geral, boas, mas todas levam ao mesmo lugar: "reverenciai as majestades das trevas". Ah, sim: os vocais do Robert Plant ficam cada vez mais desagradáveis (o final de Gallows Pole, por exemplo, é simplesmente insuportável). Mesmo os fãs precisam admitir que o estilo vocal imutável dele pode encher muito o saco de vez em quando. Funcionou bem da primeira vez, mas por que ele precisa repeti-lo ad nauseam?

O aspecto realmente desagradável do disco é a última faixa, Hats Off To (Roy) Harper. Até hoje não consegui atinar para o que o verdadeiro Roy Harper (um respeitável cantor de blues/folk) tem a ver com a música. Talvez ele tenha sido convidado a cantá-la, como Roger Waters fez em Have A Cigar, quem sabe? Por falar nisso, talvez ele tivesse feito bem em aceitar, porque a música em si é uma cópia bastante fiel de Bring It On Home, com os mesmos vocais afetados e a produção confusa. É um blues, claro, mas um blues muito ruim, talvez um dos piores de todos os tempos.

Mas tenho uma nota positiva sobre o disco. Por muito melhor que o disco seguinte viesse a ser, Led Zeppelin III pelo menos é melhor no fator "inteligência". Por um lado, ele não tem nenhum "hino do rock" óbvio como Black Dog; por outro lado, ele dá uma abaixada no aspecto pseudo-místico da carreira da banda, pois todo o material é bastante realista, musiquinhas de hobbits. Ele é berrante e pretensioso, logicamente, mas tenho de dar algum crédito à banda por escrever algumas letras decentes e conseguir se apresentar como uma banda "pensante", racional e positiva, não como um bando de seguidores drogados de Aleister Crowley em busca de uma foda.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Aos que canonizam Nelson Mandela...



O recém-defunto Nelson Mandela sempre foi um comunista. Ele chegou a escrever um livrinho intitulado “Como Ser um Bom Comunista”. Ele foi um dos fundadores e diretores de uma organização terrorista chamada Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Ele nunca deixou de admirar tiranias e ditaduras vermelhas.

O Mahatma Gandhi foi uma pessoa bastante cruel. Ele mantinha deliberadamente os mais ou menos 50 indianos que trabalhavam em sua fazenda na África do Sul (conhecida como “Fazenda Tolstoi”) em estado de desnutrição para tentar provar a teoria de que o corpo podia aprender a sobreviver praticamente sem alimento. Além disso, Mandela não pagava salários aos trabalhadores, portanto não é errado chamá-los de escravos. Ele abandonou a esposa e os filhos que teve no tempo em que passou na África do Sul, deixando-os à míngua quando voltou à Índia. Em 1946 ele comentou sobre o Holocausto: “Os judeus deveriam ter se oferecido ao cutelo do açougueiro”. Ele confessou ser um libertino antes de criar a teoria de que o corpo poderia se adaptar a viver sem sexo. Então, depois de velho, para provar sua capacidade de resistir às tentações, ele fazia com que mocinhas "casadoiras" dormissem ao seu lado sem nunca tirar proveito delas. Nunca foi registrado o que as mocinhas achavam da experiência. Ele era, ainda, um impostor. A imagem que ele gostava de projetar, de um homem que não precisava de nada além de um trapo para vestir e uma roca para fiar, foi desmentida pela despesa astronômica com que o Ministério das Relações Exteriores britânico precisou arcar em 1931 para atender à sua exigência de “viver entre os pobres” no East End de Londres. Eles precisaram comprar casas, reformá-las, providenciar segurança, mobiliá-las com os melhores móveis, mas deixando para o Mahatma uma sala nua onde ele poderia se reunir com diplomatas e com a imprensa. Se ele exigisse um andar inteiro do Ritz, isso custaria menos aos seus anfitriões.

Gandhi morreu há muitos anos. Mandela morreu hoje. O obituário no New York Times é quilométrico, e os portais de notícias (além das redes sociais) estão grávidos de encômios e encomiastas louvando-o desavergonhadamente (além disso, há críticas sobre ele por ser muito brando ou muito radical, dependendo do ponto do espectro político de onde vêm as críticas). Mas Mandela, assim como Gandhi, será tão imortalizado quanto um mortal pode ser.

A raça humana precisa de salvadores heróicos. Ela precisa de Mandelas e Gandhis, assim como precisou de Moisés, Jesus Cristo, Maomé e Buda.

Para quem não enxerga além da superfície, Mandela deve ser retratado como o herói-mártir que comprou da opressão branca a liberdade dos negros, com seu longo tempo no cárcere; que deu um exemplo de perdão; que manteve a paz apesar da intensa provocação para que recorresse à violência. Ele deve ser retratado como um modelo de virtude paciente sob o jugo da opressão racista, a vítima perfeita, sem espírito vingativo, que ascendeu à nobre liderança de uma nova África do Sul democrática.

Esse retrato é falso, assim como é falso o retrato de um homem bom e simples de Gandhi. E Gandhi não libertou a Índia do Raj britânico com seu movimento de resistência passiva mais do que Mandela derrubou o apartheid com sua liderança revolucionária exercida sem sair da cela de uma prisão.

Mas a verdade sobre Mandela e Gandhi não terá muita importância. Ela não fará nenhuma diferença para aquilo que eles devem representar a fim de saciar uma necessidade humana. O ídolo Mandela é maior, muito maior, do que o verdadeiro homem, assim como o ídolo chamado Gandhi. Em ambos os casos, o mito já tomou o lugar do homem.

Salvadores eles permanecerão no inconsciente coletivo, seguirão sendo as personificações de ideais mantidos com fervor. Com a mesma profundidade que os ideais são necessários, as personificações desses ideais serão adoradas e reverenciadas, sendo-lhes negados as fraquezas e os vícios na mesma medida em que os ideais em si podem ser renegados. Nossos ídolos nos provam que nossas mais elevadas aspirações morais podem ser alcançadas; que somos seres capazes da perfeição. Em É a nossa vaidade que os preservará.

sábado, 30 de novembro de 2013

Reações ao artigo sobre união entre pessoas do mesmo sexo, ou "o curralzinho nunca descansa".

Eu sabia! Era só eu tocar num assunto mais "sensível" (e menos técnico) que o curralzinho esquerdista se abespinhou. Sim, caros, estou falando do meu artigo de quarta-feira passada sobre união entre pessoas do mesmo sexo.

Precisei gastar o que restou do meu parco salário açambarcando o estoque de aguarrás, creolina e Q-BOA™ do mercadinho do bairro para higienizar minha caixa de comentários destrutivos. É ÓBVIO que não vou dar palco pra maluco esquerdista dançar no meu blog. Que vão fazê-lo lá no blog da "Sylmara Melendez", do Saka e quejandos.

Contudo, um comentário bem-educadinho (mas não menos mal-intencionado) que chegou merece esmagamento coram populo. O busílis da questão é que a pessoa me "acusa" de ter embasado boa parte da minha argumentação no estudo do Mark Regenerus sobre o assunto em questão. No início, para me refutar, ela lança mão de uma crítica da Amy Davidson ao estudo, publicada na esquerdíssima New Yorker em junho de 2012.

Eis o trecho que ela pinçou (devidamente traduzido, com grifo meu. Quem quiser, leia o original):
“(...) se este estudo mostra alguma coisa, não é o efeito da criação de filhos por gays, mas o efeito da ausência de criação. Os números são tão toscos que é difícil generalizar, mas é possível imaginar de modo lógico que existem, enterrados neles, história de pais que se foram ou que foram separados de seus filhos, ou lares que foram desfeitos, porque, 18 ou 39 anos atrás, a primeira experiência de alguém na vida adulta envolveu um relacionamento heterossexual, mesmo que ele fosse insustentável. Segundo Saletan, o estudo “não documenta o fracasso do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e sim o fracasso de lares reprimidos, desfeitos e instáveis que antecederam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já sabemos que há vantagens na estabilidade, e isso é o que sempre disseram os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se a única questão for a maneira de ajudar os filhos, casamento entre pessoas do mesmo sexo continua sendo uma resposta sólida. Basta olhar por aí: mesmo com ferramentas inadequadas como as que foram usadas nesse estudo, é possível encontrar crianças solitárias e, também, pais solitários. Além disso, podemos encontrar famílias que se mantêm unidas pelo respeito e pelo amor, e merecedoras de ambos”.
O salsinha levógiro prossegue num tom ameaçadoramente tolerante (grifo meu):

"Não tenho esperança de que isso faça você mudar de idéia. Só estou dizendo que talvez não seja muito inteligente confiar tanto assim nos dados do estudo de Mark Regnerus".

Já que "o criaturo" (ué, se "presidenta" pode...) recorreu ao expediente de argumentar com argumentos alheios, vou me dirigir ao texto da Amy Davidson, não a ele.

O trecho que negritei resume bem tudo o que há de errado com os mores contemporâneos. O simples de a autora usar o termo “primeira experiência (...) na vida adulta” para descrever o casamento é lamentável. As gerações mais recentes são tão infantis a ponto de não compreender o significado de seus votos de casamento? Aparentemente, a resposta é "sim".

Quanto ao uso do termo "lares 'reprimidos'" (no original, closeted, ou "no armário"), essa é uma maneira politicamente correta e muito esquisita de dizer “bissexuais e homossexuais que tentaram levar uma vida dupla, portanto prejudicando a si mesmos e às suas famílias”. É a mesma estratégia da novilíngua politicamente correta, pela qual o flagelo dos sacerdotes homossexuais da Igreja é magicamente transformado num “escândalo de pedofilia” em vez de um escândalo homossexual, o que claramente é quando homens violentam homens e meninos.

Vejam este outro mimo do texto da Amy Davidson:
Basta olhar por aí: mesmo com ferramentas inadequadas como as que foram usadas nesse estudo, é possível encontrar crianças solitárias e, também, pais solitários. Além disso, podemos encontrar famílias que se mantêm unidas pelo respeito e pelo amor, e merecedoras de ambos.
Mais uma vez, um caso clássico de moral dupla, pois pressupõe uma definição relativizada de família, amor e respeito. Na nossa sociedade, famílias desfeitas e divórcios passaram a ser tão normais que ninguém mais se envergonha disso. Passamos da empatia e da misericórdia (que pressupõem reconhecer que ocorreu uma tragédia moral) para o incentivo e a tolerância de adultos infantilizados, incapazes de estruturar famílias (o que exige a supressão da consciência moral).

Todos, hoje, podem dizer que conhecem uma família desfeita ou que têm amigos homossexuais, ao passo que as famílias tradicionais rareiam. Em vez de identificar essa situação como uma crise, as pessoas a justificam e incentivam.

Outro trecho do comentário, desta vez de "próprio punho":

Acho que você está confundindo a necessidade dos filhos de ter “papai e mamãe” com aquilo que (sic) eles realmente precisam de seus pais (seja qual for o nome). Num mundo ideal, as crianças precisam, se possível, de dois pais, porque dois, por razões práticas, são normalmente melhores do que um, e as crianças precisam de modelos de gênero, que elas podem encontrar tanto dentro quanto fora da família imediata. Principalmente, as crianças precisam de educação, apoio e amor, que devem existir no dia-a-dia (é claro que disciplina e estrutura também fazem parte). Filhos criados por casais homossexuais (sic!) podem ter tudo isso, o que, ao menos para mim, é muito mais importante do que o fato de que eles terão que abandonar a terminologia tradicional de “papai e mamãe”. Se mães solteiras (ou até mesmo enviuvadas) podem criar e criam muito bem seus filhos, e se pais solteiros (inclusive enviuvados) podem criar e criam muito bem suas filhas, não vejo por que casais do mesmo sexo não podem proporcionar uma boa criação.

Deixando de lado os dados estatísticos que demonstram claramente que lares de pais e mães solteiros são incapazes de criar bem seus filhos (como provam especialmente os índices de criminalidade), há uma razão totalmente lógica para as crianças precisarem de pais e mães presentes, e, sobre o assunto, recomendo a leitura do livro "A Arte de Amar", de Erich Fromm, que é apresenta essa lógica de maneira sucinta e acessível.

Sobre as viúvas e os viúvos, nenhuma pessoa de bem se empenha em viver sozinha, assim como nenhuma pessoa de bem se empenha em se divorciar. A tendência de pinçar lares de pais solteiros e dizer “eles estão se virando bem, portanto esse pode ser um modelo de famílias” decorre da estranha tendência esquerdista de tratar todo e qualquer forma do ideal da família tradicional como um insulto à integridade do amor de uma mãe solteira pelo seu filho.

Acidentes e circunstâncias podem levar as pessoas para mais perto ou mais longe do ideal, mas não adianta nada fingir que essas situações serão o ideal.

Para não me tacharem de inflexível, vamos admitir que, se dois homossexuais achassem um bebê numa ilha deserta, o bebê se sairia infinitamente melhor se fosse criado por eles em vez de ser deixado à míngua, assim como é melhor ter só o pai ou só a mãe em vez de nenhum deles. Mas esses não são ideais pelos quais devemos nos empenhar. Pais solteiros devem tentar encontrar um cônjuge, e os homossexuais, embora possam ser bons tios/tias, não têm como ser bons pais, caeteris paribus.

Percebo que essa discussão toda demonstra o estrago que a propaganda homossexual já causou na sociedade, pois, em termos de família, fomos reduzidos ao debate sobre quem devem ser os pais, esquecendo-nos de que uma das grandes tragédias das famílias desfeitas, das famílias uniparentais, etc. e da vida moderna em geral (mesmo quando pai e mãe estão presentes) é a falta de tios, tias, primos, avós, etc.

Uma família é muito mais do que apenas os pais, e os filhos sofrem se crescerem sem todos os seus componentes. Se os homossexuais não tivessem seqüestrado o debate público, talvez estivéssemos debatendo maneiras de fortalecer a economia para que as famílias não precisassem viver separadas e distantes e pudessem ter contato com maior freqüência do que em datas comemorativas ou velórios.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Carvão? Gás natural? Fracking? Nada disso! (E um "rancarrabo" no Twitter)

Caríssimos leitores, hoje estou afogado em trabalho, mas não podia deixar de responder, por meio de um exemplo bastante comezinho, às argumentações superficiais de uma salsinha esquerdista no meu Twitter, que se arvora em autoridade suprema para pontificar sobre os "malefícios do fracking", que esteve na pauta do Jornal Nacional de ontem (28/11/2013). Quem não assistiu, pode ler/assistir aqui. No vídeo, o assunto é tratado com "grande profundidade" em 13 segundos (1:10 a 1:23), escoltado por um infográfico bem rastaqüera.

O mais interessante é que, ao argumentar, esse espécime levógiro se enrola na própria afetação. Vejam isto:


Percebam, no final, que a questionei sobre o conhecimento de causa.

O que se seguiu foi pra lá de escalafobético. Ela me manda um linquezinho do saite Viomundo como authoritative source sobre o assunto, para lançar uma fagulha de luz sobre este "pobre ignorante".


Depois disso, quando pus a nu a vigarice intelectual da arroba canhota, aí começou o festival de inverossimilhanças (para não dizer "patranhas"). A coisa foi assim:


Daí em diante ela se inflou (os tuítes em vermelho são dela):

  • "Não li só um artigo.Muito antes de existir Twitter ou Viomundo,eu já lia sobre fracking e suas conseqüências..."


  • "Livros,estudos,documentários,revistas científicas,etc..."
  • Nem só de internet vive o homem...kkk....!!!
Agora, quando a mentira é pega:


Ora, ora ora, bem estranho uma pessoa ler TUDO (sic) o que é relacionado ao assunto HÁ MAIS DE 20 ANOS (sic!!!) e afirmar não ser especialista para emitir uma opinião sobre o assunto (vide o primeiro print lá em cima). No popular, VAI APRENDER A MENTIR DIREITO, moça!

E a cereja do bolo:


Depois que afirmei estar preparando um artigo sobre o assunto no blog, ela me sai com essa. Quer dizer, se me disponho a expor um argumento sólido para questionar seriamente a "doutora especialista", ela se fecha em copas. Como todo bom esquerdista, se refugia no seu estoque de chavões. Não posso deixar de sentir pena.

Mas para não cansar os amáveis leitores com essa pendenguinha, vejam só que fato pitoresco trago ao vosso conhecimento a respeito do assunto.

No início do ano, as autoridades municipais de Los Angeles tomaram medidas para cumprir uma legislação estadual que mudaria radicalmente a maneira como a população da cidade usa a energia. Se a legislação for adiante, até 2027, nenhum morador de Los Angeles poderá usar energia gerada por usinas a carvão.

Evan Gillespie, do grupo ambientalista californiano Sierra Club e antigo crítico do carvão como matéria-prima para geração de energia, elogiou publicamente o plano, afirmando que “não há nenhum [lugar] do país que esteja avançando mais rápido e mais profundamente” na proibição da geração de energia através do carvão.

Atualmente, as usinas termelétricas a carvão geram aproximadamente 40% da energia elétrica que os moradores de Los Angeles usam para ligar seus computadores, fornos de microondas e aparelhos de ar condicionado. Entretanto, os defensores da legislação afirmam que não querem estrangular o acesso de Los Angeles à energia elétrica de que eles dependem. Eles querem substituí-la por eletricidade gerada por outra fonte: o gás natural. Hoje em dia, não existe uma termelétrica a gás com capacidade para dar conta das necessidades de Los Angeles. Portanto, as autoridades decidiram usar o dinheiro dos impostos para transformar uma usina termelétrica a carvão localizada em Utah e que, atualmente, abastece a cidade, numa usina a gás natural.

Com o avanço da tecnologia do fracking (fraturamento hidráulico), que libera o gás natural de rochas de xisto antes impossíveis de serem aproveitadas, o gás natural promete ser a principal fonte de energia abundante e barata.

Mas acontece que os grupos ambientalistas como o Sierra Club também querem pôr um fim no gás natural. Segundo o site do Sierra Club’s, “É claro que não podemos passar de um combustível fóssil para outro e esperar grandes benefícios para o clima. Precisamos ir além do gás natural”.

Transformar a termelétrica a carvão de Utah para funcionar com gás natural custará aproximadamente US$1 bilhão. Se o Sierra Club conseguir seu intento, o fracking também será proibido e a nova usina bilionária ficará ociosa, sem alimentar nada, e queimando apenas o dinheiro do contribuinte.

Em suma, os esquerdistas ambientalistas (e vice-versa) são seres engraçadíssimos: querem todos os confortos que a exploração de fontes de energia baratas e viáveis (portanto, não falo de energia eólica, das marés, nem da energia gerada por peido de vaca), mas atacam todos os avanços que o capitalismo proporciona para gerar essa energia barata e viável (que serve para muito mais coisas do que acender uma lâmpada e ligar um radinho lá nos confins da Zâmbia).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Argumento "nada católico" contra a união entre pessoas do mesmo sexo

Aqueles entre meus amáveis leitores que estiverem com as referências literárias em dia devem se lembrar da sinuca de bico enfrentada pela personagem-título de “A Escolha de Sofia”: escolher um filho ou outro. Nenhuma mãe merece ser obrigada a fazer essa escolha. Seja qual for a escolha, a perda será indizível.

Da mesma forma, nenhum filho merece ser obrigado a fazer a mesma escolha ao contrário: “ou a mamãe ou o papai, Mariazinha. Escolha”.

No entanto, essa é a posição desconfortabilíssima em que a união entre pessoas do mesmo sexo coloca os filhos, exceto pelo fato de que os filhos (os maiores interessados) não têm escolha. Alguém faz a escolha por eles.

Seja qual for a sua opinião, leitor, sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, uma coisa é certa: qualquer criança criada nesse ambiente sofre uma perda terrível: ou não terá mãe ou não terá pai. Nil est tertium. Numa união que envolva dois homens ou duas mulheres, o resultado é sempre esse. Quando Mamãe escolhe uma mulher ou Papai escolhe um homem como parceiro(a) para a vida, o filho sempre perde algo extremamente valioso e insubstituível: a mãe ou o pai.

Muitas vezes, essa perda tem conseqüências trágicas para uma criança. Se, por exemplo, ela for criada num lar sem a presença do pai, a probabilidade de que ela deixe de freqüentar a escola; passe a usar ou vender drogas; tenha problemas com a Justiça; e seja pobre aumenta astronomicamente. O mesmo ciclo de desespero e crime sucede no caso de ausência da mãe.

Se Mamãe faz sexo com outra mulher, isso não transforma a outra mulher automaticamente num Papai. Fazer sexo com Mamãe a transformará num Papai tanto quanto eu serei transformado em bezerro por beber leite.

A questão que se coloca aqui, meus caros, é que mães e pais têm importância fundamental para o desenvolvimento das crianças e, portanto, para o futuro de qualquer país, que depende do desenvolvimento e amadurecimento da geração seguinte. Isso funciona melhor quando as crianças têm pai e mãe.

Digo isso porque, de acordo com um estudo* (amplamente atacado pelos setores esquerdistas nos EUA) realizado pelo sociólogo Mark Regnerus, da Universidade do Texas, chega-se às seguintes conclusões:

Em comparação com crianças criadas em lares intactos, com pai e mãe biológicos presentes para criá-las, os filhos de pais homossexuais:
  • Acabam sendo muito mais propensos a recorrer a programas de assistência social;
  • Apresentam desempenho escolar/acadêmico pior;
  • Declaram um "impacto negativo" contínuo maior da sua família original;
  • Apresentam maior tendência à depressão;
  • São presos com maior freqüência
  • (No caso de mulheres) Têm mais parceiros sexuais, tanto masculinos quanto femininos
Se os filhos forem de mães lésbicas:
  • Serão mais propensos a viverem em coabitação atualmente;
  • Serão quatro vezes mais propensos a recorrer a programas de assistência social;
  • Terão uma tendência menor de trabalhar em empregos de período integral;
  • Serão mais de três vezes mais propensos ao desemprego;
  • Serão quase quatro vezes mais propensos a se identificar de maneira não totalmente heterossexual;
  • Serão três vezes mais propensos a ter casos extramaritais se forem casados ou viverem em coabitação;
  • Terão uma probabilidade dez vezes maior (o que é impressionante) de ter sofrido "contato sexual de de pai/mãe ou outro responsável";
  • Serão quatro vezes mais propensos a sofrer “coerção física” para fazer sexo contra sua vontade;
  • Terão maior probabilidade de ter problemas de criação de vínculos, relacionados à capacidade de depender de outras pessoas;
  • Usarão maconha com maior freqüência;
  • Fumarão com maior freqüência;
  • Se declararão culpados com maior freqüência em crimes de maior potencial ofensivo.
Aparentemente, nenhuma dessas estatísticas terríveis pesa muito para a minoria ruidosa (ou o povo abúlico de quo ludunt venti) que defende a união entre pessoas do mesmo sexo. A rigor, eles argumentam que a igualdade de casamento está arraigada na igualdade humana, mas esse argumento fajuto não funciona. Ele passa sem lógica alguma de um tipo de igualdade para outro. A igualdade de todas as pessoas não equivale à igualdade de todos os modos de vida ou de todos os relacionamentos. Por exemplo, o simples fato de que todos nascem iguais não significa que a poligamia ou o casamento incestuoso deve, por via de conseqüência, contar com o beneplácito da lei. Não existe um fio condutor lógico que saia da igualdade entre as pessoas e chegue à igualdade de atos, escolhas, modos de vida ou relacionamentos. É o que chamamos, em lógica formal, de non sequitur. Sei que, neste momento, estou sendo brando a não mais poder com os detratores do meu texto (que virão aos borbotões), supondo que eles se importam com a lógica. Para a pessoa impregnada com valores revolucionários, a lógica formal não passa de "um valor a mais num universo relativizado que oferece um sem-número de perspectivas".

Os defensores da união entre pessoas do mesmo sexo também argumentam que é errado fazer juízo de valor sobre o casamento. No entanto, eles se permitem fazer julgamentos de valor sobre quem deve se casar. Mais uma vez eles fracassam no campo da lógica. Ao insistir que as uniões entre pessoas do mesmo sexo devem ser consideradas casamentos da mesma forma que os casamentos heterossexuais (por exemplo, como faz o novo queridinho das massas, o Ministro Joaquim Barbosa, do STF), eles fazem juízo de valor sobre os casamentos, tanto os deles quanto os dos outros. Se são contrários aos juízos de valor sobre o casamento, então eles devem parar de uma vez por todas de dizer o que dizem. Mas não me iludo. Eles não vão parar. Na verdade, eles impõem seus juízos às pessoas ao mesmo tempo em que se recusam a permitir que os outros façam seus juízos.

Quero, por fim, esclarecer um aspecto muitas vezes mal entendido: não estou dizendo que casamentos sem filhos não são casamentos. Se eu dissesse isso, poderia facilmente ser diagnosticado como esquizofrênico. Meu argumento é que casamento e família normalmente andam pari passu. Estou falando do vínculo comum entre casamento e família, não de um pré-requisito suficiente e necessário para o casamento. Casamento e família são, simplesmente, o mecanismo habitual de criar e cultivar as gerações seguintes. Mas, no caso de uma união homossexual, isso é naturalmente impossível. Se alguém tentar conceder a eles, por outros meios, o que a natureza lhes nega, as crianças serão, estatisticamente, mais propensas a sofrer conseqüências negativas, o que não ocorre num casamento (heterossexual, por definição semântica e constitucional). Em outras palavras, Se um casal não tem filhos até um determinado momento, eles não deixam de estar casados. Se tiverem filhos, estes sofrerão menos prejuízos do que os filhos criados por dois homens ou duas mulheres, uma situação que implica a considerável perda ou da mãe ou do pai.

Em resumo, governos e cidadãos conscientes devem sempre ter em mente esses facts of life importantes e fundamentais e evitar a promoção e o apoio de leis que solapam a família e os valores familiares tradicionais, que sempre foram benéficos para nós e para nossos descendentes.

No fim das contas, o que o movimento homossexual pela “igualdade de direitos” pretende é destruir a família para eliminar qualquer noção de memória e dever históricos entre as pessoas. Os bolcheviques aplicaram o mesmo método, e me refiro não apenas ao caso da chacina de famílias inteiras, mas também ao incentivo à infidelidade conjugal e à ridicularização de qualquer tipo de vida pautada por princípios. Um ser humano criado sob condições de niilismo moral  nunca será capaz de governar sua vida e, assim, será o escravo perfeito.

Uma representação cinematográfica perfeita desse fenômeno é o filme russo Груз 200 ("Carga 200"), que demonstra os efeitos do niilismo político e da evaporação das famílias após três ou quatro gerações de políticas voltadas contra a família. Ironicamente, não causa espécie que o único personagem do filme que se redime é o professor de ateísmo aplicado: ele tem uma família relativamente “normal”. Se não for freado, o movimento homossexual pela “igualdade de direitos” acabará conduzindo todos a uma sociedade igual à representada nesse filme.

(*) Sim, caros leitores: eu li atentamente o estudo antes de citá-lo no artigo. Não sou desonesto intelectualmente a ponto de citar estudos aleatoriamente ou "de orelhada".