sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Choradeira anti-racismo no Starbucks, ou "mundo do mimimi dos infernos"

Repete-se a história que contei anos atrás no meu blog (já extinto) sobre o caso de um menino negro que foi tangido para fora de uma loja da BMW na Barra da Tijuca. Procurem a notícia no Google.

A notícia que comento é esta (cliquem na manchete):


É muito peido pra pouca bosta ou, como dizia Guilherme Balançalança, much ado for nothing. A idiossincrasia do politicamente correto que contamina a grande mídia dá vazão às suscetibilidades mais extremadas, enquanto fatos muito mais graves são por ela negligenciados ou simplesmente minimizados. É uma intolerância seletiva.

No caso em questão, um pequeno mal-entendido contra uma menina negra transforma-se em assunto de Estado, já que tocou a esfera intangível das chamadas "minorias vulnerabilizadas". Daí surge a mídia paranóica para dar ao caso uma amplitude injustificável, massageando o ego das ditas minorias e despertando indesejáveis fogueiras raciais. É o dogma da marxista "luta de classes" vertido em "luta de raças".

Um pequeno mal entendido torna-se na grande mídia um caso emblemático de "racismo", tudo para respaldar políticas racistas da nossa classe política. O movimento negro agradece esses casos e os usa para assediar politicamente a população, na sua busca por privilégios espúrios.

Sempre defendi que o preconceito racial não deveria ser criminalizado, exceção feita à injusta discriminação, que, sim, deve ser tida como racista. O preconceito é uma atitude defensiva e, amiúde, instintiva, pouco facultativa, que se abre em momentos de escolhas rápidas e decisivas, não estando no domínio da razão ponderada. São cálculos psicossociais geralmente automáticos, sem sopesada reflexão, na maioria das vezes guiados pela experiência. Foi o caso do funcionário em questão, que expulsou a menina por já ter experimentado casos similares de meninos de cor pedindo ou vendendo balas em estabelecimentos comerciais, o que, havemos que considerar, é bastante comum. Os negros, infelizmente, representam uma parcela imensa de meninos de rua, sendo um fato que não pode ser desprezado ao julgar a reação do funcionário.

Dessa forma, embora seu preconceito tenha sido errôneo (em avaliação retrospectiva), ele não careceu de sensatez. A medida da aceitabilidade de um preconceito, qualquer que seja, deve ser a sua sensatez. Um preconceito jamais é imoral em teoria. Ele pode ser tido como certo ou errôneo na prática, e, mesmo errôneo, pode ser sensato.

O funcionário não é um ser infalível e onisciente que julga situações rápidas como se fosse Deus, adivinhando todo histórico da criança. O funcionário errou, mas não errou por malícia, como todos os seres humanos são passíveis de erro. Enganou-se justamente por não ser um ser infalível. É humano como todos nós, e todo ser humano tem preconceitos, pois estes são parte de nossa natureza. Ser humano dá preconceito como a jabuticabeira dá jabuticaba. Entretanto, com toda essa pressão da mídia, não será surpresa se ele perder o emprego, sendo julgado como "racista", com dedos em riste apontados contra seu nariz por seres humanos tidos como intocáveis e infalíveis, verdadeiros deuses em forma humana.

Para esses "deuses" em forma humana, vale o escrito na Sagrada Escritura, em Tiago 4:12:

εἷς ἐστιν νομοθέτης καὶ κριτής, ὁ δυνάμενος σῶσαι καὶ ἀπολέσαι· σὺ δὲ τίς εἶ, ὁκρίνων τὸν πλησίον;
(Há um só legislador e juiz, aquele que pode salvar e destruir; tu, porém, quem és, que julgas ao próximo?)

Ora, o funcionário jamais, em sua sã consciência, expulsaria a menina da loja se soubesse que era filha de seus clientes, só pelo fato de ser negra. Aí sim seria uma maldade e justificaria a mobilização contra o que seria uma atitude discriminatória inaceitável. Uma picada de alfinete, porém, é convertida aqui numa mordida de um Pit Bull.

terça-feira, 14 de março de 2017

A feminilização da Igreja: un instrumento de fusão com a revolução

A tendência à feminilização da Igreja, manifestada pelo papel cada vez maior concedido às mulheres na Igreja, sofreu uma guinada doutrinária quando o papa João Paulo I declarou: "Deus é Pai, e mais ainda, Ele é Mãe". Essa declaração, no Angelus de 10 de setembro de 1978, foi um alívio para o pendor dos progressistas para a efeminação. Com suas palavras ("mais ainda", più ancora, em italiano), o elemento feminino de Deus ofusca o de Deus Pai. O feminino supera o masculino.

Nos termos de Teilhard de Chardin, o feminino é o "envoltório de Deus", pois o encanto feminino envolve a Trindade e atrai a Trindade á realização de "movimentos" divinos, ou seja, "a Criação do Universo e a Encarnação do Verbo. As três Pessoas da Trindade teriam uma 'fraqueza' romântica e teriam sido enfeitiçadas pelos atributos do Eterno Feminino" (vide a obra L’Eternel Feminin).

Podemos extrair dessa referência de João Paulo I a Deus como sendo nossa "Mãe" como essa feminilização geral existe no topo da Igreja, no Trono de Pedro. E isso não terminou com João Paulo I. Em 1989, João Paulo II deu seu beneplácito, afirmando que buscava "o eterno feminino" e, novamente, em 1999, ele "louvou Deus como Mãe". 

Essa tendência à efeminação também se manifesta na perda do espírito viril que vem caracterizando a militância católica. Toda a ênfase hoje está na tolerância, na adaptação, na renúncia e ao serviço (características femininas) em detrimento da intransigência, da combatividade e do espírito de conquista e comando, que são características masculinas. 

Essa feminilização generalizada da Igreja corresponde ao ideal das Forças Ocultas de impor uma única ordem ao mundo sob o tacão de um governo único.

Numa Igreja feminina, Céu e inferno se ‘harmonizam’ 


Esse ideal de uma característica feminina predominante abriu caminho há muito tempo na Poesia, na Filosofia e na Música. O poeta alemão Goethe, na segunda parte de Fausto, encerra a obra exaltando "o eterno feminino". As últimas palavras da obra são, "O eterno feminino nos atrai ao alto" (Das Ewig-Weibliche Zieht uns hinan).

Um grande amigo de Goethe era o poeta e dramaturgo alemão Johann Friedrich von Schiller, um maçom e seguidor de Kant. Em sua obra Ode à Alegria (1785), um dos poemas mais festejados da história da Literatura, ele expressou sua crença universalista. Isso já havia sido afirmado por Victor Hugo em seu poema La Fin de Satan (O Fim de Satanás), no qual o anjo feminino (L'ange Liberté) a filha favorita de Lúcifer antes de sua queda, pede permissão a Deus para ir ao Inferno para negociar com Satanás. Esse anjo convence Satanás a reconciliar-se com Deus.

A música de Beethoven traduz o ideal da Revolução

Ludwig van Beethoven, por sua vez, musicou a Ode de Schiller em sua Nona Sinfonia, especialmente no quarto e último movimento (Presto). Numa série de partituras sísmicas instrumentais, de solo e de coral, que duram mais de 24 minutos, o ouvinte é praticamente esmagado. O gênio musical de Beethoven expressa sua capacidade de influenciar o público com suas crenças na salvação universal.

Ele acreditava, como acreditavam Goethe, Hugo e Schiller, na reconciliação final entre Deus e Satanás. A letra da Ode à Alegria reflete mitologias teístas e pagãs. Embora Beethoven fosse nominalmente católico, ele nunca ia à Santa Missa aos domingos e, em seu leito de morte, protestou contra o recebimento da extrema-unção. Suas últimas palavras antes de morrer foram "Plaudite, amici, comedia finita est" ("Aplaudam, amigos, a comédia terminou"). Com isso, ele anunciava que sua vida terminava "com satisfação e plenitude". Assim, o desfecho da vida de Beethoven reflete realmente as últimas palavras da Ode de Schiller:
Allen Sündern soll vergeben,
und die Hölle nicht mehr seyn.
("Todos os pecadores serão perdoados e não mais existirá o Inferno")
O unitarista John Pearce entusiasma-se em seus elogios à Ode:
"A música de Beethoven para a Ode à Alegria de Schiller, em sua Nona Sinfonia, talvez seja a melhor música de todos os tempos (...) O espírito do poema de Schiller reverbera profundamente com minha espiritualidade. Para mim, o sagrado precisa de uma alegria borbulhante e dançável, e precisa de ligações manifestas com nosso mundo natural. A obra as evoca com maestria. É imensamente gratificante para mim cantar 'Tu, a Deusa Alegria' e saber que minha igreja a escolheu como expressão de seu caráter". 
A doutrina do Unitarismo de Pearce diz respeito ao progressismo da Igreja Conciliar. Muitas das missas novas (se não todas elas) têm as mesmas características que ele mencionou, um sagrado que "precisa de uma alegria borbulhante e dançável". O Unitarismo, como o progressismo, professa como artigos de fé que "a razão, a consciência, a plena tolerância religiosa e a salvação universal" são os únicos desejos de Deus. Foi isso que João Paulo II fez em sua audiência geral sobre o Inferno.

O movimento progressista em favor da efeminação da Igreja está em curso. Para suavizar a noção de militância católica, ele incorporou ao seu regime o poder da poesia, da filosofia e da música seculares. O aggiornamento da Igreja em suas doutrinas, suas leis e seus costumes está a todo vapor. Por meio do seu ecumenismo e diálogo, tem exibido seu eterno feminismo e colaborado com as falsas religiões e a cultura temporal. Seu objetivo é destruir a Igreja e construir uma super-república de mundo unificado, um objetivo que se aproxima a cada dia no horizonte.

Que Nossa Senhora do Bom Sucesso aliste mais Militantes Católicos nesta guerra épica e acelere o Reinado de Maria Santíssima.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Os neoateus e uma mundivisão de ilusão

Quem procura conhecer a vastíssima literatura publicada pelo movimento neoateísta percebe que surge uma mundivisão diferenciada. Ateus de matrizes variadas como Michael Ruse, Richard Dawkins, Daniel Dennett, Lawrence Krauss, Sean Carroll, Dan Barker, Sam Harris, Alex Rosenberg e o finado Christopher Hitchens apresentaram uma visão definitiva da realidade, que pode ser reconhecida sem dificuldade como a mundivisão (ou para usar um termo caro aos filósofos, Weltanschauung) atéia. Sejam quais forem os matizes presentes na literatura, o quadro cientificista e fisicista da realidade corresponde a considerar estas várias posições filosóficas: a moral é um produto ilusório da nossa história evolutiva; a consciência é uma ilusão criada pelos disparos neurais e por reações bioquímicas do cérebro; o ego e o conceito de pessoalidade também é uma ilusão com a mesma origem física da consciência; a mente é reduzida a funções materiais e acaba desmoronando no vácuo da terminologia cientificista; o livre-arbítrio é uma ilusão porque as ações humanas acabam sendo determinadas pelas leis da natureza que operam sob a superfície do já ilusório conceito de consciência; o “nada” conceptual que deu o pontapé inicial ao “Big Bang” é, na verdade, um “algo” complexo, sendo, pois, possível que “nada” possa vir de “algo” desde que se redefina “nada” como “algo”; e, finalmente, a Matemática e a Lógica são construtos sociais nominalmente criados, passíveis de transformação caso nossa linguagem mude de aplicação quanto a esses campos do conhecimento. Outro elemento importante do aparato ateu é a ilusão reafirmada do projeto da natureza. Segundo o naturalista neodarwinista, a evolução é capaz de explicar por que somos rodeados por um mundo que parece ter sido projetado, mas, na realidade, é aleatório e caótico.

Na verdade, Alex Rosenberg apresenta um resumo conciso da mentalidade dos ateus no livro O Guia da Realidade para o Ateu: aproveitando a vida sem ilusões, pp. 2, 3:
Deus existe? Não.
Qual é a natureza da realidade? Aquela que os físicos disserem que é.
Qual é a finalidade do universo? Nenhuma.
Qual é o sentido da vida? Idem.
Por que estou aqui? Por pura sorte.
Rezar funciona? É claro que não.
A alma existe? Ela é imortal? Está brincando?
Existe o livre-arbítrio? Nem pensar!
O que acontece quando morremos? Tudo continua como de costume, exceto nós.
Qual é a diferença entre o certo e o errado, e entre o bem e o mal? Não existe diferença moral entre eles.
Por que devo agir de maneira moral? Porque faz você se sentir melhor do que se agir de maneira imoral.
Aborto, eutanásia, suicídio, impostos, ajuda internacional ou qualquer coisa de que você não gosta é proibido, permissível ou, às vezes, obrigatório? Vale tudo.
O que é o amor, e como posso encontrá-lo? O amor é a solução de um problema internacional estratégico. Não procure por ele. Ele vai encontrar você quando você precisar.
A história tem algum significado ou propósito? Ela faz muito barulho, mas não significa nada.
O passado humano tem lições para o nosso futuro? Cada vez menos, se é que alguma vez teve, para começar a conversa.
No mesmo livro, Rosenberg prossegue,
“O cientificismo dita uma compreensão completamente darwinista dos seres humanos e da nossa evolução tanto biológica quanto cultural. Porém, isso não nos obriga de forma alguma a pensar na cultura humana como uma programação fixa, ou como algo que está nos nossos genes. Isso significa que, quando se trata de ética, moral e valores, precisamos adotar uma posição impopular que muita gente vai considerar imoral e ímpia…Quem quiser ser cientificista precisa se sentir à vontade com uma certa dose de niilismo.”
Segundo a mundivisão ateísta, tudo é fisicamente reduzido às leis fixas e deterministas da Física, como numa camisa de força, que atuam em todo o campo de uma estrutura darwinista formulada de funcionamento químico e biológico, localizada nos confins do ser humano. Com esse trabalho de base (naturalismo metafísico e cientificismo epistemológico), cada uma das principais facetas da vida humana é anunciada como uma ilusão da natureza. Não existe significado, propósito, projeto, telos nem moral.

Essa interpretação da realidade deve acionar imediatamente o problemático sinal de alerta do pensador crítico.

Vamos nos concentrar no problema do projeto da ordem natural. Francis Crick nos lembrou, numa frase famosa, de que, ao estudar a natureza, devemos saber que nosso objeto de estudo não é de forma alguma projetado, apesar de parecer organizado dessa forma. Mas por que precisamos nos lembrar disso? Por que precisamos nos lembrar de que a ordem natural não é projetada quando nos deparamos com essa realidade? E se a natureza for projetada? E se a “aparência” de projeto realmente for um projeto? Se precisarmos nos convencer constantemente de que os aspectos mais importantes da realidade são ilusões (moral, consciência, pessoalidade, projeto, livre-arbítrio, etc.), talvez a mundivisão que propõe essas afirmações tenha se reduzido explicitamente ao absurdo.

Todas essas supostas descobertas insinuadas pelo clamoroso anti-evangelho do regime neoateu, ou seja, que estamos enclausurados num abismo de ilusões, são, de certa forma, feitas pela realidade do método científico. Devemos nos perguntar se esse método científico não é, também, uma ilusão. Por que o método científico é capaz de se eximir de ser uma mera aparição útil que examina um vácuo de uma afirmação conceptual subjetiva (que esses ateus conseguem entender completamente sem o mais leve reconhecimento de ironia)?

Em vez de nos intimidarmos pela manobra tática de vincular o absurdo à investigação científica, devemos levar essas visões atéias à sua conclusão lógica. Se a “realidade” ao nosso redor não passa de uma miragem, de uma alucinação subjetiva, então não apenas o método científico fica prejudicado, mas também o motivo secular que os ateus guardam com tanto zelo em seus corações. A idolatria da razão e da natureza, no contexto dessa hybris neoatéia, não passa de fantasmas da realização de um desejo inconsciente Nem a razão nem a ciência são capazes de manter nenhum valor de verdade na metafísica e na epistemologias naturalistas seculares. Nossas faculdades cognitivas, por serem produtos de um mecanismo de sobrevivência na natureza, e não um mecanismo de “verdade”, são incapazes de exercer a razão, da qual o método científico é produto. Os empiristas do tipo científico, habilidosos mestres da tática que são, ignoram convenientemente o fato de que os próprios métodos usados para estudar a natureza são produtos da razão, e não na natureza. Em outras palavras, a ciência não pode justificar a si mesma usando o método científico. Do contrário, entra-se eternamente num círculo vicioso hermético. A caixa de ressonância da afirmação fisicista só pode ser útil para quem faz parte desse delírio.

A circularidade da visão atéia é mais ou menos assim: “a Física explica tudo sobre a realidade, o que sabemos porque qualquer coisa que a Física não explica não pode existir na realidade, e sabemos disso porque tudo o que existir em relação à realidade deve ser explicável pela Física, porque a Física explica tudo.”

Considerando essas posições do movimento neoateu, postular o absurdo e, ao mesmo tempo, ridicularizar a existência de Deus com as mesmas ferramentas que, momentos antes, eram retratadas como miragens, e, ao mesmo tempo, criticar as bases cristãs que foram as fontes da razão e do método científico, é, na melhor das hipóteses, um exercício esplêndido de auto-engano.

Defender essa mundivisão atéia naturalista e, ao mesmo tempo, ridicularizar quem ousa sequer questioná-la exemplifica até onde os homens decaídos podem ir para suprimir a verdade com a iniqüidade.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O que é conhecido como Deus?

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A questão da existência de Deus é um debate candente na nossa cultura. Deus existe? Se Deus existe, essa existência pode ser demonstrada pela razão? Se a existência de Deus puder ser demonstrada pela razão, essa demonstração segue as regras daquilo que o método científico permite que seja considerado verificável? Questões como essas, e muitas outras do mesmo jaez, podem se expandir a um ponto em que, muitas vezes, se deixarão de lado questões muito mais importantes, tais como “Ao que se chama Deus?” ou “Qual é a natureza de Deus?

Qual é a natureza do Deus a que louvamos, e por que procuramos comprovar Sua existência à nossa atual cultura, tão comprometida em ignorá-Lo? Essa questão pode mostrar sua importância em comparação com uma conhecida gracinha dos ateus, que muitas vezes coloca alguns cristãos na defensiva. Os ateus argumentam: “De todos os deuses que ‘existiram’ e foram cultuados ao longo da história de todas as civilizações, vocês, cristãos, se apegam a apenas mais um conto de fadas de um deus encontrado no texto do Antigo e do Novo Testamento. Então você é ateu em relação a todos esses outros deuses, mas nós, ateus, damos um passo adiante e rechaçamos também esse mito de Abraão”. Esse resumo é conhecido como o argumento de “só mais um deus” popularizado pelo movimento neoateísta.

Esse argumento, por simples que possa parecer, ataca algo muito importante para quem defende a fé cristã, ou seja, a natureza de Deus. O Deus de Abraão, Isaac e Jacó não passaria de outro mito invocado que não difere daqueles deuses das fábulas pagãs que buscam Zeus ou Apolo para conseguir iluminação espiritual? O Deus Trinitário revelado no batismo de Jesus Cristo não seria a mesma entidade que os ídolos venerados nas religiões orientais? A única maneira pela qual o argumento de “só mais um deus” poderia funciona seria se isso realmente fosse verdade, ou seja, se o Deus da fé cristã não passasse de outro “ser” de natureza material esperando que sua lacuna narrativa fosse preenchida pelas mais recentes descobertas do “olho que tudo vê” do método científico.

Acontece que isso não é verdade. O ateu erra quando utiliza esse argumento para supostamente comprovar que a crença num deus está necessariamente ligada a fábulas ancestrais criadas por mentes menores na tentativa de explicar o que a ciência já comprovou ser falso.

A natureza de Deus não é a de um ser que possa ser comparado a outros seres da Criação. Um acontecimento importante registrado nas páginas da Sagrada Escritura demonstra que Deus não é uma entidade criada comparável a Zeus, Apolo ou ao bule voador.

Quando Moisés encontrou Deus na moita em chamas, ele fez a Deus uma pergunta muito simples, mas profundamente importante: o que deveria dizer aos israelitas se lhe perguntassem o nome de Deus? Deus respondeu a Moisés, dizendo “EU SOU O QUE SOU”. Deus disse ainda, “Assim direis aos filhos de Israel: AQUELE QUE É me enviou a vós”. (Êxodo 3:14). O nome de Deus dado a Moisés nos revela que Deus não pode ser comparado a outros seres materiais da Criação. Deus é o “EU SOU”, aquele que é o ser em si, eterno, com existência autônoma, independente, infinito, ´sem início, fim ou mudança, e, o que é mais importante, a fonte de todo e qualquer ato de ser. Deus transcende a ordem natural criada e sustenta Sua própria existência por Seu poder imanente de sustentação.

O argumento do “só mais um deus” não pode ser levado a sério sequer por um instante pelo fato de que erra fundamentalmente na compreensão da majestade de Deus, que revelou a Si mesmo como “EU SOU”.

A Igreja Católica proclamou e protegeu o nome revelado de Deus em declarações como esta, do Primeiro Concílio Vaticano:
“A Santa Igreja Católica Apostólica Romana crê e confessa que há um [só] Deus verdadeiro e vivo, Criador e Senhor do céu e da terra, onipotente, eterno, imenso, incompreensível, infinito em intelecto, vontade e toda a perfeição; o qual, sendo uma substância espiritual una e singular, inteiramente simples e incomunicável, é real e essencialmente distinto do mundo, sumamente feliz em si e por si mesmo, e está inefavelmente acima de tudo o que existe ou fora dele se possa conceber”. (DENZINGER, H., Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, p. 644, 3001).
É importante observar que, por definição, só pode existir um Deus. Só pode existir um ser divino corretamente reconhecido como “AQUELE QUE É”, ou, como diz Santo Anselmo, “Aquele do qual nada maior pode ser imaginado”. Não há rival nem há igual àquele que é o Ser em si esse ipsum, Ser infinito, o Criador de todas as outras coisas, a causa Eficaz, a causa Final de todos os outros seres.

Os neoateístas (entre outros) fazem o que São Paulo descreve nesta famosa passagem do livro dos Romanos:

18 Ἀποκαλύπτεται γὰρ ὀργὴ θεοῦ ἀπ’ οὐρανοῦ ἐπὶ πᾶσαν ἀσέβειαν καὶ ἀδικίαν ἀνθρώπων τῶν τὴν ἀλήθειαν ἐν ἀδικίᾳ κατεχόντων, 19 διότι τὸ γνωστὸν τοῦ θεοῦ φανερόν ἐστιν ἐν αὐτοῖς, ὁ θεὸς γὰρ ⸃ αὐτοῖς ἐφανέρωσεν. 20 τὰ γὰρ ἀόρατα αὐτοῦ ἀπὸ κτίσεως κόσμου τοῖς ποιήμασιν νοούμενα καθορᾶται, ἥ τε ἀΐδιος αὐτοῦ δύναμις καὶ θειότης, εἰς τὸ εἶναι αὐτοὺς ἀναπολογήτους, 21 διότι γνόντες τὸν θεὸν οὐχ ὡς θεὸν ἐδόξασαν ἢ ηὐχαρίστησαν, ἀλλὰ ἐματαιώθησαν ἐν τοῖς διαλογισμοῖς αὐτῶν καὶ ἐσκοτίσθη ἡ ἀσύνετος αὐτῶν καρδία 22 φάσκοντες εἶναι σοφοὶ ἐμωράνθησαν, 23 καὶ ἤλλαξαν τὴν δόξαν τοῦ ἀφθάρτου θεοῦ ἐν ὁμοιώματι εἰκόνος φθαρτοῦ ἀνθρώπου καὶ πετεινῶν καὶ τετραπόδων καὶ ἑρπετῶν.”

18 A ira de Deus é, pois, revelada do Céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, 19 porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles; Deus, na verdade, revelou a eles 20 Pois, desde a Criação do mundo, Seus atributos invisíveis, seu eterno poder e sua natureza divina têm sido vistos claramente, sendo compreendidos pelas coisas criadas, não tendo esses homens, portanto, [nenhuma] desculpa, 21 porque, conhecedores de Deus, não o glorificaram como Deus nem [Lhe] foram gratos, mas se tornaram fúteis em seu pensamento e seus corações insensatos se escureceram. 22 Professando serem sábios, enlouqueceram, 23 e transformaram a glória do imortal Deus na semelhança de uma imagem de um homem mortal, e de pássaros, e de quadrúpedes, e de répteis.” (Romanos 1:18-23, em tradução minha diretamente do grego koiné)

Deus revelou-Se de numerosas maneiras, de forma que ninguém tem desculpa para negar Sua existência. Deus revelou-Se generosamente pela ordem natural da nossa realidade criada comum, e Ele revelou-Se diretamente a pessoas como Moisés, de forma que pode reunir um povo em torno de Si como testemunha de Sua condição especialmente revelada, o “EU SOU” a que toda existência deve seu louvor.

Apesar da fecundidade de Deus, a humanidade marcada pelo pecado de Adão continua na escuridão de suprimir a existência de seu Criador. Essa supressão ocorre reduzindo Deus a uma entidade criada, depois negligenciando-O a um produto do argumento de “só mais um deus”.

Agora que podemos ver mais claramente que essa manobra é um erro que depende de uma descaracterização fundamental da natureza de Deus, meu argumento apologético deve funcionar para demonstrar a existência de Deus como Ele revelou a Si mesmo. Qualquer coisa menos do que apresentar aos incréus “AQUELE QUE É” pode acabar justificando o erro de identificação que os ateus procuram manter em sua supressão voluntária do conhecimento que os deixa sem desculpa alguma.

domingo, 8 de janeiro de 2017

‘Black Mirror’ tenta, mas não consegue, criar o Paraíso na Terra

A série ‘Black Mirror’ da Netflix apresenta um ponto de vista sóbrio sobre o tipo de salvação que as pessoas procuram quando não têm mais razão para acreditar em Deus.

ALERTA DE SPOILER DO 4º EPISÓDIO DA 3ª TEMPORADA DE ‘BLACK MIRROR’

Finais agridoces são caracterizados por uma noção superficial de perda que dá lugar a uma noção de "bem maior". Como se chamaria um tipo oposto de resolução para uma história? Eu não sei se existe um termo para isso, mas valeria a pena inventá-lo para o quarto episódio da terceira temporada da série "Black Mirror".

“San Junipero” começa com uma jovem chamada Yorkie (interpretada por Mackenzie Davis) andando sem rumo pelas ruas da cidade do sul da Califórnia que dá nome ao episódio. Numa boate, Yorkie é abordada por uma das freqüentadoras vestida num estilo "mais anos oitenta do que os anos oitenta", Kelly (interpretada por Gugu Mbatha-Raw). Tentando dar um perdido num sujeito inconveniente, a moça conta uma mentira grossa sobre Yorkie, dizendo que é uma amiga que só tem mais alguns meses de vida.

Acontece que a armação de Kelly não era tão inverossímil assim. San Junipero é uma simulação futurista de computador preenchida principalmente pelo upload das consciências de pessoas que já morreram, sendo uma minoria delas os idosos doentes, que só podem fazer cinco horas de visita por semana. As duas mulheres aparentemente jovens se encaixam na última categoria: Kelly é, na verdade, a que está sofrendo de uma doença terminal, e Yorkie está em coma há décadas por causa de um acidente de automóvel causado indiretamente quando ela "saiu do armário", desagradando seus pais.


Together Forever… Na Internet

As duas mulheres se apaixonam e Kelly visita Yorkie no mundo real, casando-se com ela para autorizar a eutanásia da mulher em coma, permitindo que ela se torne uma moradora permanente do paraíso virtual. Porém, a alegria delas é estragada por uma diferença de opinião sobre o futuro. Yorkie passou a amar o mundo simulado, mas Kelly planeja morrer naturalmente por causa de uma promessa que fez ao seu marido, que escolheu não fazer a “passagem” para San Junipero em virtude de sua crença religiosa (que não era a mesma de Kelly) e do desejo de estar com sua filha, que morrera antes da criação dessa tecnologia de "vida após a morte".

O episódio termina com uma montagem ao som da música “Heaven Is a Place On Earth”, de Belinda Carlisle, tão adequada que parece que os roteiristas construíram todo o episódio em torno dela.


Ooh, baby, do you know what that’s worth?
Ooh heaven is a place on earth
They say in heaven love comes first
We’ll make heaven a place on earth

Um líquido percorre um tubo transparente ligado a Kelly, que decidiu realizar a eutanásia e viver em San Junipero.

In this world we’re just beginning
To understand the miracle of living
Baby I was afraid before
But I’m not afraid anymore.

Agora Kelly chegou, e ela e Yorkie podem ser vistas aproveitando sua lua-de-mel eterna.


Eu existo para me fazer feliz

Muitos artigos que tecem elogios rasgados ao episódio nos levam a crer que as mulheres foram salvas e poderão viver felizes para todo o sempre. O amor a tudo vence nesta obra televisiva cheia de esperança e espantosamente humana. Até o nome “San Junipero” faz referência a São Junípero Serra, frade franciscano catalão recém-canonizado por seu trabalho de levar o máximo possível de almas de índios americanos para a salvação, e o episódio batizado com seu nome apresenta uma perspectiva sóbria do tipo de salvação pelo qual as pessoas podem torcer quando não há mais razão para crer em Deus.

Mesmo sem o recurso tecnológico de fazer o upload da consciência, ainda encontram-se presentes os impulsos doces mas niilistas que podem emprestar a um mundo simulado ares de salvação da Humanidade. Para Yorkie e Kelly (ou qualquer outro par lésbico, por falar nisso), a possibilidade de gerar filhos é igualmente inexistente em princípio, tanto em San Junipero quanto em qualquer outro lugar.

Mas não é apenas uma questão de homossexualismo; a lógica do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo tem sido enxertada há décadas no casamento entre pessoas de sexos opostos. Ao passo que o casamento na nossa sociedade sempre foi um conjunto de obrigações perante pessoas no passado, no futuro e no presente, agora ele passou a se resumir ao amor: duas (ou mais?) pessoas se curtindo num relacionamento que elas podem terminar a qualquer momento. Como, então, justificar que se proíba duas pessoas que se gostam de se casar, seja qual for seu sexo?

Portanto, a relação homossexual e a relação heterossexual contraceptiva de desfrute mútuo podem ser vistas como um microcosmo do mundo paradisíaco de San Junipero: a existência delas não é justificada por nenhuma finalidade criada, mas sim pela filosofia moral de que a matéria, a consciência e a existência devem ser fundidas e reorganizadas para maximizar o desfrute individual. mesmo que exista a opção de ter filhos em San Junipero, ela existiria da mesma forma que existe a adoção por gays no mundo real: algo, como um escolha de consumo, que é um meio para satisfazer desejos, não um fim em si mesmo.


Eu não quero me libertar, eu quero me enterrar.

Matrioska
Matrioshkas
A canonização de Serra não ficou livre de polêmicas. Sua busca obstinada pelo bem espiritual dos povos indígenas da Califórnia implicava logicamente a supressão da cultura deles, que não era cristã.

No mundo de “Black Mirror”, as coisas não são tão diferentes: a antiga ordem moral serve apenas para impedir que as pessoas se divirtam, como, por exemplo, a reprovação do homossexualismo de Yorkie por sua família e sua negação da autorização da “transição” dela para San Junipero. Esses bloqueios culturais atrapalham a nova forma de salvação da humanidade, ergo devem ser suprimidos, no melhor espírito do São Junípero Serra original.

Mas o que o nome com que a simulação foi batizada procurava, como procura a maioria das outras pessoas profundamente religiosas, era a transcendência, a libertação do nosso universo limitado e a comunhão com o que quer que paire acima dele. Mesmo os bilionários da tecnologia, que não têm religião, já estão procurando maneiras de se libertar da simulação de uma maneira muito mais literal (isso lembra um dos argumentos pela existência de Deus: "Qualquer coisa que exista fora da nossa “simulação” pode ser conceptualmente idêntica ao Absoluto").

As personagens principais aparentemente triunfantes de “San Junipero” buscavam o oposto, ou seja, descer um nível a mais para dentro da matrioshka. Yorkie e Kelly não encontraram a libertação. Usando os mesmos princípios que esperam que sigamos nos dias de hoje, elas chegaram a uma maneira sustentável de permanecer ignorantes e indiferentes. O motivo disso é que a libertação não é uma viagem despreocupada de auto-realização. A libertação dói, e muito.

domingo, 11 de setembro de 2016

Paraolimpíadas: o politicamente correto em sua melhor forma

Pessoas com deficiências físicas são seres humanos que, em princípio, são dignas de respeito como qualquer outro. Felizmente, essa é uma conquista do mundo civilizado. A compaixão pelos fracos é uma característica inerente ao ser humano civilizado e demonstra o triunfo da civilização Ocidental sobre a barbárie. Contudo, há um abismo gigante entre a compaixão pelos fracos (traço distintivo das sociedades civilizadas) e o culto à fraqueza.

Para que um ou outro leitor um pouco menos afeito à boa interpretação de texto não me entenda mal: o deficiente merece ser tratado com compaixão pelos demais seres humanos por estar em relativa vulnerabilidade. Grifei a palavra "relativa" porque nada impede um deficiente de se destacar por seu intelecto. Muito embora sua autonomia física tenha sido tenha tragicamente limitada, o deficiente não morre totalmente para vida por ter adquirido ou nascido com uma ou outra limitação física. Portanto, não causa espécie alguma ver deficientes físicos se dedicando a outras atividades que não lhes exijam ir além de suas limitações. No entanto, por motivos óbvios, é descabido exigir que os deficientes continuem buscando um modo de vida em descompasso com sua atual realidade física. O amável leitor que discordar de mim neste ponto demonstrará um raciocínio bastante infantil. Que um deficiente físico cuide da sua saúde é coisa meritória, mas querer ir além das suas limitações, como acontece nas paraolimpíadas, é reprovável.

O espetáculo deprimente que são as Paraolimpíadas (sejam de verão ou de inverno) carrega em si o nefasto e estúpido vírus do igualitarismo e a abjeta (e não menos estúpida) ideologia da "inclusão social". Essas competições são a quintessência do politicamente correto por exaltarem a inferioridade e cultuarem a fraqueza, diante das reações mais ensaiadas artificiais do (diminuto) público perante um espetáculo tão chato e sem emoção. Aliás, percebam que o público (presente e telespectador) das Paraolimpíadas é uma fração diminuta do público dos Jogos Olímpicos de verdade. E outra: não é cobrado ingresso para essas competições. A dura realidade se impõe.

É um teatro, puríssimo fingimento mútuo. Os atletas fingem que são o supra-sumo da competitividade, e o público finge que acredita nisso. A mídia entra no elenco no papel de explorar os apelos sentimentais mais piegas possíveis, para comover o público com o esforço alheio, muito embora a "emoção" do público seja totalmente fingida e/ou inexistente. É óbvio que essas competições não têm emoção alguma, pois os deficientes físicos jamais deveriam participar delas, uma vez que não reúnem plenas condições físicas para competir, e competição sem emoção não é competição. O resultado seria muito parecido se criassem competições esportivas olímpicas para velhos caquéticos acima de 80 anos para promover a "inclusão social" e depois, da maneira mais fingida possível, celebrar suas vitórias. Seria igualmente ridículo e patético.

Acredito que os amáveis leitores sejam adultos, e realistas e, portanto, concordarão comigo: esses espetáculos são pueris e patéticos. Repito: as Paraolimpíadas são uma das faces mais nojentas do politicamente correto. Ela cultuam a fraqueza em sua expressão mais fiel. Trata-se de um espetáculo deprimente cujo pano de fundo é o igualitarismo do mais estúpido. O resultado é desastroso.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Jacques Hamel degolado pelos muçulmanos, ou "cría cuervos y se comerán tus ojos".

Quem causa seus próprios males, que chore sozinho, ou, no popular, “CADA CACHORRO QUE LAMBA SUA PRÓPRIA CACETA”.

Jacques Hamel ajudava os muçulmanos e ignorava os cristãos franceses! Em vez de ajudar os desempregados e sem-teto franceses, ajudava os muçulmanos. Ele doou o terreno da igreja para construir a mesquita! Se isso não é apostasia, não sei mais o que é! E os ignorantes o chamam de santo. IGNORANTES!

O EXCOMUNGADO JACQUES HAMEL FOI CÚMPLICE DO ANTIPAPA BERGOGLIO.

Na manhã de 26 de julho de 2016, dois soldados do Estado Islâmico invadiram uma igreja na cidade de Rouen, decapitaram Jacques Hamel e torturaram alguns fiéis. Eu continuo chocado com a terrível ignorância religiosa da maior parte dos cristãos, que já estão “canonizando” Jacques Hamel. Quem era ele? Um herege modernista, cúmplice do antipapa Bergoglio, que apoiava completamente o antipapa tanto em palavras quanto em atos. Veja neste link (http://ipco.org.br/ipco/pe-jacques-hamel-r-i-p-o-crime-revelador-do-isla-e-nao-so-do-isla/#.V5j9IxWAOko) como A PARÓQUIA DA QUAL ELE ERA MEMBRO CEDEU GRACIOSAMENTE AOS MUÇULMANOS UM TERRENO VIZINHO, DE PROPRIEDADE DA IGREJA, PARA CONSTRUIR UMA MESQUITA. E construíram.

Além disso, Jacques Hamel colaborou ativamente com um imã local para a islamização da região. Portanto, o vice-pároco Hamel, em vez de seguir a letra e o espírito do Evangelho e pensar na difusão da Palavra de Deus, dedicar-se à conversão das almas e defender os cristãos contra a invasão islâmica, COLABOROU COM OS MUÇULMANOS, TRAINDO CRISTO E O EVANGELHO.

Jesus disse (Mateus 12:30):
ὁ μὴ ὢν μετ’ ἐμοῦ κατ’ ἐμοῦ ἐστιν; καὶ ὁ μὴ συνάγων μετ’ ἐμοῦ σκορπίζει (“quem não está comigo está contra mim, e quem comigo não se reúne, se dispersa”).
Disse também (Marcos 16:15-16):
Καὶ εἴπεν αὐτοῖς, Πορευθέντες εἰς τὸν κόσμον ἅπαντα, κηρύξατε τὸ εὐαγγέλιον πάσῃ τῇ κτίσει. Ὁ πιστεύσας καὶ βαπτισθεὶς σωθήσεται·ὁ δὲ ἀπιστήσας κατακριθήσεται (“E disse a eles: ide ao mundo todo e proclamai o Evangelho a toda a criação. Aquele que acreditou e foi batizado será salvo, mas o que não acreditou será condenado”).
Acontece que o senhor Hamel, como bom sequaz do antipapa Bergoglio, lucrava, como muitos de seus colegas, com o negócio do acolhimento, traindo a doutrina católica, lançando sobre si mesmo a EXCOMUNHÃO IPSO FACTO, decretada de maneira infalível pelos verdadeiros papas, afirmando que qualquer católico que participe ativamente de ritos estranhos à fé católica está excomungado “ipso facto”, ou seja, AUTOMATICAMENTE. Ora, esse senhor Hamel não apenas participou ativamente de rituais islâmicos, mas também, em sua apostasia, arrastou atrás de si muitos fiéis! E, depois, os muçulmanos o decapitaram.

Oremos por sua alma, mas prestem atenção antes de santificar uma pessoa sem saber sequer quem ela realmente foi! Jesus ensina no Evangelho que é necessário ser prudente e ter bom senso!

Permaneço fiel à VERDADEIRA Fé Católica, a dos santos antepassados, a verdadeira Fé oposta e contrária à anti-igreja maçônica do Anticristo instalada no Vaticano através do inválido e herético conciliábulo do Vaticano de 1962-65.

A única solução doutrinária para os nossos tempos é o sedevacantismo total.
“Excomungamos e anatematizamos todos aqueles que levam aos sarracenos, aos turcos e aos outros inimigos do nome cristão cavalos, armas, ferro, fios de ferro, estanho, aço e todas as outras espécies de metais, assim como instrumentos de guerra, madeira, cânhamo, cordas (sejam elas de cânhamo ou qualquer outro material), e esses mesmos materiais, e as outras coisas proibidas com as quais atacam os cristãos; e igualmente aqueles que, para grande dano e ruína dos cristãos, fornecem informações diretamente ou através de terceiros aos turcos e aos inimigos da religião cristã sobre a situação da República Cristã e os auxiliam com seus conselhos, seja qual for a maneira”.
(Bula “In Coena Domini”, do papa Pio IV, 8 de abril de 1563).

ENSINAMENTO CATÓLICO ESPECÍFICO CONTRA O ISLÃ.

Todos os verdadeiros papas, até as primeiras décadas do século XX, no momento da sua coroação, juravam solenemente: “Juro... exaltar a verdadeira Fé e extirpar a diabólica seita do réprobo e infiel Maomé no Oriente".

A verdadeira Igreja Católica considera o Islã uma seita diabólica. Atenção: uma abominação é qualquer coisa aberrante diante de Deus; é qualquer coisa pela qual Ele não tem estima nem respeito algum. Uma coisa diabólica é qualquer coisa que venha do Diabo. O islã rejeita, entre muitos outros dogmas Universais, a Divindade de Jesus Cristo, bem como a Santíssima Trindade. Os muçulmanos encontram-se fora do caminho da salvação espiritual caso permaneçam sendo muçulmanos.

O Concílio de Viena (1311-1312) ordenou aos príncipes cristãos que impusessem sua autoridade civil para proibir a expressão pública da falsa religião islâmica (https://www.ewtn.com/library/COUNCILS/VIENNE.HTM#09, parágrafo 25):

“É um insulto ao Santo Nome, e uma desgraça para a Fé Cristã, que, em algumas partes do mundo submetidas a príncipes Cristãos onde vivem os sarracenos [muçulmanos], ora apartados dos cristãos, ora com eles misturados, os sacerdotes sarracenos (habitualmente chamados Zabazala [imãs], em seus templos ou mesquitas, onde os sarracenos se reúnem para adorar o infiel Maomé, invoquem e exaltem seu nome em voz alta, todos os dias em determinados horários, de um lugar alto, sendo ouvidos tanto cristãos quanto por sarracenos, e ali façam declarações públicas em sua honra. Existe um lugar, além disso, onde foi enterrado um certo sarraceno que outros sarracenos veneram como um santo. Um grande número de sarracenos se reúne abertamente ali, vindos de perto ou de longe. Isso traz descrédito à nossa Fé e causa grande escândalo aos fiéis. Essas práticas não podem ser mais toleradas sem desagradar a Divina Majestade. 
Portanto, com a aprovação do sacro concílio, proíbam doravante essas práticas nas terras cristãs. Exortamos a todos os príncipes católicos que detenham a soberania sobre os referidos sarracenos e em cujo território ocorram tais práticas, e sobre eles impomos uma urgente obrigação, sob o julgamento Divino, de que, como verdadeiros católicos e zelosos da Fé Cristã, levem em consideração a desgraça que se abate sobre eles e outros cristãos. Eles devem eliminar completamente essas ofensas de seus territórios e cuidar para que seus súditos as eliminem, para que possam, assim, conquistar a recompensa da eterna beatitude. Eles devem proibir expressamente toda invocação pública do nome sacrílego de Maomé. Eles devem, ainda, proibir qualquer um em seus domínios de tentar, no futuro, a dita peregrinação ou de qualquer maneira dar rosto a ela. Aqueles que pretendem agir de outra forma devem ser punidos pelos príncipes por sua irreverência para que os outros sejam desestimulados de tal ousadia”.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Libertarianismo e libertinismo

Há um tópico que sempre surge quando eu debato diversas discordâncias filosóficas com os libertários. Se eu (ou um seguidor meu no Facebook ou neste blog que também critica a filosofia política libertária) digo que os libertários defendem uma anarquia moral libertina na sociedade, eles sempre respondem que eu tenho o malvezo de confundir libertarianismo com libertinismo. Além disso, quando eu defendo uma jurisprudência fundamentada na virtude em vez de uma jurisprudência fundamentada unicamente em direitos, eles sempre respondem dizendo que, se não há liberdade para exercer um vício ou pecado, então não existe uma verdadeira liberdade. Por exemplo, se os libertários tendem a se opor ao combate às drogas porque acham que uma pessoa tem o direito de colocar o que quiser dentro do corpo e nenhuma esfera de governo, seja ela municipal, estadual ou federal, pode dizer o contrário porque a legislação agride esse suposto direito à autodestruição.

Então, se me acusam de confundir libertarianismo com libertinismo, acho que não tenho tanta culpa assim quando ponho lado a lado as idéias que expus acima. Na verdade, eu diria que não estou confundindo porcaria nenhuma. Com base nos argumentos apresentados pelos neolibertários influenciados pelos anarco-capitalistas Rothbardianos e pelos libertários do Instituto Mises, eu rebato dizendo que eles estão, na verdade, defendendo uma filosofia política libertina. Não há dúvida de que esses argumentos são influenciados por premissas metafísicas que não passaram por exame algum, influenciadas pelo ateísmo pós-moderno; pela falsa dicotomia entre moral pública e moral privada; pela confusão entre avaliação econômica subjetiva e afirmações axiológicas; por uma visão errônea sobre a pessoa humana; pelo mito da neutralidade moral; e pela afirmação incoerente de que uma pessoa não é livre se não puder fazer o que é for intrinsecamente imoral. Todos esses erros filosóficos precisam ser abordados separadamente, mas, agora, vou abordar apenas um, por pura falta de tempo (afinal, bills keep coming).

Para que não restem dúvidas: os neolibertários defendem uma filosofia política libertina que reduz a ordem social (interpretada nominalmente) ao consentimento contratual, à jurisprudência fundamentada no direito e ao egoísmo econômico. A jurisprudência fundamentada no direito tem origem num contexto moral de não-interferência, ao estilo de John Stuart Mill, que, em essência, afirma que devemos ser livres para fazer o que quisermos, desde que não passemos por cima dos direitos dos outros de fazer a mesma coisa. Disso decorre, normalmente, a idéia de que a pessoa deve poder usar drogas, se prostituir, produzir pornografia, promover a prática do aborto, redefinir o conceito de casamento como apenas uma união lastreada numa forte ligação emocional, e assim por diante. Se fosse verdade que esses atos são atos voluntários de indivíduos capazes de consentir, então a promulgação de leis em qualquer nível de governo para proibir esses atos seria uma violação de direitos (leia-se "imoral"). Essa é posição do neolibertário sobre esses assuntos.

Argumentar que é imoral uma comunidade proibir o uso de drogas, por exemplo e que o direito de uma pessoa será violado se essa proibição acontecer é, na verdade, assinar embaixo de uma filosofia política libertina. Isso equivale a dizer que uma sociedade não é livre se as pessoas não puderem consumir drogas e se transformarem em viciados. Isso equivale a argumentar que uma sociedade não é livre se não proteger e apoiar o direito a ser libertina. Palavras de ordem como “não se pode legislar sobre a moral”, “você não pode impingir sua moral sobre outra pessoa”, “a moral é subjetiva” não conseguem eliminar o fato de que os neolibertários defendem abertamente o libertinismo e, ao mesmo tempo, negam que o fazem. Além disso, dizer “Eu acho que esses atos são imorais, mas não posso impingir minha moral sobre outra pessoa” é tão ridículo quanto dizer “Eu nunca faria um aborto porque é imoral, mas eu jamais ousaria pensar em impingir minha moral a uma pessoa que acha o aborto moralmente correto”. É daí que vem a afirmação da anarquia moral libertina. essas opiniões defendidas pelos neolibertários são incoerentes e desonestas.

Se você quer defender uma filosofia política e seguir suas premissas às últimas conseqüências, vá em frente, mas não tente diluí-la com clichês e frases de efeito, por favor.

sábado, 2 de abril de 2016

O problema das estratégias

Sou tradutor profissional há quase 20 anos, e uma das coisas que mais caem na minha mão para traduzir (ou verter) são "Declarações de Estratégia Corporativa". Eu me sinto meio acabrunhado quando traduzo essas coisas porque não consigo evitar o comentário mental: "que baita babaquice, meu saco!".



O problema das estratégias é que elas não passam disso: estratégias. Elas não passam de um amontoado de palavras e frases de efeito, e podem chegar a umas tantas páginas.

No mais das vezes, essas estratégias não têm nada a ver com o mundo de verdade, principalmente quando essas mesmíssimas estratégias foram escritas por pessoas especialmente contratadas para criá-las. A "pegadinha" aí é que essas pessoas simplesmente não têm o mínimo compromisso com a implementação das estratégias que bolaram.

Em verdade vos digo: na esmagadora maioria das vezes, as estratégias não funcionam no mundo de verdade, a menos que se atue num mercado totalmente previsível, com clientes totalmente previsíveis, e uma base de clientes suficientemente grande. Em suma, estratégias não funcionam para pequenas e médias empresas (nem na maioria das grandes, por falar nisso).

Em tempos d'antanho, estratégias e planos até podiam funcionar, mas as coisas ficaram tão imprevisíveis que passar meses e mais meses criando uma estratégia é, em essência, uma perda de tempo assombrosa.

Nos dias de hoje, uma empresa se dará muito melhor se criar um esboço simples e seguir em frente. Esse esboço deve definir o que a empresa quer descobrir e, depois, o mercado que decida o que será feito dele. "Meta as caras" o mais rápido possível para ver como o mercado reage, depois adapte o esboço, ajuste-o e, se precisar, refaça-o desde o início.

Eu sei que, mesmo para as pessoas da minha geração (tenho 45 anos), é difícil não ter um plano ou uma estratégia formal, e isso tem um motivo perverso: os planos e as estratégias sempre foram os bodes expiatórios quando as merdas aconteciam. Serviam para tirar vários cus da reta.

"Não foi minha culpa, o problema é que a estratégia estava errada". Que sorte de quem tinha uma estratégia para culpar. "Cagamos no pau, mas não foi minha culpa. A estratégia é que estava errada".

"Agora eu não perco o emprego. Aliás, ninguém perde o emprego e todos podemos trabalhar numa nova estratégia para aquela novidade fodástica que ouvi de um consultor... e vamos contratar uma consultoria de estratégia..."

O segredo para ser realmente bom em qualquer coisa

Se você quiser se tornar um bom tradutor, não tente se tornar um um tradutor.

Se você quiser se tornar um bom orador, não tente se tornar um orador.

Se você quiser se tornar um especialista, não tente se tornar um especialista.

Se você quiser se tornar um empreendedor, não tente se tornar um empreendedor.

A coisa funciona assim:

Quando você tenta se tornar algo ou alguém, normalmente acaba se arrebentando, botando os bofes para fora, pelo simples fato de que você vai tentar seguir um esquema, um manual, um plano, um roteiro.

Mas tio Andy vai mandar a letra retinha para você, amável leitor: não existe manual, não adianta seguir um plano, não existe esquema para esse tipo de coisa. "Pior" ainda, não adianta seguir conselhos. Aliás não adianta seguir conselhos para a maioria das coisas.

A única maneira de se tornar realmente bom em alguma coisa é largar mão de seguir regras, seguir conselhos, fazer a mesma coisa que um zilhão de pessoas já faz.

A única maneira de se tornar realmente bom em alguma coisa é seguir suas próprias regras, e vou mais além, criar suas próprias regras.

E o ingrediente secreto, a "chave de ouro" dessa questão, é descobrir e usar seu talento inato. Como ensinava Píndaro,

Torna-te quem tu és, e assim sê

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O que Donald Trump é?

Magnata dos cassinos e de boates de strip tease, Donald Trump não passa de um boçal. Seus seguidores afirmam que esses atributos são perdoáveis num candidato ao cargo ocupado em tempos d'antanho por George Washington e Abraham Lincoln, pois Trump é um verdadeiro conservador. Em artigo recente, Jonah Goldberg redigiu uma ótima resposta à afirmação de que o conservadorismo justifica uma nojenta e sistemática falta de educação. Neste artigo, pretendo falar sobre o pilar mais importante da defesa de Trump, ou seja, a afirmação de que ele é um “verdadeiro conservador”. 

Donald Trump não é conservador de forma alguma. Para ser conservadora, a pessoa deve apoiar vários princípios, entre eles:

  • governo limitado;
  • livre iniciativa econômica;
  • Estado de Direito;
  • Justiça igualitária nos termos da lei;
  • direitos individuais;
  • ética judaico-cristã
  • predomínio das virtudes clássicas sobre os vícios clássicos;
  • oposição à corrupção;
  • amor à Verdade;
  • nos Estados Unidos (afinal, trato aqui de um candidato à presidência desse país), apoio às doutrinas e ao sistema estabelecidos pelos founding fathers.

Trump é reprovado em cada um desses quesitos.

Trump não é a favor da livre iniciativa econômica. Ele é, na verdade, um estatista extremado, muito mais radical do que Barack Obama em diversas áreas essenciais. Alguns exemplos:

  • Trump apóia um sistema público de saúde nacionalizado por contribuição individual, um sistema que colocaria as vidas dos norte-americanos nas mãos dos burocratas do governo.
  • Ele é um fervoroso partidário do protecionismo comercial, apoiando um sistema que enriquece os "amigos do rei" capazes de providenciar medidas governamentais para bloquear os concorrentes estrangeiros.
  • Ele é praticante e defensor das desapropriações, apoiando um esquema que enriquece os "amigos do rei" capazes de providenciar medidas governamentais para desapropriar as casas dos cidadãos comuns se isso for necessário para aumentar os lucros do oligarca.
  • Ele ostenta sua prática de corrupção do poder público através de propinas para autoridades eleitas que, à letra da Constituição, deveriam representar uma certa combinação do seu eleitorado e suas próprias consciências.
  • Ele demonstra desabrido desprezo por virtudes clássicas patrióticas essenciais como coragem, tendo construído sua carreira promovendo a ganância e a luxúria.
  • Ele toma enormes empréstimos para, depois, enganar seus credores enquanto desfila com seus bilhões para quem quiser ver.
  • Ele cospe mentiras e, quando exigem dele fatos que corroborem suas afirmações, "canta e anda" como se a verdade não importasse.
Sua metodologia, em geral, é a de um demagogo, de um mobilizador da paixão contra a razão, um exemplar do pior inimigo da democracia.

Mas a oposição de Trump à imigração ilegal não faria dele um conservador, pelo menos nessa questão? De jeito nenhum. Os conservadores argumentam contra a imigração ilegal com fundamento no apoio ao Estado de Direito. Mas é certo que Trump não apóia o Estado de Direito. Ele apóia, sim, o uso indevido e a distorção das leis e, com seus cassinos e suas boates de strip tease, atua com força num setor famoso por suas ligações com o crime organizado, a lavagem de dinheiro, a prostituição e o tráfico de drogas.

Portanto, para Trump, a questão da imigração ilegal não tem nada a ver com as leis. O problema são os imigrantes.

Contudo, devo deixar claro que o argumento principal proposto pelos que se opõem à imigração, ou seja, o protecionismo da mão-de-obra, é contrário à livre iniciativa e, portanto, não é uma posição verdadeiramente conservadora. Mesmo assim, o lado pragmático da política de imigração é uma área na qual pessoas sensatas podem divergir. No entanto, não pode haver lugar para o tipo de demagogia xenófoba que Trump optou por adotar no movimento conservador. Para falar o português claro sobre o assunto, o racismo é uma ideologia coletivista. Na verdade, como destacou Friedrich Hayek em sua obra clássica "O Caminho da Servidão", o racismo é um item obrigatório do socialismo porque, para mobilizar as paixões necessárias para cumprir a pauta coletivista plena, é preciso invocar o instinto de tribo. Assim, como Adolf Hitler entendeu perfeitamente, e Stálin e todos os tiranos comunistas que vieram após ele perceberam, o objetivo definitivo do socialismo não é uma fraternidade internacional sem nações, e sim uuma forma de nacionalismo tribal raivoso.

Em resumo, Trump é um nacional-socialista, ou talvez, o termo seja “nacionalista social”. Certamente ele não é um nazista, nem um nacional-socialista nos moldes da tirania norte-coreana de hoje, ou da de Pol Pot. Ele é um tipo diferente de nacionalista/socialista. Talvez a analogia mais próxima seja a do regime de Vladimir Putin, que usa o nacionalismo extremado (eurasianismo) para garantir o apoio das massas a um governo ilimitado que atende aos interesses de quem o controla ou dos que puderem pagar o suficiente para influenciá-lo.

No mundo "putinesco", não há leis que restrinjam os fortes de maneira eficaz nem que protejam os fracos. O governo é onipotente, e sua forma de atuação está para alugar. Não importa se a sua causa é justa ou injusta. O que importa é quem você pode comprar. O problema não é que o sistema é corrupto. A corrupção é o próprio sistema, e todos sabem disso.

Isso lembra alguma coisa?

Nacional-socialismo não tem nada a ver com o conservadorismo. Na verdade, é o antípoda do conservadorismo. Respondendo parcialmente à pergunta do título do meu último artigo sobre Donald Trump, ele não é Republicano e também não é conservador. Ele já declarou abertamente que não aceitará o veredito dos eleitores nas primárias. Sua campanha deveria ser encerrada imediatamente.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Metapolítica da Direita

Apresento hoje uma tradução direta do sueco de um trecho do Capítulo 2 do livro mais recente de Daniel Friberg, "Högern kommer tillbaka: Handbok för den äkta oppositionen" (A volta da Direita: um manual para a verdadeira oposição). O original encontra-se em http://www.motpol.nu/danielfriberg/2015/11/20/metapolitik-fran-hoger/. Divirtam-se

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A Metapolítica da Direita 

A metapolítica é uma guerra de transformação social nos níveis de visão de mundo, pensamento e cultura. Uma luta parlamentar deve ser precedida, legitimada e apoiada por uma luta metapolítica. A metapolítica, em sua melhor forma, reduz o parlamentarismo a pura formalidade. 


Para chegar mais perto do centro das dificuldades políticas e culturais da Escandinávia, não basta olhar para trás ou simplesmente reagir às últimas expressões das causas profundas por trás da destruição da cultura e do povo escandinavos. Devemos identificar as raízes e os contextos ligados à situação em que nos encontramos, analisa-los e, depois, agir politicamente e culturalmente de acordo com as conclusões a que chegarmos. Precisamos, portanto, de mentalidade e ação metapolíticas. A análise metapolítica leva em conta não apenas as decisões políticas e estatais óbvias, mas também o que comanda e influencia o desenvolvimento da sociedade inteira. A metapolítica leva em conta a cultura, a economia, a história e a política interna e externa, não apenas o Estado, o partido ou a nação. Precisamos entender a sociedade em geral, como um organismo, para poder reforma-la de maneira construtiva e duradoura.

No entanto, as associações que, nas últimas décadas, trabalharam para os povos da Europa têm ficado presas a estratégias que foram bem-sucedidas em outros momentos da história, mas carecem do mesmo potencial num contexto moderno. A imitação de antigos êxitos políticos e revolucionários está fadada ao fracasso. Em poucas palavras, só existiu um César e um Napoleão. Devemos aprender com a história não apenas como acumular poder e influência, mas o que é o poder, onde ele realmente se encontra e como ele é formado.

A metapolítica é a continuação da política: a dinâmica do poder que vai das ruas e da tela do computador até o Governo e o parlamento, nos meios de comunicação e na imprensa, na academia, nas instituições, na sociedade civil, nas artes e na cultura. Em resumo, todos os canais que comunicam valores percebidos coletivamente e individualmente. Portanto, a análise metapolítica antecede a ação política. A metapolítica, em sua melhor forma, reduz o parlamentarismo a uma pura formalidade.

Vamos, como no capítulo anterior, voltar nossos olhos para o teórico marxista Antonio Gramsci, que desempenhou um papel predominante no movimento socialista italiano antes e durante o regime de Mussolini. As tentativas de conquistar as fábricas dos burgueses no norte da Itália nos anos de 1919 e 1920 foram frustradas. Em 1926, quatro anos depois da tomada do poder por Mussolini, Gramsci foi condenado a vinte anos de prisão por suas atividades hostis ao regime, ficando preso até sua morte em 1936. Uma obra de grande significado estratégico, escrita por Gramsci durante seu tempo na prisão, é intitulada Quademi del carcere, traduzida para o português como "Cadernos do Cárcere".

Nessa obra, Gramsci argumenta que o Estado não se limita a um aparato político. Na verdade, ele atua paralelamente com o que se convenciona chamar de “aparelho civil”. Em outras palavras, cada estrutura de poder político é reforçada por um consenso civil, um apoio social e psicológico das massas. Esse apoio se expressa numa convergência dos níveis cultural, filosófico e de costumes. O poder político se apóia, portanto (inclusive para ser viável) num poder cultural socialmente estabelecido e disperso entre as massas.

Após o final da Primeira Guerra Mundial, num período caracterizado por crises extremas, a Itália foi sacudida por violentos levantes operários, pela expropriação de propriedades rurais, e muitas instituições sociais tradicionais desmoronaram. As agitações atingiram seu ápice em setembro de 1920, quando os membros do sindicato ocuparam a indústria metalúrgica do norte da Itália, o setor de atividade mais avançado, e tentaram retomar a produção sob o controle dos trabalhadores. Por algum tempo, parecia que que eles seguiriam o exemplo de seus colegas russos e implementariam uma transição revolucionária para um regime no estilo soviético. Mas não foi isso que aconteceu. As greves logo se enfraqueceram, os partidos esquerdistas debandaram e, em dois anos, o movimento fascista de Mussolini assumiu o controle do aparelho estatal.

Na prisão, Gramsci ponderou sobre o motivo pelo qual a esquerda, num período em que as instituições governantes encontravam-se em desordem e a classe dominante carecia dos meios necessários para exercer o poder, não conseguiu manter a marcha revolucionária. Ele chegou à conclusão de que a resposta deveria ser encontrada na ideologia. Ao contrário de muitos dos seus simpatizantes marxistas, ele sustentava que a autoridade do Estado se fundava em mais do que em sua polícia ou em seu Poder Judiciário. Gramsci, que tinha formação em Lingüística Histórica, se deu conta de que, como ”o estrato social que dominava a linguagem exercia autoridade sobre o estrato social inferior adjacente”, ele tinha a possibilidade de condicionar seu uso.

O Gramsci revolucionário chegou a uma conclusão semelhante sobre o papel da cultura. Eu sua opinião, o exercício do poder político depende de consenso, não de coerção. Dessa forma, o Estado poderia governar não porque a maioria das pessoas viveria com medo da sua capacidade de oprimir, mas porque o governo aceitou idéias (uma ideologia predominante na sociedade) que legitimasse suas ações e as fizesse parecer ”naturais”.

Com base nessa análise, Gramsci entendeu por que os marxistas não conseguiram conquistar o poder político nas democracias burguesas. Eles não tinham o poder cultural. Ninguém pode derrubar um aparato político sem, antes, ter garantido o poder cultural sobre o qual o controle político se fundamenta em última análise. Primeiro, é necessário conquistar a aceitação do povo influenciando as idéias, os costumes, a mentalidade, os sistemas de valores, as artes e a educação.

No que o teórico italiano descreveu como uma ”guerra de trincheiras” (uma guerra na qual as idéias e opiniões eram as principais linhas divisórias), a vitória dependeria do sucesso em redefinir os valores predominantes, estabelecer instituições alternativas e minar os valores que a população cultiva. Uma revolução espiritual ou cultural era, portanto, considerada pré-requisito para uma revolução política. A conquista do poder político é apenas o último passo de um longo processo, um processo que começa no plano metapolítico.

A metapolítica trata simplesmente de influenciar e formar o pensamento das pessoas, sua visão de mundo e seus conceitos. Apenas quando o trabalho metapolítico gerar sucesso e as pessoas sentirem a necessidade da mudança como uma necessidade auto-evidente, o poder político (então afastado do consenso geral) começará a vacilar para, finalmente, cair, ou desaparecer completamente com toda calma e abrir caminho para alguma outra coisa. A metapolítica pode, portanto, ser considerada uma guerra de transformação social nos níveis de visão de mundo, mentalidade e cultura, uma guerra cultural que a esquerda aprendeu a dominar e, até pouco tempo atrás, travava praticamente sozinha nos tempos modernos. No entanto, isso começou a mudar, e espero que este texto aprimore ainda mais a compreensão da necessidade da metapolítica entre a crescente direita.

A vanguarda metapolítica da direita 

Com base nessas informações, pode-se constatar que um movimento político que ignore a metapolítica e a luta cultural será incapaz de conseguir uma mudança social duradoura. Uma luta política deve ser precedida, legitimada e apoiada por uma luta metapolítica. Do contrário, ela estará fadada ao fracasso. 

Portanto, criar uma vanguarda metapolítica (e, com isso, uma parte vital de uma iniciativa mais ampla para entender a Europa), é a principal missão da nova direita sueca. Consideramos a metapolítica uma força multidimensional, não-dogmática e dinâmica com o potencial de captar a essência das importantes questões e destacar a abordagem que debilitará e destruirá a névoa politicamente correta, e, nesse aspecto, a culpa injustificada de todas as pessoas pensantes que atualmente oprime os povos da Europa. 

Mas a metapolítica não apenas debilita e destrói: ela cria, incentiva, inspira e esclarece. Toda a nossa metapolítica visa a colocar uma direita autêntica em movimento; uma força cujo poder está crescendo tanto através da nossa própria mídia alternativa e da opinião pública como através dos canais parcialmente censurados do establishment. Uma força que, quando atingir uma massa crítica, viverá sua própria vida incontrolável e perturbará os limitados espaços públicos de hoje, além de preparar o caminho para um renascimento europeu, uma mudança social gradual e irresistível que devolva à Europa sua dignidade, força e beleza.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Donald Trump é Democrata ou Republicano?

[NOTA: todas as traduções dos trechos de artigos e reportagens que reproduzo aqui são de minha autoria.]


No site The Hill, no último mês de julho, lemos o seguinte:
“Provavelmente, eu me identifico mais como um Democrata” disse Donald J. Trump alguns anos atrás durante uma entrevista para a CNN. Nessa mesma entrevista, ele defendeu a opinião (ele faz muito isso) de que “Parece que a economia caminha melhor sob o comando dos Democratas do que dos Republicanos”. Ele confirmou suas opiniões alguns meses atrás no programa “Morning Joe”, da MSNBC, quando disse ‘Em algumas coisas, me identifico como um Democrata”.
Tempos antes, ele criticou os Republicanos como “direitistas demais”.

Essas não são apenas gafes isoladas, pois ele mantém a coerência com o que disse desde essa entrevista. Seria Donald Trump um criptodemocrata?

Não há dúvida de que ele tem colocado seu dinheiro onde diz que colocará. Até alguns anos atrás, os Democratas foram os principais beneficiários de suas doações políticas, antes de ele começar a doar para os Republicanos (falo disso mais adiante).

Ele teceu loas e broas aos Clintons e abriu sua carteira para eles.

Em 2007, Hillary Clinton estava costurando apoios para sua campanha presidencial, e Trump declarou que confiava nos talentos dela: “Hillary sempre se cercou de gente muito boa. Eu acho que Hillary faria um bom trabalho” ao prever que ela conseguiria uma boa negociação com o Irã. Ela era, segundo Donald, uma “mulher extraordinária”.

Ariel Cohen, do Washington Examiner, escreveu: “Trump e os Clintons têm um passado ‘íntimo’”:
Bill e Hillary compareceram ao casamento de Trump com Melania Knauss em 2005. Uma foto mostra os dois casais de braços dados, rindo e gesticulando. Trump e Hillary Clinton aparentam uma cordialidade especial. Ela teria comparecido à cerimônia de casamento, enquanto Bill compareceu apenas à recepção.
As filhas de Trump e Clinton, Ivanka e Chelsea, também seriam amiga, apesar da briga dos seus pais na campanha. Ivanka, vice-presidente do império empresarial de seu pai, e Chelsea, comandante da Fundação Clinton, são vistas juntas com frequência em Nova Iorque.
Mas a relação não é apenas pessoal. Trump doou entre U$100.000 e US$250.000 à Fundação Clinton, segundo o cadastro das organizações sem fins lucrativos. Em quatro ocasiões diferentes, Trump fez doações a Hillary Clinton, em 2002, 2005, 2006 e 2007.
Trump também doou indiretamente à campanha de Clinton ao Senado, devido a uma doação de US$125.000 de Trump ao Comitê de Campanha Democrata do [Estado de] Nova Iorque.
Será que Trump consegue mandar esse “passado íntimo” para o buraco da memória?

Sua generosidade se estendeu a outros Democratas além dos Clintons. Na verdade, suas doações políticas beneficiaram principalmente os Democratas até ele, aparentemente, ter uma idéia: o que dar a um bilionário que já tem de tudo? Que tal mudar da Trump Tower para o Salão Oval?

Ele via a perspectiva de uma candidatura à presidência em seu futuro? Ele queria lançar as bases desse plano, se cacifar e acobertar seu apoio de tempos atrás aos Democratas? A cronologia é suspeita. Ele mudou o fluxo de suas doações em 2010 para favorecer mais os Republicanos. Ele é um incorporador imobiliário e, sem dúvida, se sente à vontade em começar um projeto anos antes de sua materialização, pois os investimentos em projetos desse porte começam muito antes.

Poderia isso camuflar suas antigas opiniões, que, aparentemente, vieram diretamente das plataformas do Partido Democrata durante anos?

Não há dúvidas de que ele sustentou opiniões que, num estudo cego com sem exibir a marca “Trump”, levaria as pessoas a supor que ele era um Democrata.

Em várias ocasiões ele apoiou a nacionalização do sistema de saúde, inclusive recentemente, quando ele equivocadamente declarou que o sistema de contribuinte individual do Canadá funciona e deveria ser copiado pelos Estados Unidos.

Ele apóia o aumento de impostos, supostamente apenas para os ricos, mas, se a História ensina alguma coisa, aumentos de impostos geram mais aumentos de impostos e para um número maior de pessoas. Além disso, ele apoiou um imposto de 14,25% sobre fortunas, além do aumento no imposto de renda. Esse imposto, sozinho, teria sido responsável pelo maior aumento de impostos da história dos EUA. Não parece a realização do sonho dos Democratas?

Até poucos anos atrás (2012), Donald Trump era favorável à imigração, e eu traduzo textualmente um trecho de um artigo do The Corner sobre o assunto:
O Partido Republicano continuará perdendo eleições presidenciais se ele se apresentar como um partido mesquinho e hostil para as pessoas de cor, afirmou Donald Trump à Newsmax. Segundo Trump, os comentários e as políticas de Mitt Romney e outros candidatos Republicanos durante esta eleição, intencionais ou não, foram considerados por latinos e asiáticos como hostis em relação a eles. “Os Republicanos não tinham nada favorável a eles em relação aos latinos e aos asiáticos (...)”
A solução de Romney, de “autodeportação” para os estrangeiros ilegais não fazia sentido e insinuava que os Republicanos não se importam com os latinos em geral, segundo Trump. “Ele tinha uma política maluca de autodeportação, que era pura loucura”, afirmou Trump. “Parecia tão ruim quanto era, e ele perdeu todos os votos dos latinos”, observou Trump. “Ele perdeu o voto dos asiáticos. Ele perdeu todos os que têm vontade de vir para este país”.
Esses argumentos são muito semelhantes aos dos Democratas.

Ele também era um entusiasta da proibição total de armas ofensivas. Isso sempre esteve na pauta do Partido Democrata.

Os conservadores religiosos podem se opor ao seu apoio à legalização das drogas em outras ocasiões.

Os Democratas estão entre as pessoas menos religiosas dos EUA. Aparentemente, Donald Trump tem muito pouca noção dos valores e das virtudes judaico-cristãos. Os cristãos evangélicos podem se pegar nesse aspecto do passado e das crenças de Trump. Jennifer Rubin escreveu no Washington Post no final do ano passado:
Os evangélicos têm muitas razões não gostar de Trump — seus vários divórcios, seus cassinos, sua linguagem grosseira e seus ataques à liberdade religiosa, para mencionar apenas alguns. (“Por exemplo, alguns líderes mencionaram seus supostos comentários sobre a aparência de sua filha, entre eles: ‘Eu já disse que, se a Ivanka não fosse minha filha, talvez eu namorasse com ela’”) Mas foi um pequeno incidente que fez os evangélicos, segundo várias fontes, rir de Trump: sua recusa/incapacidade de mencionar seu versículo preferido da Bíblia. (Tempos depois, ele apareceu com um, depois de “citar uma passagem sobre não se dobrar à inveja, que aparentemente não existe”). Para muitos líderes religiosos, o fato de ele dizer, de início, que não o revelaria porque era algo “pessoal”, pareceu uma desculpa esfarrapada. (Pense em como é preciso ser desonesto para fingir devoção religiosa e o desprezo pelas pessoas de fé que ele aparenta).
Existem motivos para Ted Cruz e Marco Rubio estarem conquistando o voto evangélico. Em uma ocasião que ficou famosa, Ronald Reagan participou de um comício de evangélicos conservadores em 1980 e lhes disse: “Eu sei que vocês não podem me defender… mas quero que vocês saibam que eu defendo vocês e o que vocês fazem”. Alguém consegue imaginar Donald Trump fazendo um discurso semelhante e realmente ser sincero em relação ao que diz?

Os conservadores norte-americanos sempre defenderam a Constituição e a Declaração de Direitos com baluartes contra a usurpação da liberdade pelo governo. Entre os direitos considerados sacrossantos está o direito à propriedade. Poucos casos nos tempos modernos enfureceram mais os conservadores do que a vergonhosa sentença do processo de Kelo versus Prefeitura de New London. Nesse processo, a Suprema Corte autorizou a prefeitura de New London, no Estado de Connecticut, a usar seus poderes de desapropriação para tomar um terreno de um proprietário privado e dá-lo a outro proprietário privado.

Como o processo transitou em julgado em 2005, ele se transformou num casus belli entre os conservadores, cuja totalidade rechaça a decisão como uma violação dos direitos de um cidadão nos termos da Cláusula de Receitas da Quinta Emenda e da Cláusula do Devido Processo Legal da Décima-Quarta Emenda. Recentemente, pediram a Donald Trump sua opinião sobre o assunto. Ele não viu problema nenhum a maneira como o processo Kelo foi decidido. Afinal de contas, ele é um bilionário que, em outros tempos, se frustrou com proprietários de imóveis que queriam ficar em suas casas em vez de vende-las a ele. Na verdade, Trump tem um currículo de uso indevido de desapropriações na formação da sua fortuna.

Naturalmente, Trump foi um capitalista clientelista em toda a sua carreira de negócios e, portanto, pode aproveitar suas relações políticas para exercer os direitos de desapropriação contra o “cidadão comum” cujo apoio ele agora solicita.

Os conservadores são favoráveis a um governo limitado com restrições aos seus poderes sobre o povo. Os Democratas são a favor de um Leviatã todo-poderoso que reina sobre os norte-americanos. Barack Obama fez uma paródia do sistema constitucional de freios e contrapesos. Os Democratas têm apoiado Obama em sua iniciativa de neutralizar o Congresso e ignorar as opiniões dos norte-americanos, achando que Hillary Clinton seria sua sucessora e o esquerdismo continuaria em ascensão. Kimberly Strassel observou, numa recente coluna intitulada “Sem limites na política”, que Trump parece ter as mesmas opiniões que os Democratas em relação a um caudilho onipotente:
Barack Obama causou muitos estragos ao país, mas talvez o pior deles seja a destruição obstinada dos limites de Washington. Obama quer o que quer. Se o ObamaCare tiver problemas, ele altera a lei unilateralmente. Se o Congresso não quer mudar o sistema de imigração, ele se recusa a aplica-lo. Se o país não apóia leis de combate à mudança climática, ele cria uma lei regulamentada. Se o Senado não ratifica seus indicados, ele declara recesso e os empossa assim mesmo. “Sobre os limites, você cria os seus”, observou Dan nesse editorial. Esse é o lema do nosso presidente.
Obama não precisa que ninguém justifique seus atos porque percebeu que ninguém é capaz de detê-lo. Ele recebe críticas, mas, ao mesmo tempo, sua abordagem se infiltrou na consciência nacional. Ele criou novas normas. Isso pode ser visto nas propostas cada vez mais afrontosas no campo presidencial, especialmente dos pré-candidatos Hillary Clinton e Donald Trump.
Strassel escreve sobre os vários casos em que tanto Clinton como Trump declaram abertamente pretendem ignorar os limites ao seu poder. Essa opinião é, essência esquerdista e Democrata, e Trump é da mesma opinião. Como as pessoas que se opõem a Barack Obama por seu uso indevido do poder podem apoiar alguém que declara abertamente que seguirá os passos de Obama?

Uma última reflexão sobre a questão de Donald ser ou não um Democrata. Há algum outro pré-candidato que tenha feito mais para ajudar os Democratas nessa corrida? Ele sempre busca os holofotes para deixar claro que ele salvou os Democratas inúmeras vezes de escândalos que os prejudicariam gravemente. Seu estilo bombástico de fazer política provavelmente faria com que os Democratas vencessem de lavada em todo o país, desfazendo o enorme progresso conseguido contra eles nos últimos ciclos eleitorais. Se ele conseguir a nomeação pelos Republicanos, todas as pesquisas indicam que Hillary Clinton será a próxima pessoa a ocupar a Casa Branca.

Donald Trump é Democrata? Talvez sim, talvez não, mas ele é um oportunista que dará de mão beijada aos Democratas sua maior oportunidade de eternizar o enorme estrago causado por Barack Obama.